Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

OS deputados da Frelimo consideram que as respostas dadas ontem pelo Governo à Assembleia da República reflectem os esforços em curso para melhorar as condições de vida da população. Entretanto, a Renamo e o MDM fizeram uma apreciação negativa às informações do Executivo, alegadamente porque elas não foram esclarecedoras.

A Frelimo solicitou esclarecimentos sobre a exploração do gás natural, combate à praga da lagarta de funil de milho, política de emprego, infra-estruturas e sobre a sinistralidade rodoviária.

As perguntas da bancada parlamentar da Renamo centraram-se nas áreas de infra-estruturas, saúde, abate clandestino de madeira, criminalidade e o elevado custo de vida. O MDM colocou perguntas sobre o pagamento das horas extras aos professores, cobranças no ensino primário, poluição ambiental na exploração de carvão mineral em Tete, dívidas ocultas e criminalidade.

Numa intervenção feita no debate, o deputado e membro da Comissão Permanente da Assembleia da República, Mateus Katupha, afirmou que as informações do Executivo foram esclarecedoras e conclusivas, referindo-se às realizações no âmbito da implementação do seu programa quinquenal.

Disse que em função das questões apresentadas por cada uma das bancadas, as respostas do Governo reflectiram sinais de crescimento do país, não obstante os factores adversos que atentam contra o desenvolvimento e a estabilidade social do país.

Sobre a exploração do gás natural na bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, Katupha afirmou que o Executivo apresentou prazos e a cronologia das actividades, bem como as possibilidades para a participação nacional na indústria de hidrocarbonetos.

Observou, porém, que o Governo continua com enormes desafios para a satisfação das necessidades dos moçambicanos. Nesta perspectiva, apelou ao maior empenho na resolução de preocupações, tais como a reabilitação de estradas no país.

Referiu-se, a título de exemplo, a alguns troços da Estrada Nacional Número Um (EN1) e outras vias secundárias, particularmente em Cabo Delgado, seu círculo eleitoral, para facilitar o acesso à ponte sobre o Rovuma, que liga o país à Tanzania.

Posicionamento idêntico foi manifestado pela deputada Isaura António Júlio, igualmente da bancada da Frelimo, que considerou as informações prestadas como sendo claras, precisas e o reflexo dos esforços empreendidos pelo Governo, visando a criação do bem-estar dos moçambicanos.

O deputado Mário Aly, da Renamo, afirmou que as informações não responderam a nenhuma das perguntas colocadas pela sua bancada, concretamente as relacionadas com as dívidas ocultas que, segundo disse, estão a sufocar os cidadãos moçambicanos e as alegadas cobranças ilícitas que ocorrem nas unidades sanitárias públicas do país, sobretudo nas maternidades e nos laboratórios.

Apontou os exemplos da maternidade do Hospital Central de Nampula onde, segundo referiu, as parturientes são sujeitas a pagar quantias até 500 meticais para serem atendidas e nos laboratórios até 100 meticais para a realização de exames médicos.

Por seu turno, o deputado Armando Artur, do MDM, também manifestou a insatisfação da sua bancada, afirmando que o Governo não foi convincente no esclarecimento da situação das dívidas ocultas.

“A questão que insistimos em colocar é quanto deve o Estado moçambicano aos seus credores e como pensa pagar essa dívida? E mais importante ainda, quanto significa isso na saúde financeira de cada moçambicano?”, disse.

Entretanto, o Governo regressa hoje ao Parlamento para responder às perguntas de insistência dos deputados.

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