Director: Júlio Manjate   ||  Directora Adjunta: Delfina Mugabe

A VIDA, obra e pensamento do primeiro Presidente de Moçambique independente continuam a dominar a agenda dos moçambicanos neste que foi declarado “Ano Samora Machel”, como forma de imortalizar aquele que, desinteressadamente, abdicou de tudo para se dedicar à causa nacional.

Mais do que recordar Samora como o presidente de todos os moçambicanos, muitos analistas pensam que a melhor forma de manter a sua chama viva é resgatar aquilo que foi o seu pensamento sobre diversos aspectos da vida e recriar estas ideologias enquadradas no contexto actual da nossa sociedade.

Desta vez coube ao Instituto Superior de Artes e Cultura (ISArC) organizar uma série de palestras que fez convergir durante dois dias de seminário na província de Maputo, intelectuais, professores, políticos e estudantes para falar de vários aspectos dos conceitos largamente defendidos por Samora Machel.

A questão do sentido de pátria, estado, nacionalismo e identidade moçambicana foram sempre as bandeiras do Presidente Samora, que olhava o povo moçambicano como um motivo de orgulho para qualquer um que nasceu em Moçambique, assim como discutia e admitia as diferenças como um factor importante para a união.

O movimento “Re-significação de Pátria, Identidade Nacional e Cidadania” traz uma reflexão sobre as noções e princípios fundamentais da consciência de pertença a uma pátria e nação moçambicana, articulados de uma multiplicidade de factores e elementos identitários.

Ao se associar a este movimento desencadeado pelo Centro dos Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane, em parceria com o Centro de Documentação Samora Machel, o ISArC quis trazer esta reflexão sobre a dimenção de Samora Machel a partir da perspectiva das artes e letras, que contou com uma participação massiva de estudantes.

A apresentação do tema sobre “Identidade e Nacionalismo” coube ao académico José Blaunde que fez uma viagem sobre o significado e importância da reflexão sobre estes termos que não se esgotam apenas na celebração da passagem dos 30 anos da morte do primeiro Presidente de Moçambique, mas sim para ilustrar o significado pragmático do espírito nacionalista que ele vivia.

É que, segundo seus mentores, o movimento busca engajar múltiplas gerações de actores, entre académicos, activistas sociais, artistas, líderes religiosos e comunitários, políticos e outros num processo que se pretende crescente e abrangente de modo a contribuir no resgate de uma consciência colectiva de pertença a um território comum.

Pretende-se que todos se considerem donos de Moçambique com ampla comunhão de valores e princípios, assim como promover a união no meio de um rico e complexo mosaico de diversidade étnica, cultural, política e ideológica.

Pretende-se igualmente que seja definida no fim uma agenda de aprofundamento temático das dimensões e problemas que deverão catalizar debates e promover investigação científica sobre factores contribuintes na construção e renovação de narativas relativas ao estado, pátria e cidadania plena em Moçambique.

De acordo com José Blaunde, é importante analisar a historicidade, pertinência e o impacto num contexto internacional e local para compreender o nacionalismo e identidade no pensamento patriótico de samora Machel.

Os moçambicanos precisam de saber também como é que Samora compreendia a nação, o nacionalismo e o patriotismo pois, segundo ele, falava de reconquistar a personalidade moçambicana para desenvolver a cultura moçambicana, o que significa que havia a necessidade de recuperar algo perdido, rejeitado ou excluído.

“O reconquistar que Samora reclama é uma busca de identidade porque ele tinha percebido que sem cultura não existe pessoa e sem pessoa não existe nação. Para ele, rejeitar ou excluir a cultura significava rejeitar a nação, a pátria de um povo, daí que se justifica a pertinência de encontrar e desenvolver a nossa cultura porque é aqui onde se fundamenta o sentido existencial do homem. Samora não rejeita a cultura de outros povos em Moçambique, reconhece-a mas como uma estrangeira e não moçambicana”, começou por dizer Blaunde, para quem a cultura como um conjunto de sinais característicos do comportamento de alguém, serve para o diferenciar do outro e da outra cultura.

NACIONALISMO E IDENTIDADE NO PENSAMENTO DE SAMORA

Na sua análise, José Blaunde defende que a identidade é construída a partir da diferenças e será esta diferença que vai traçar o limite entre nós e os outros, o nosso e o dos outros. Na sua contextualização, a identidade depende de algo que está situado fora dela, ou seja, outra identidade.

Segundo ele, citando alguns pensadores, a identidade se constrói estabelecendo a sua relação com a diferença das características de uma outra pessoa. Defende que a diferença é sempre uma relação porque não se pode ser diferente de forma absoluta, mas sim relativamente.

“Esse processo de diferenciação é estabelecida, no caso das identidades nacionais e regionais, por uma marcação simbólica em relação às outras identidades, tais como o hino, a bandeira, a indumentária, a culinária, entre outros conjuntos de artefactos que marcam simbolicamente uma nação ou região. Samora no seu discurso de 1975 denunciou a categorização dos funcionários que existia em Moçambique onde, por exemplo, existia padeiro branco e negro. Os que cultivavam a terra, ao branco se dava o nome de agricultor e o negro era machambeiro. Ele dizia que a nossa luta é de humanidade inteira e, segundo ele, a luta do povo moçambicano integra-se na luta dos povos oprimidos de todo o mundo”, refere José Blaunde, realçando que o colonialismo divide a nação inteira como instrumento para poder explorar e não une os povos e os grupos liguísticos.

Acrescenta que Samora, dentro do seu espírito nacionalista e patriótico no sentido de reclamar a independência da sua terra, falou das guerras mundiais que trouxeram ao mundo muitas nações e sustenta que Machel já tinha razões suficientes para justificar o início de uma luta pela libertação da nação.

“A intenção de Samora era fazer perceber não apenas aos moçambicanos e aos colonizadores mas ao mundo inteiro que era possível fazer de Moçambique uma pátria, uma nação livre do imperialismo. E ele diz ‘a nossa luta foi para libertação nacional e independência de Moçambique, para a reconquista da nossa personalidade destruída pelo colonilismo, da personalidade moçambicana para o desenvolvimento da nossa cultura, da cultura moçambicana, a cultura que era desprezada em moçambique, cultura que era proibida aqui em Moçambique porque era dança de animais, dança de selvagens, dança do pagão e de gente não civilizada’, aqui Samora mostra o porquê da luta de libertação nacional e não de libertação de Nampula, Beira ou Inhambane, mas nacional”, disse o orador, recordando que o pai da Nação tinha na sua consciência a existência de Moçambique como todo, como uma pátra unida.

INTERNACIONALISMO E DESCOLONIZAÇÃO DAS MENTES

Socorrendo-se de mais um discurso, Blaunde diz que Samora fala da luta que não foi apenas para libertar Moçambique do colonialismo português mas principalmente para conquistar a nossa dignidade e personalidade africanas. Sustenta qu o seu nacionalismo não é singularmente dele mas é envolvente, pelo que percebeu que a luta não tinha apenas uma dimensão moçambicana, mas era para todo o povo africano e outros continentes.

Aqui, segundo o académico, Samora mostra mais uma vez o verdadeiro nacionalista que pensa não só no seu unbigo, na sua família, região ou província. Não se colocar em primeiro lugar antes dos outros e pode se encontrar aqui a magnitude da sabedoria dele porque havia percebido que a identidade perdida não se pode construir na singularidade, mas é necessário o outro.

“Samora é um fenómeno, o homem que sabia ler o espaço e o tempo. Durante a luta, nas zonas libertadas incutia nos seus camaradas o espírito da educação, trabalho, produção e, sobretudo, o espírito revolicionário porque queria que os outros percebessem que o inimigo comum era o colono e não o ndau, sena, changana ou macua”, refere Blaunde.

A questão da formação do Homem Novo, surge, de acordo com José Blaunde, da necessidade de descolonizar a mente dos moçambicanos porque logo depois da guerra Samora, na qualidade de líder percebeu que o colonialismo não havia dominado apenas o território geográfico, mas sobretudo a mente do moçambicano.

Havia um entendimento de Samora de que se apresentavam outros desafios de formar este Homem Novo para fazer face aos novos problemas e preocupações do povo e em curto espaço de tempo percebeu que depois da revolução era necessário formar uma mente nova para uma nova luta de desenvolvimento.

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