Abordar o futuro de Moçambique sem cenários de conflitos políticos ou militares é uma das principais recomendações da primeira cimeira sobre a paz e reconciliação nacional, terminada ontem na cidade da Beira, em Sofala.

A este propósito, a coordenadora da Plataforma da Paz e Reconciliação no Conselho das Religiões de Moçambique (COREM), Artemisa Franco, disse que se fala muito de paz no país, “mas precisamos de respostas para a questão sobre o que vai ser de nós sem conflitos, porque até aqui só estamos a gerir conflitos.”

Outro ponto a que Artemisa Franco se referiu como recomendação é a preparação de uma acção colectiva para que o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, saia das matas da Gorongosa porque, no entendimento dos participantes, enquanto ele estiver nas matas não haverá paz efectiva em Moçambique.

A questão veio ao de cima quando do debate sobre o tema “Visualizando o desenvolvimento social e económico futuro de Moçambique sem conflitos armados - A importância e mecanismos para a manutenção da paz efectiva e reconciliação nacional”, apresentado pelo Reitor da Universidade Politécnica, Narciso Matos, e pelo docente da Universidade Católica de Moçambique, Samuel Simango.

Tratou-se de um tema sobre o qual os ânimos chegaram a levantar-se na sala com os representantes das duas maiores formações políticas a trocarem algumas acusações entre si.

Ainda sobre esta matéria, a cimeira abordou a questão do desarmamento das mentes.

Sobre este tópico, o presidente da COREM, Sheik Aminudim, defendeu que “Deus não está a ouvir as nossas orações porque elas não partem dos nossos corações. As nossas orações têm de reflectir as nossas acções. Temos que estar focados naquilo que pedimos.”

Na ocasião, o Professor Narciso Matos fez algumas observações, por exemplo, que era preciso estabelecer um processo de educação para a paz e divulgar os conteúdos dos acordos até aqui assinados.

Outro ponto constante nos compromissos, segundo Artemisa Franco, parte do sentimento de que persiste a exclusão política, económica e social.

Sobre este aspecto, Narciso Matos falou da inclusão de todos na agenda nacional, na implementação dos planos e na partilha dos recursos. “Todos temos que ser iguais”, opinou.

O documento recomenda igualmente que se acabe com a “intolerância política entre os principais contendores no país, a Frelimo e a Renamo”, defendendo o diálogo como instrumento-chave para a paz e reconciliação.

“Temos que ter uma visão partilhada do que queremos. Se assim for, vamos deixar de ter medo da alternância. Desarmar as mentes e lutar por arrefecer as nossas almas. E o diálogo tem que ser permanente. Quando pensávamos que já estávamos em paz depois 20 anos voltamos a ter aquela situação de Muxúnguè”, recordou.

Ainda ontem estavam agendados três temas, “A importância e estratégias de comunicação social para a manutenção da paz efectiva e duradoira ”; “O papel e importância da mulher e criança na paz” e “A importância política da paz no desenvolvimento social e económico para atrair investimentos nacionais e estrangeiros para o país.”

A segunda cimeira do género está marcada para Janeiro de 2019, na província de Cabo Delgado.

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