MARIA Alberto teve os seus dois filhos, o primeiro aos 15 anos e o segundo um ano depois, e não fazia ideia da existência de formas de planeamento familiar. Hoje, aos 24 anos, busca ajuda de profissionais de Saúde para programar a gravidez.

Esta é a tendência. Mulheres de diferentes estratos sociais e idade têm ido às unidades sanitárias para se inteirar dos vários contraceptivos. Algumas por terem tido a experiência de abandonar a escola para serem mães sem que estivessem preparadas. Outras movidas pelo interesse de evitar gravidez indesejada. 

Dados do Ministério da Saúde apontam a evolução no uso de contraceptivos modernos entre as mulheres em Moçambique, passando de 11 em 2011 para 25 por cento em 2015.

Maria Alberto é uma das mulheres que na última sexta-feira estava na fila de atendimento no Hospital Geral José Macamo, na cidade de Maputo. Descontraída, a jovem contou-nos um pouco sobre como fez os seus dois filhos antes mesmo de completar 18 anos.

“Vivia sozinha em Maxixe (Inhambane). Não tinha noção do que resultava uma relação sexual sem protecção. Era ingénua. Os meus pais estavam em Homoíne (distrito da mesma província). Estava lá para estudar. Já na 8.ª Classe conheci o pai dos meus filhos. Experimentei e o resultado foi a gravidez. Tinha apenas 15 anos de idade. Enquanto amamentava e me organizava, veio o segundo filho. Tudo complicou. O sonho de voltar à escola quase terminou”, revelou.

Maria viveu com o pai dos filhos, mas a relação não durou cinco anos. “Ele não me assumia na família. Parti para Maputo à busca de oportunidades de trabalho”, disse.

Já na capital do país, esta jovem concentrou-se no trabalho até que há um ano conheceu outro homem com quem se relaciona até hoje. “Para não me precipitar estou aqui (hospital) para fazer o planeamento. Não gostaria de voltar a ter mais um filho não desejado. Não foi fácil lidar com a situação”, confessou, convidando meninas e rapazes a buscar ajuda antes de iniciar a actividade sexual para evitar gravidez indesejada.

Por falta de um plano de natalidade, estima-se que em Moçambique uma em cada duas meninas dos 15 aos 19 anos é mãe ou está grávida pela primeira vez. Para evitar que mais moçambicanos, sobretudo raparigas, tenham filhos não planificados, o Governo tem feito a promoção do planeamento familiar, que é um conjunto de acções que ajudam as pessoas em idade fértil a decidir quando e quantos filhos querem ter.

Muitas consultas numa só

PARA além de Maria, outras mulheres estavam na fila de espera no Hospital Geral José Macamo. Algumas acompanhadas pelos parceiros, outras sozinhas. É na unidade sanitária onde se oferece atendimento integrado à mulher.

A médica-chefe da cidade de Maputo, Sheila Lobo de Castro, explica que numa só consulta a mulher pode ser aconselhada e escolher um método contraceptivo, fazer o teste de HIV e o rastreio do cancro do colo do útero e da mama. Se as lesões cancerígenas do colo uterino estarem ainda na fase inicial, ela inicia o tratamento de imediato, caso contrário é referida para hospitais mais especializados. Existe também um pacote de serviços oferecido à mulher grávida.

“A grávida rastreia as principais doenças que podem colocar em causa a sua saúde e a do feto. Faz testes de hemoglobina (níveis de sangue), HIV, sífilis, urina, mede a tenção arterial. Desparasita-se, dá-se suplementação com sal ferroso e uma rede mosquiteira”, observou.

No hospital, o dia inicia com uma palestra no pátio. Vários assuntos são abordados entre os quais o planeamento familiar, por isso, algumas mulheres quando vão à sala de aconselhamento já têm ideia do contraceptivo que desejam usar, segundo a enfermeira de Saúde Materno Infantil (SMI), Amélia Langa.

Por dia ela atende em média 25 a 30 mulheres e comemora: “Os níveis de adesão estão a aumentar a cada dia que passa. Isso é bom para a saúde da mulher e da criança”.

No primeiro trimestre deste ano pelo menos 10.438 mulheres fizeram o planeamento familiar na cidade de Maputo, o que representa um aumento em 10 por cento se comparado com igual período do ano passado. Muitas optaram pela pílula e implante, algumas Depo-Provera (a injecção). Poucas preferiram o DIU.

As consultas de SMI são rápidas, a não ser que a mulher necessite de fazer um tratamento imediato, como por exemplo para situações em que se detecta lesões cancerígenas no acto do rastreio do cancro do colo do útero. Mesmo assim, pode levar até 30 minutos na sala, garantiu Henriqueta da Glória, enfermeira de SMI.

Os dois têm de participar

PLANIFICAR a gravidez não é só tarefa de mulheres. Os homens também são chamados a participar no processo, pois, como disse, a médica-chefe da cidade de Maputo, Sheila Lobo de Castro, fica melhor quando é o casal a decidir quando e quantos filhos quer ter.

É para isso que Gabriel Chaúque, 27 anos de idade, estava no Hospital Geral José Macamo na sexta-feira passada para se inteirar sobre contraceptivos e ajudar a esposa a escolher o melhor.

Era a sua primeira experiência para aquele tipo de consulta. “Somos pais de dois filhos. Não estamos preparados para ter o terceiro. Por isso, quando ouvimos falar de planeamento familiar nos órgãos de comunicação social decidimos cá vir para nos inteirar melhor”, disse.

Para este jovem, ainda é prematuro a mulher conceber e explica porquê: “Quero que a minha esposa se recupere do parto e garantir que a mais nova (dois anos) cresça mais um pouco. É vergonhoso ter mais um bebé enquanto o outro ainda é pequeno. Não gostaria que isso acontecesse connosco”, disse.

Incentivou a outros casais a seguir o seu exemplo, que se juntam e programam o nascimento dos seus filhos.

Benefícios de gravidez planificada

São vários os benefícios de uma gravidez planificada, alguns mensuráveis e outros não, a destacar:

  • Redução de gravidezes não planificadas em 73 por cento, mortes maternas entre 25 e 35%, assim como o aborto provocado em 70 por cento;
  • Garantia de mais tempo para aleitamento materno, o que melhora a saúde do bebé;
  • Melhorar a educação e estatuto da mulher ao criar condições para adiar a primeira gravidez e reduzir a probabilidade de abandono escolar, sobretudo em adolescentes;
  • Redução de despesas públicas em serviços de Saúde por causa de consequências a longo prazo dos problemas de saúde resultantes de uma gravidez indesejada;
  • Redução do número de crianças que perdem as mães.
  • EVELINA MUCHANGA

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