A UNIVERSIDADE Nachingwea tornou-se esta semana num dos exemplos de paridade de género na academia, ao colocar no mercado de trabalho homens e mulheres graduados em diversas áreas do saber quase que nas mesmas proporções. Dos 48 estudantes que receberam os seus diplomas de licenciatura, 26 são do sexo feminino. Esta tendência não se verifica apenas nos graduados, mas também no número de estudantes que frequentam esta instituiçao de ensino superior (cerca de 500), que é partilhado quase por 50 por cento de homens e igual percentagem de mulheres.

Ficámos a saber do director académico João Mutondo que a universidade não tem ainda uma política de género instituída, mas sim a consciência da necessidade de se apostar na formação de homens e mulheres para o desenvolvimento do país.

“Temos a consciência de que precisamentos de ter o equilíbrio de género. É por isso que motivamos a formação, tanto de homens, como de mulheres, com mais peso para mulheres. Havia um desequilíbrio histórico no país, em ter mais homens com ensino superior do que mulheres. Por causa desse histórico convidamos mais mulheres para fazer o ensino superior com o fito de aumentar os seus conhecimentos”, explicou o director académico.

Para além de motivar indivíduos de ambos sexos a apostar na formação superior, a universidade, segundo o Reitor, Luís Covane, tem trabalhado para garantir que os formados saídos desta instituição de ensino dêem o seu contributo para o desenvolvimento económico, social e político do país. “A qualidade dos estudantes é inquestionável”, garantiu Covane.

Aliás, contribuir para o bem-estar do país foi manifestado por algumas graduadas por nós entrevistadas que têm como foco a busca de soluções para os diversos problemas que enfermam na sociedade, sendo trabalhadores de diversas empresas ou empreendedoras.

“Encarei muitas dificuldades, mas consegui, por isso estou aqui (a graduar). A minha perspectiva é de conseguir emprego para oferecer as minhas capacidades físicas e intelectuais em prol do desenvolvimento do país”, apontou Catucha Paulo, 24 anos, graduada do curso de Administração Pública e Gestão.

Estes são os primeiros graduados desta instituição, que começou a funcionar em 2013 para formar licenciados, mestres e doutores nos diveros domínios.

A cerimónia, que decorreu na terça-feira, contou com a presença do Presidente da República e membros fundadores da instituição (Partido Frelimo), entre os quais o antigo chefe do Estado, Armando Guebuza.

Ampliar a produção de frango

DIFERENTE de Catucha, Amélia Mavuie, 30 anos, tem outras aspirações. Ela fez Economia Agrária e pensa em ampliar o seu negócio de produção e venda de frangos. “Primeiramente, queria fazer agronomia, mas acabei ficando na economia agrária. É um curso interessante. Hoje, sinto-me preparada para ajudar a comunidade e a mim mesma, porque, para além de ter conhecimento científico e teórico, tenho também o prático naquilo que diz respeito à produção”, disse.

Entende que, em algumas situações, as famílias não estão preparadas para uma produção agro-pecuária em quantidades suficientes para gerar renda, havendo necessidade de ajudá-las a planificar o trabalho e a entender as novas dinâmicas e técnicas de produção.

“ Hoje tenho conhecimento para dar o meu contributo à comunidade. Primeiro, se tudo der certo, vou ampliar os meus negócios. Estou a empreender na área de avicultura desde 2009. É uma área que está ligada ao meu curso. Acho que vou conseguir”, disse a jovem mulher.

Defender os necessitados

ISABEL Fulau, 22 anos, cursou Ciências Jurídico-Económicas. A sua ambição é conseguir emprego e prosseguir com os estudos para que, de forma continua, possa dar assistência a pessoas necessitadas, em particular crianças, mulheres, deficientes e idosos.

“Não existe nenhum curso fácil, ainda mais na área de Direito. Foi necessário muito esforço. Com apoio de amigos, familiares  e colegas consegui. A minha expectativa é ingressar no mercado de trabalho e posteriormente continuar com os estudos. Tendo trabalho, poderei ajudar a desenvolver o país, ajudando os irmãos, de várias formas, que são injustiçados (no ramo de Direito, concretamente). Naturalmente que terei maior foco nas mulheres e crianças, porque são as camadas sociais que mais sofrem de injustiças no país. Esta é uma das razões que me fez escolher o curso. Darei o melhor de mim para o bem-estar da criança e de pessoas mais vulneráveis”, referiu.

No entender da Isabel, algumas mulheres têm sido vítimas de injustiça quando perdem os seus cônjuges pois, como disse, os familiares do falacido se apoderam de quase todos os bens do casal, deixando a viúva na miséria e, por vezes, com filhos menores de idade.

Potenciar a população rural  

CURSAR economia e desenvolvimento não foi a primeira opção de Neide Sidume, 21 anos, mas durante a formação esta jovem mulher diz ter descoberto que fez a melhor escolha, pois já entende como funciona a economia de um país e quais os factores que determinam o seu crescimento.

Com os conhecimentos adquiridos, Neide diz que pode elaborar estratégias que continuam de forma significativa para o desenvolvimento do país, abrangendo a  população desfavorecida, sobretudo as que vivem nas zonas rurais.

“Trabalhando com as famílias e incentivando-as a abraçar as estratégias que podem contribuir para o crescimento do país. Sabendo que elas são boas na agricultura, então a apostar nelas e potenciar as suas actividades, acredito que a economia poderá crescer de forma significativa”.

Com a grande dificuldade que o país está a enfrentar para o acesso ao emprego, esta jovem mulher pensa em empreender para garantir trabalho para si, bem como para os que precisam. “Posso trabalhar na área de venda de produtos e quem sabe me tornar numa empresária”, referiu, alegando que já deixou de lado o sonho de ser médica.

“Apaixonei-me pela economia. A continuar com os estudos farei o mestrado em economia monetária, assim sucessivamente”, avançou.

EVELINA MUCHANGA

 

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