O DIÁLOGO político para a paz em Moçambique está a ser conduzido com transparência, cautela e toda a responsabilidade possível, tudo para evitar o surgimento de mal-entendidos que conduzam os moçambicanos a novas confrontações armadas.

Esta mensagem foi avançada ontem pelo presidente da República, Filipe Nyusi, nos comícios que orientou nas localidades de Inhassune e Mussengues, distritos de Panda e Mabote, no quadro da visita de trabalho que efectua à província de Inhambane.

O Chefe do Estado defendeu que o patriotismo éfundamental para que todo este processo corra a contento. Chamou atenção aos jovens, políticos, intelectuais, académicos e toda a população moçambicana para, sempre que fizerem abordagens, análises ou dissertações em torno das soluções exequíveis para o restabelecimento da paz para o país, façam-no sem perder de vista o sentido de pátria.

“Tanto quanto eu, acho que Dhlakama também tem muita pressa de ver alcançada a paz no país, factor crucial para se relançar o desenvolvimento, mas estamos a abordar o processo com muito cuidado. Não queremos assinar vários acordos. Queremos apenas um, cujo impacto seja a paz definitiva, efectiva e duradoira”, afirmou o Presidente da República.

Filipe Nyusi acrescentou que Moçambique deve ser um país normal, igual a outros países da região e do mundo que desde a proclamação das suas independências políticas nunca voltaram a pegar em armas para resolver as suas diferenças políticas.

“Para isso, énecessário que o diálogo em curso não seja apenas ao nível mais alto, mas que seja a todos os níveis…”, sublinhou.

Nyusi apontou como sendo chave para o alcance deste objectivo uma atitude de patriotismo dos moçambicanos que, segundo disse, devem exaltar e colocar Moçambique em primeiro lugar, sem no entanto desligá-lo da política internacional, onde se pode buscar inspiração para vários desafios que o país ainda enfrenta.

“Moçambique é muito rico, mas não tem a tranquilidade necessária para transformar os recursos que tem em riqueza. Precisamos consolidar a unidade nacional, o espírito de reconciliação; precisamos aprofundar a nossa democracia para atrair investidores que virão explorar as oportunidades de negócio com impacto no desenvolvimento do país”, explicou o Presidente.

O Chefe do Estado voltou a pedir calma e paciência aos moçambicanos, sustentando que o longo e sinuoso caminho da busca da independência total e completa que o país vem percorrendo há cerca de meio século “deve chegar ao fim de uma vez para sempre”.

“Não nos devemos desviar do foco principal na busca da paz. É preciso concentrarmo-nos no essencial porque a guerra nos prejudica. Precisamos trabalhar para o alcance da paz e sossego, para que amanhã não haja nenhum motivo de discórdia que degenere em novas confrontações armadas”, sublinhou Filipe Nyusi.

O Presidente cumpre hoje o terceiro e último dia da sua visita de trabalho à província de Inhambane.

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