CARACTERIZADO pela riqueza histórico-cultural e pela beleza das suas praias e matas sagradas, o distrito do Limpopo, na província de Gaza, criado recentemente através da Lei 3/2016, no âmbito da descentralização, está a caminhar a um ritmo que concorre para o seu rápido crescimento.

A criação deste território, que deriva do seu desmembramento do distrito de Xai-Xai e tendo ganho o posto administrativo de Chissano, no distrito vizinho de Bilene, foi uma decisão acertada, porque estabelece uma ponte que irá permitir que as principais actividades de desenvolvimento floresçam.

Estamos a falar das áreas de agricultura, pesca, comércio e, sobretudo, o turismo, actividades que já estão a ter um novo ímpeto no aproveitamento das terras férteis e belas paisagens naturais, o que leva a respectiva administradora, Adelaide de Jesus, a prever melhores dias para os seus habitantes.

Nesta entrevista, a administradora assegura que a região tem tudo para liderar no capítulo de desenvolvimento multifacetado e na oferta de oportunidades de investimentos de vária natureza, que podem dar uma grande contribuição na economia da província e do país.

De seguida os principais extractos da entrevista: 

NOTÍCIAS (NOT) Que impacto trás a elevação desta região do Limpopo a estatuto de distrito?

ADELAIDE DE JESUS (AJ)– O distrito surge, efectivamente, em boa altura, tendo em conta não só o seu enorme potencial socioeconómico e cultural, mas, sobretudo, pela necessidade premente que se impunha de se aproximar mais os serviços ao cidadão. Este facto levou o Governo a decidir pela fragmentação, exactamente a olhar por estas distâncias que separam os habitantes das infra-estruturas básicas. A título de exemplo, a população de Nhabanga, área que faz limite com a Praia de Bilene, tinha que percorrer acima de 40 quilómetros para tratar de assuntos administrativos de seu interesse no Chongoene, onde anteriormente estava localizada a sede do distrito de Xai -Xai.

Com esta nova divisão administrativa, o posto administrativo de Chissano, que pertencia ao distrito de Bilene, passa para o de Limpopo, juntando-se assim aos postos administrativos de Zongoene e Chicumbane. Esta medida já se justificava ainda pelo facto de o Limpopo ser o terceiro distrito mais populoso de Gaza, com um total de 183 mil habitantes, segundo as projecções que deverão ser confirmadas no actual censo.

Esta população é servida actualmente por 56 escolas, onde estão inscritos mais de 40 mil alunos dos diferentes subsistemas. Temos também a contribuição da Igreja Católica, que tem aqui instalada uma escola técnica comunitária, que lecciona os cursos de contabilidade e gestão de recursos humanos. Em Chicumbane, temos um centro de Formação de Quadros da Saúde, uma instituição gerida a nível da Direcção Provincial de Saúde de Gaza.

O distrito conta igualmente com sete unidades sanitárias e já há perspectivas de se erguer mais uma para fazer face às necessidades dos utentes, que ainda são obrigados a percorrer longas distâncias para ter acesso aos cuidados de saúde.

NOT – A falta de água potável continua notável no distrito de Limpopo. Que medidas estão a ser tomadas para solucionar o problema?

AJ– Trata-se de uma realidade que paulatinamente pretendemos suprir. No presente exercício económico foi já definida a abertura de pelo menos dez furos de água para as zonas mais críticas, com particular realce para Zongoene, Chissano, Maguaza e 3 de Fevereiro. Nesta última área, devemos assistir mais de 120 famílias que foram forçadas a abandonar a zona denominada Pontinha, na entrada da cidade de Xai-Xai, devido às inundações registadas no início deste ano, na sequência do transbordo do rio Limpopo. Trata-se de criadores de gado, que encontraram no 3 de Fevereiro uma relativa segurança e pasto à altura para as suas manadas.

NOT – Como tem sido o desempenho do distrito no que tange à actividade agrícola?

AJ– Na agricultura, as chuvas intensas que caíram no início do ano deixaram extensas áreas alagadas, o que inibiu, de certo modo, os camponeses de desenvolverem as suas actividades nas zonas ribeirinhas, tendo acatado as orientações de fazer a produção em zonas altas, de onde resultou uma grande produção de milho, batata-doce e uma variedade de verduras.

NOT – O distrito do Limpopo foi em tempos uma potência na produção da castanha de caju. Haverá alguma estratégia visando resgatar esta cultura de rendimento?

AJ– O nosso distrito vai, a partir deste ano, trabalhar com vista ao relançamento do caju na região, através de programas de fomento desta cultura. Com efeito, a região de Chirrindzene que possui excelentes condições agro-ecológicas, para o desenvolvimento do cajueiro, deverá servir de epicentro, numa altura em que o Governo já disponibilizou acima de sete mil mudas. Trata -se de uma iniciativa, que visa relançar a actividade, que outrora era um grande suporte para o incremento da economia familiar.

O fomento deverá, igualmente, contribuir para o rejuvenescimento do parque local de cajueiros, que já se mostra bastante envelhecido. A reactivação da produção da castanha de caju vai ser acompanhada por uma vasta campanha de pulverização, para permitir a sua maior rentabilidade.

Turismo deve gerar receitas 

As potencialidades naturais caracterizadas por belas praias e lugares lindos para o desenvolvimento da actividade turística no distrito de Limpopo fazem antever uma possibilidade da entrada de mais investidores, para esta área, que pode representar o aumento dos níveis de colecta de receitas para o erário público.

Para que a actividade seja feita de forma organizada e equilibrada, a nova autoridade administrativa do distrito de Limpopo está desafiada a se organizar melhor, para dar uma resposta adequada aos investidores interessados, a abraçar este ramo de actividade na satisfação dos turistas.

NOT – Como a nova administração está preparada para fazer o aproveitamento das potencialidades turísticas do distrito?

AJ– Tudo está sendo feito para que Zongoene e Nhabanga, duas importantes praias, que são uma referência nacional e internacional, possam produzir resultados, que se façam sentir nos cofres do Estado. Estamos a trabalhar no sentido de, o mais breve possível, isto se torne realidade, para que as estâncias turísticas ali instaladas possam contribuir para o desenvolvimento do distrito. Temos que explorar, de forma mais concertada, a Mata Sagrada de Chirrindzene, criando condições, para que os turistas se possam sentir melhor acolhidos, para se deliciarem daquela riqueza natural ímpar. Pretendemos igualmente ver reforçada a ideia de se transformar os monumentos erguidos, em memória dos heróis Mateus Sansão Muthemba e Milagre Mabote, em verdadeiros centros histórico-turísticos.

NOT – tratando-se de um distrito novo, que condições estão criadas para o seu funcionamento?

AJ– Temos vindo a trabalhar contando com as condições possíveis. A componente meios informáticos para o exercício das nossas actividades foi a que mais nos preocupou, mas este assunto já está a ficar ultrapassado com o processo da aquisição de mais equipamento, que ainda está em curso. Contudo, para o presente exercício económico estão previstos, do Orçamento Provincial, 20 milhões de meticais, que irão, dentre outras intervenções, para a componente infra-estruturas, com particular realce para o início da construção de instalações onde irá funcionar a sede do distrito na zona de 3 de Fevereiro, numa área de 700 hectares, que irá, igualmente, albergar todos os serviços administrativos do distrito.

VIRGÍLIO BAMBO

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