Imprimir
Categoria: Política
Visualizações: 2870

A escolha do diálogo directo com a liderança da Renamo deve ser vista como uma estratégia pragmática para o alcance da paz e reconciliação entre os moçambicanos, e não como algum sinal de fraqueza ou de esquecimento de factos relevantes da história.

Esta explicação foi partilhada esta quinta-feira pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, ao seu homólogo ugandês, durante o jantar de gala oferecido por ocasião da visita oficial que Yoweri Museveni efectua a Moçambique.

Destacando que a opção não deve ser vista como sinal de cedência a qualquer custo, o Chefe do Estado disse que o diálogo é um método pragmático de abordagem dos problemas do país, uma solução, segundo ele, funcional para a construção de um futuro de prosperidade dos moçambicanos, numa perspectiva de profundo respeito pela vida humana.

“Neste diálogo lográmos importantes consensos através dos quais acabámos com as hostilidades militares…”, destacou o Presidente da República.

Acrescentou que já iniciou o processo de diálogo com a nova liderança da Renamo, na esperança de que se finalize, rapidamente, o pacote legal de descentralização, o que implicará uma revisão pontual da Constituição da República. Vamos, em simultâneo, finalizar os assuntos militares que comportam o desarmamento, desmobilização e reintegração de elementos armados da Renamo, processo que já possui bases suficientes para ser iniciado”, disse o Presidente Filipe Nyusi.

No seu discurso, o Chefe do Estado disse que, a nível da União Africana, os esforços empreendidos por Moçambique e Uganda demonstram o seu empenho e contributo na operacionalização da arquitectura de paz e segurança da organização, sobretudo no que diz respeito à estratégia africana de prevenção e combate a fenómenos como o crime transnacional, terrorismo e o extremismo violento.

Referiu-se, igualmente, ao papel que os dois países têm desempenhado como actores da integração económica do continente africano, principalmente nomeadamente através da implementação da Agenda 2063 da União Africana, e adesão à Zona de Comércio Livre.

“É nossa convicção que estamos no bom caminho rumo à prossecução do desenvolvimento e do bem-estar dos nossos dois povos e países.Acreditamos que inspirados nos exemplos e referências de tenacidade, heroicidade, patriotismo e sentido de Estado poderemos dar os passos que se impõem para tirar os nossos países do ciclo vicioso da pobreza e subdesenvolvimento que se tornam cada vez mais injustificáveis. Não precisamos de mudar de hemisfério, nem de fugir das nossas tradições culturais, que são as nossas grandes conquistas e com que nos orgulhamos, como pretexto de operar mudanças económicas”, disse Nyusi no seu discurso.