CONGREGAÇÕES religiosas baseadas na cidade de Maputo apelaram ontem às lideranças políticas do país a empenharem-se mais no diálogo para a manutenção da paz efectiva no país e restabelecimento da tranquilidade aos cidadãos.

Concentradas na Praça da Paz para celebrar os 25 anos do Acordo Geral de Paz (AGP), as igrejas congratularam o Presidente da República, Filipe Nyusi, e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, pelos passos que estão a ser dados em prol de um entendimento definitivo.

Carlos Matsinhe, bispo da Igreja Anglicana, disse que a data é uma oportunidade para os moçambicanos e os líderes políticos, em geral, reflectirem sobre a importância deste bem comum para a melhoria das suas condições de vida.

Para o clérigo, a questão da paz não deve ser vista apenas como uma preocupação dos políticos, mas de todos os cidadãos que se interessam com o bem-estar dos seus compatriotas, bem assim com a tranquilidade dos locais onde vivem.

O Sheik Aminudin Muhamad, do Conselho Islâmico, manifestou-se optimista com o desenrolar das negociações em curso para o alcance da paz definitiva, mas apelou aos moçambicanos a saberem esperar para que as coisas se resolvam “na altura certa”.

“A nossa paz não deve ser apenas o fim do conflito militar. É preciso que as pessoas se sintam tranquilas, em todas as circunstâncias e em todos os locais”, afirmou o Sheik Aminudin, acrescentando que neste momento é crucial que as diferenças sejam ultrapassadas.

O presidente do Conselho Cristão de Moçambique (CCM) e representante da Igreja do Nazareno, José Moiane, também apelou aos líderes políticos para intensificarem o seu trabalho na busca da paz efectiva para o país, de modo a que possa continuar a desenvolver.

Moiane defendeu que os políticos precisam alargar mais a base do diálogo, a fim de ganhar mais subsídios para concertarem as suas diferenças e, com facilidade, ultrapassar todos os pontos de discórdia.

“As igrejas são alguns dos locais da sociedade onde se podem encontrar apoio para acalmar qualquer tipo de situação, e os nossos líderes políticos devem continuar com a sua postura de busca de apoio, quando necessário”, afirmou o presidente do CCM.

O Governo fez-se representar, no local, pelo Ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Isac Chande, que destacou a importância desta iniciativa religiosa na garantia do bem-estar do país. 

A cerimónia da Praça da Paz contou com a presença de duas figuras de destaque neste processo. Trata-se dos dois antigos presidentes Joaquim Chissano e Armando Guebuza, respectivamente signatário e negociador-chefe do Acordo Geral de Paz por parte do Governo moçambicano.

Falando sobre a actual situação política, Armando Guebuza reiterou que o país precisa de paz efectiva, atribuindo mérito à atitude do Presidente da República, Filipe Nyusi, que se deslocou à Gorongosa para se encontrar com o líder da Renamo, Afonso Dhlakama.

O 25.º aniversário do Acordo Geral de Paz é celebrado num momento em que Moçambique assiste, desde Maio, a uma trégua por tempo indeterminado, na sequência dos contactos directos entre Nyusi e Dhlakama.

 

ALCIDES TAMELE

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