Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reconhece que as políticas macroeconómicas adoptadas pelo Governo moçambicano produziram resultados positivos em 2017, com a moeda nacional, o Metical, a apreciar-se em relação ao dólar norte-americano.

O representante do FMI em Moçambique, Ari Aisen, acredita que as contas externas do país melhoraram devido à queda das importações e retomada das exportações, o que foi reforçado pelo aumento dos preços e da produção do carvão, do alumínio e de outros produtos tradicionais de exportação de Moçambique.

Falando numa palestra intitulada “conjuntura económica em Moçambique – para além das estatísticas e políticas económicas”, organizada pela Universidade Pedagógica (UP), Aisen disse que o Banco de Moçambique aproveitou esse “boom” melhor em 2017,

“de maneira apropriada e com muito êxito”, e reconstituiu o seu stock de reservas internacionais em mais de um milhão de dólares,que cobre mais de sete meses de importações, excluindo as relacionadas com os grandes projectos.

“Outra boa notícia foi a inflação que, depois de ter atingido o pico de 25 por cento ao ano, caiu para abaixo de quatro por cento ao ano, o que protege o poder de compra das famílias moçambicanas”, disse o representante do FMI em Moçambique.

Estas medidas vieram responder aos choques que aconteceram em simultâneo num curto espaço de tempo e no mesmo ano, isto em 2016, e que atingiram a economia moçambicana numa altura em que as políticas macroeconómicas não estavam desenhadas para lidar com situação do género.

O quadro complexo gerou a desvalorização do Metical, aumento da inflação, da dívida pública e desaceleração da actividade económica do país e, nos finais de 2016, Moçambique estava com uma crise de balança de pagamentos.

Diante desta situação, segundo o orador, o Governo decidiu responder aos choques, ajustando cenários de política macroeconómica a partir do último trimestre de 2016 com mais força e de forma apropriada.

“Naquele momento, o Banco de Moçambique ajustou as taxas de juro e de reservas obrigatórias, porque na altura havia muito metical e poucos dólares, o que estava fomentando uma forte depreciação da moeda”, afirmou.

Acrescentou ainda que a política fiscal também reagiu para colmatar o défice. Enquanto isso, a Autoridade Tributária trabalhou para manter em alta a arrecadação de impostos, já afectada pela desaceleração do crescimento económico.

No entanto, o crescimento económico não voltou aos níveis mais elevados que se observavam em anos anteriores, uma vez que o crescimento do PIB caiu de 6.6 em 2015 para cerca de 3.7 por cento em 2016 e 2017.

Entretanto, o Fundo Monetário Internacional (FMI) concorda com a opinião do Presidente da República, Filipe Nyusi, sobre a partilha de responsabilidades com os credores internacionais, relativamente às dívidas não declaradas.

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