A POUCOS dias da eleição do primeiro Bastonário da Ordem dos Enfermeiros de Moçambique, acto a ter lugar na próxima terça-feira, as duas candidatas Matilde Basílio e Maria Lourenço prometem trabalhar para resgatar a imagem dos profissionais de enfermagem.

É que actualmente os enfermeiros têm sido alvo de críticas da sociedade, acusados de não exercer com zelo e dedicação as tarefas que lhes são incumbidas nas unidades sanitárias, sobretudo públicas.

Para debater sobre este assunto, conversámos com as duas concorrentes ao cargo de bastonário, que se mostraram firmes em mudar a imagem errada que se tem dos enfermeiros.

“As pessoas queixam-se do mau atendimento. Vamos trabalhar com a sociedade para mostrar que, de facto, nós somos uma profissão de relevo, de respeito, uma profissão que cuida do doente e que merece consideração”, referiu Matilde Basílio, representante da Lista A.  

Para materializar os objectivos do seu elenco, constituído por profissionais que representam o país e diferentes idades, esta mulher com mais de 40 anos de experiência em enfermagem diz que a aposta será incentivar os enfermeiros, empregadores e instituições de formação para se melhorar cada vez mais a qualidade da formação e incremento do número de profissionais.

“Vamos trabalhar com o empregador para ver qual é a melhor plataforma que poderemos usar para ajudar os enfermeiros a melhorar o seu nível profissional para que se aperfeiçoe a qualidade de serviços prestados, a motivação e reduzir as queixas”, disse Matilde Basílio, acrescentando que pautará pela observância da ética e deontologia profissional.

Outro desafio, segundo ela, será a humanização dos cuidados, facto que terá como alicerces o diálogo com as comunidades e famílias para que entendam quais são as atribuições de um enfermeiro na unidade sanitária e as dificuldades que estes enfrentam no dia-a-dia para garantir cuidados aos doentes.

“Vamos falar com empregadores para melhorar as condições de trabalho porque para a pessoa exercer a sua profissão com zelo precisa de ter meios e materiais adequados. A unidade sanitária tem de ter um número suficiente de enfermeiros para atender um determinado número de doentes, o que muitas vezes não acontece. Se nós formos às instituições, vamos ver que há enfermeiros que trabalham 48 horas consecutivas. Será que este profissional está em condições de estar desperto esse tempo todo?”, questiona, justificando ainda a necessidade de se formarem mais quadros e maximizar os existentes.

Reformas no ensino

MATILDE Basílio fez saber que, caso o seu elenco saia vitorioso das eleições, vai promover a pesquisa e a reforma do ensino em enfermagem, subjacente à integração no ensino superior universitário, bem como a definição de requisitos obrigatórios para os cursos de acesso ao título de enfermeiro e enfermeiro especialista.

Para além desta pretensão, acrescenta a aposta na criação de condições para que os enfermeiros que não têm a possibilidade de se formar numa universidade sejam capacitados no local de trabalho para progredir profissionalmente.

“Temos cérebros em enfermagem, mas por causa da falta de progressão na carreira e na profissão eles fogem para outras áreas. Nós queremos que a classe mantenha profissionais com estas características. A pessoa tem 12.ª classe, mas não tem como se formar na academia. Vamos trabalhar com o empregador para considerar estes casos, promovendo talvez cursos de progressão que não sejam necessariamente académicos”, disse, afirmando que Moçambique tem apenas uma turma do curso de Mestrado em Enfermagem no Instituto Superior de Ciências de Saúde, havendo necessidade de especializar os profissionais em Saúde Materno-Infantil, Saúde da Criança, entre outras áreas.

As intenções da Matilde Basílio estendem-se à união dos enfermeiros e à garantida de salários que compensem o trabalho que estes profissionais realizam. “Embora a ordem não seja um sindicato, podemos trabalhar com ele para que perceba que o enfermeiro merece ser reconhecido pelo trabalho que faz. Existe uma grande discrepância tanto do salário assim como dos subsídios entre estes profissionais e outros que fazem parte da equipa de trabalho na unidade sanitária”, sublinhou.

Para que as inquietações dos profissionais de enfermagem sejam atendidas, Matilde Basílio diz que vai trabalhar na união cada vez mais dos enfermeiros.

“Unidos é que poderemos atingir os nossos objectivos. Seja quem for a sair vitorioso, o ganho não vai ser da Lista A ou B, mas sim dos enfermeiros. É uma luta de há anos e um ganho para Moçambique”, disse, frisando que com mais enfermeiros formados que se sintam valorizados e motivados vão melhorar os cuidados de saúde nas unidades sanitárias do país.

“A enfermagem não precisa de rogar dignidade porque pelo conceito já é uma profissão digna e da qual todos os enfermeiros desde sempre se orgulham. O que os enfermeiros e enfermeiras carecem do protagonismo decisório que a sociedade já identifica com valor”, disse  Matilde, reafirmando defender uma Ordem que prestigie cada vez mais a classe dos enfermeiros.

O enfermeiro é espelho do Sistema Nacional de Saúde

JOCAS ACHAR

PARA Maria Acácia Lourenço, outra candidata, o enfermeiro é o espelho de todo o Sistema Nacional de Saúde, por isso se sair vitoriosa da eleição para a presidência dos órgãos vai prestar atenção à humanização, ética e deontologia profissional, pilares do seu manifesto eleitoral.

Explicou que, no contexto da assistência em saúde, o enfermeiro é o profissional que fica mais tempo com paciente, procurando abafar a sua dor e devolvendo uma nova esperança.

Ela e os seus pares pretendem com isso humanizar a saúde e defender a ética e deontologia profissional, ou por outras palavras, uma assistência do doente humanizada dentro dos princípios éticos e deontológicos.

Maria Acácio Lourenço encabeça a Lista B, que definiu quatro pilares autonomia do enfermeiro, humanização, ética e deontologia, ensino e pesquisa, bem como cooperação nacional e internacional. No primeiro pilar, segundo a nossa entrevista, o enfermeiro deve ter a autonomia de discutir e decidir sobre a sua prática diária sem limitação dentro dos princípios da deontologia profissional.

Para ela, a Ordem vai proporcionar um espaço de debate e discussões sobre aspectos da actividade dos enfermeiros, sem as actuais limitações que muitas vezes imperam na liberdade profissional.

No ensino e pesquisa, a visão da candidata ancorou-se na necessidade de envolver o enfermeiro no processo de ensino e formação de outros enfermeiros. Quando o enfermeiro estiver directamente ligado ao processo de ensino e pesquisa, segundo a entrevistada, tem mais possibilidade de trazer inovações na vida prática porque busca, através da pesquisa, soluções para as dificuldades que ele enfrenta no exercício da sua actividade profissional.

A nossa entrevista disse que o último pilar do seu manifesto eleitoral está ligado à cooperação nacional e internacional porque, no seu entender, no mundo moderno ninguém alcança sucessos caminhando só. Afirma que cooperação abre espaços e caminhos para novos integrantes sociais, busca o que melhor existe dos outros para implementar no nosso contexto sociocultural e tecnológico.

Explicou ainda que a campanha eleitoral decorreu em todas as províncias do país e envolve colegas seus estando ou não na lista. Afirmou ter uma grande base de apoio de colegas com larga experiência na enfermagem, ensino e pesquisa, que estão disponíveis para dar um valioso contributo para a Ordem dos Enfermeiros funcionar para a satisfação das expectativas dos seus membros.

“Todos juntos podemos mudar aquilo que achamos que não está adequado com a enfermagem no actual contexto”, disse, para depois afirmar que é importante envolver o enfermeiro na pesquisa, ensino, autonomia e na acreditação do profissional da enfermagem. Apesar disso, reconhece que o factor de envolvimento da classe na busca de mudanças é muito importante e chama atenção a todos para que percebam o que está errado para corrigir.

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