Director: Júlio Manjate   ||  Directora Adjunta: Delfina Mugabe

Os eventos tecnológicos nacionais eram compostos, maioritariamente, por homens, a presença feminina era rara. Actualmente, o cenário tende a melhorar, a Muthiana Code pretende, a curto e médio prazos, impulsionar esta mudança.

Mais do que ter adolescentes e mulheres jovens inseridas nas áreas tecnológica, a comunidade quer inspirar e mostrar que a equidade de género é possível em todas as áreas sociais. A luta ainda é grande, mas a líder da Muthiana Code, Miwanda Cossa, mostra-se satisfeita pelos ganhos que alcançou nos primeiros sete meses da iniciativa.

Actualmente, a comunidade conta com mais de 100 membros inscritos. Já realizou cerca de 10 eventos e recentemente lançou o “Nyandayeyo, uma plataforma que ajuda na luta contra a violência doméstica. Além destes feitos, a Muthiana Code pretende alcançar mais mulheres de todo o país e desenvolver mais soluções tecnológicas para ajudar a classe e não só. Mas voltemos para o início, como tudo começou?

A génese de uma comunidade

Miwanda Cossa faz parte da Comunidade de Desenvolvedores de Softwares e Aplicativos de Moçambique (MozDefz). Depois de participar em inúmeros eventos organizados pelo colectivo, percebeu que era reduzido o número de mulheres nas iniciativas. Sentindo-se isolada no meio de homens, decide criar, com Edilson Cossa, uma microcomunidade tecnológica que congregasse apenas mulheres.

“Percebi, pelas estatísticas, que a participação das mulheres nos eventos da MozDefz era reduzida, sendo que os eventos eram, de certa forma, masculinos. Assim, pensamos em criar uma comunidade para meninas dentro da Mozdefz. Desejávamos que, nos eventos, elas sentissem mais confortáveis”, detalhou.

Miwanda sabia que existia outra comunidade feminina ligada à tecnologia, que era virada para ferramentas da Google. No entanto, avançou com a criação da Muthiana Code, pois sabia que os objectivos das duas congregações seriam diferentes.

O dia 12 de Maio de 2017 é marcante para Edilson e Miwanda, a ideia que juntos rabiscaram, transformava-se em realidade. Num seminário, era lançada a Muthiane Code. No evento, mulheres que trabalham no sector de tecnologia deram o seu depoimento, falaram do seu dia-a-dia para inspirar mais pessoas do sexo feminino.

“No seminário, estiveram estudantes do ensino secundário, universitário, entre outras, que estavam curiosas em saber o que é a Muthiana Code e como podem participar. O evento foi marcante, pois inspirou muitas a fazerem parte da comunidade”, disse, acrescentando que neste dia percebeu que era necessário dar voz, mostrar as mulheres que estão no sector de tecnologia para inspirar outras a trilhar o mesmo caminho.

Depois do primeiro evento, o número de integrantes aumentou, o sonho, aos poucos, ganhou corpo e solidificou-se. Dois meses depois, foi realizado o segundo evento, denominado “Internet das Coisas”, que serviu para explicar que o serviço faz parte das nossas vidas e está incorporado em nossas acções diárias, como auxiliar.

Depois dos primeiros dois passos, a comunidade ganhou forças e neste ano pretende alcançar outros patamares, mas para tal é necessário planear, colocar as mãos na massa para materializar o que foi idealizado.

A planificadora do grupo

Imelda Moamba entrou no colectivo em Maio de 2017, ainda nos primeiros passos da iniciativa. Estudante do curso de Gestão de Financeira, na Muthiana Code aplica alguns dos conhecimentos que recebe na sala de aulas e tem a oportunidade de entrar em contacto com a prática. No grupo, tem a tarefa de organizar os eventos e garantir que os mesmos aconteçam, conforme o planificado. Organização, disciplina e boa-gestão são algumas das qualidades que tem de possuir para a materialização das suas actividades. Além disso, tem de encontrar alternativas para vencer as adversidades, sendo que uma delas é a questão financeira. Apesar da falta de meios, Moamba refere que respira de alívio e satisfação, quando no final do evento percebe que as coisas correram como o planeado.

“Não temos dinheiro, por isso recolhemos as poucas moedas que temos para organizar os eventos”, disse.

Apesar da questão financeira, o maior desafio que Imelda e o seu colectivo enfrentam é encorajar as meninas, elas ainda apresentam medo de fazer parte da comunidade. Referiu que constata isso quando olha para o rosto delas nos eventos.

“Temos de trabalhar mais para que elas participem nos nossos eventos, mas o recrutamento é uma das tarefas mais complicadas”, contou.

Operação escolas secundárias

Motivar as alunas do ensino secundário e torná-las parte da comunidade Muthiana Code é uma das missões de Khensani Shonila. Para tal, conta com o apoio dos restantes membros, que prometem ajudá-la na realização das suas tarefas.

A adolescente, de 17 anos, sabe que para a materialização da missão é necessário conquistar a confiança das menores, pois ela é a base para a solidificação da relação. “Elas têm de me olhar como inspiração”, disse.

No entanto, existe uma barreira, ainda persistem os pré-conceitos. “Muitas ainda acreditam que as engenharias são áreas que só podem ser seguidas por homens e que nós não podemos”, disse.

A luta pela afirmação é bem conhecida por Quenssane, a adolescente também está a travar a mesma luta.

“Escolhi fazer Engenharia Informática, pois o meu pai e a minha irmã mais velha também cursaram e espero ter o apoio deles. Já pensei em cursar Engenharia Electrónica, mas desisti da ideia”, disse, acrescentando que neste ano vai se inscrever para o ensino superior e espera que a sua admissão inspire mais meninas.

Do Brasil para inspirar mais

Cecília Tivir é licenciada em Informática pela Universidade Pedagógica (UP). A vida deu-lhe uma oportunidade e rumou ao Brasil para cursar o mestrado em Ciências de Computação. Em Porto-Alegre, viveu a felicidade de ver comunidades tecnológicas compostas por mulheres a produzirem resultados satisfatórios.

Quando regressou à sua terra natal, pensou em fazer parte de uma comunidade similar e teve a oportunidade de assistir o primeiro evento da Muthiana Code. “Depois de ver o seminário, fiquei interessada em fazer parte da micro-comunidade. E daí entrei e tornei-me membro. Participo das suas actividades”.

A tarefa de Tivir é coordenar os laboratórios de codificação, que ensinam linguagem informática às meninas, como HyperText Markup Language (HTML), Cascading Style Sheets (CSS) e Java. Refere que até tem a ambição de labutar numa grande empresa, mas em cada aula que dá ganha uma certeza: “Estou a trabalhar numa empresa do futuro. É gratificante contribuir para a formação destas meninas. Estou feliz em estar a ensinar o que aprendi durante a formação. A minha expectativa é que essa comunidade cresça e que não fique só na capital, vá para mais províncias do país”, disse emocionada.

A fonte refere que dá às suas alunas a mesma força que recebeu dos pais. “Eles nunca disseram que informática era curso de homens, sempre me incentivaram”, disse.

Apoio familiar pleno ainda é desafio

ANTES de desafiar o mundo, as meninas tem de enfrentar, primeiro, uma luta dentro de casa. Por vezes, as famílias das jovens não encaram de forma pacífica as escolhas de cursos como Engenharia Informática, Mecânica e Electrónica.

Para Miwanda Cossa, a luta foi mais leve, pois os pais tinham outro medo, que o curso não tivesse enquadramento profissional e depois de formada a filha ficasse desempregada. Mas depois de vê-la a trilhar os primeiros passos, ganharam fé na filha.

Terminada a primeira luta, Miwanda começou a lutar para entender o curso e tornar-se uma excelente estudante.

“Depois das primeiras aulas, percebi que o meu curso era mais do que imaginava. Dominava os pacotes da Microsoft Office, uma suite de aplicativos para escritório que contém programas, como processador de texto, planilha de cálculo, banco de dados, apresentação gráfica e gestor de tarefas, de e-mails e contactos. Nesta época, pensava que o curso se resumia a isso, mas não, percebi que tinha de conhecer programação, linguagem informática, entre outros aspectos muito técnicos”, disse.

Com o tempo, ganhou habilidades e dominou a matéria do curso. “Praticamente, comecei do zero, mas me virei bem”, disse.

Envolvida em vários projectos, a jovem sonhava com o apoio pleno dos pais, coisa que ainda é uma miragem. “Eles estão presentes, mas esperava mais. Quando acerto, eles parabenizam, mas quando as coisas não correm bem, eles dizem: já sabíamos”, soltou.

Por sua vez, Imelda Moamba refere que a família acredita que ela está a gastar tempo em envolver-se em iniciativas como a Muthiana Code. Referem que o período gasto na projeção dos eventos poderia ser útil nos estudos de matérias da escola. “Mas eu persisto, pois sei que o que aprendo na comunidade não é leccionado na escola, são experiências que me tornam mais profissional”, disse.

Luta pelo bem-estar das mulheres

A CAUSA feminina é um dos hinos da Muthiana Code. Recentemente, a comunidade lançou uma aplicação que ajuda na luta contra a violência doméstica. Através do “Nyandayeyo” é possível a denúncia ou reporte de casos de violência ocorridos. Para ter acesso à aplicação, o utilizador deverá entrar no seu navegador de Internet, com dados móveis activos ou mesmo sem os dados móveis.

“O acesso também será possível através da tecnologia interactiva, que é suportada por todos os celulares, digitando o código *202#, que possibilitará a denúncia e para a visualização dos postos de atendimentos”, realçou Miwanda Cossa.

A responsável pela comunidade de mulheres avançou ainda que já foram eleitos os bairros que servirão para a implementação da fase-piloto da iniciativa, que vai decorrer neste ano.

Além desta acção do colectivo, várias iniciativas estão a ser desenvolvidas em prol do empoderamento das mulheres.

“Somos uma comunidade dedicada à formação, inserção e suporte de adolescentes e mulheres jovens nas áreas de engenharia. Pretendemos impulsionar a mudança, de forma leve e produtiva, para o desenvolvimento de várias áreas sociais do país”, concluiu.

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