Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

A Ministra dos Negócios Estrangeiros da África do Sul disse que a detenção do antigo ministro das Finanças mocambicano Manuel Chang, não afecta as relações bilaterais, no dia em que o Presidente sul-africano se reuniu com o homólogo moçambicano.

"O Presidente da África do Sul é livre de ir e ver o seu homólogo em qualquer altura, não tem nada a ver com Hanekom nem com o ministro das Finanças moçambicano", disse a chefe da diplomacia sul-africana, referindo-se ao cidadão sul-africano Andre Hanekom e ao antigo governante Manuel Chang, detido em Joanesburgo no final de Dezembro.

“A Interpol e a África do Sul têm um protocolo, mediante o qual podem fazer-nos um pedido para deter um passageiro, que passe pelos nossos aeroportos, desde que nos adiantem uma razão”, disse a governante, acrescentando: "Se ficarmos satisfeitos com a razão, agimos, e foi isto que fizemos no caso do antigo ministro de Moçambique".

Segundo a Lusa, sobre o cidadão detido em Agosto por alegado envolvimento nos grupos terroristas, que operam na região norte de Moçambique, a governante sul-africana disse que o seu embaixador em Maputo “foi investigar e conseguiu interagir com Hanekom”.

A ministra respondia assim a notícias da imprensa sul-africana que dão conta de um problema diplomático entre os dois países devido à detenção de Manuel Chang, acusado pela Justiça norte-americana de ter recebido subornos no âmbito dos empréstimos ocultos de duas empresas públicas moçambicanas.

O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, viajou ontem para Maputo onde manteve conversações bilaterais com o seu homólogo, Filipe Nyusi.

Em comunicado divulgado ontem, a porta-voz da presidência sul-africana, Khusela Diko, disse que a visita de trabalho com o seu homólogo moçambicano visa “discutir questões bilaterais, regionais e globais de interesse comum” para os dois países.

“África do Sul e Moçambique desfrutam de excelentes relações económicas, políticas e culturais desde os tempos da luta contra o apartheid”, adianta a nota.

Segundo o comunicado, o Presidente Ramaphosa foi acompanhado pela ministra da Defesa, Nosiviwe Mapisa-Nqakula, pelo ministro da Polícia, Bheki Cele e pela ministra de Segurança do Estado, Dipuo Letsatsi-Duba.

A dívida oculta de Moçambique, no valor de 2.200 milhões de dólares, representa metade do custo total do país com as dívidas, apesar de valer menos de 20% do total em termos absolutos e está em investigação pelas autoridades norte-americanas, por suspeitas de corrupção, que levou à detenção do antigo ministro das Finanças de Moçambique.

Além do antigo ministro das Finanças moçambicano, a investigação que está a ser realizada pela justiça norte-americana levou à detenção de outros três antigos banqueiros do Credit Suisse, em Londres, e de um intermediário libanês da Privinvest, no aeroporto de Nova Iorque.

A 'dívida oculta' é a expressão utilizada para denominar os empréstimos feitos no princípio desta década a três empresas públicas: a Empresa Moçambicana de Atum (EMATUM), a Mozambique Asset Management (MAM) e a ProIndicus, três entidades tuteladas pelo Ministério da Defesa e que apresentaram projectos de segurança marítima, usando o Credit Suisse e o VTB como parceiros financeiros.

 

 

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O antigo número dois da Renamo, Raul Domingos, considera, em declarações à Lusa, que a organização deve apostar num novo líder capaz de assegurar a harmonia entre a ala política e militar do partido.

“O perfil ideal do futuro líder da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) tem que ser alguém capaz de trazer as duas alas: a política e militar”, afirmou Raul Domingos, ex-membro dirigente do partido.

Com um novo presidente capaz de promover a coabitação entre as alas política e militar, o partido estará em condições de manter o compromisso com a paz e a democracia no país, acrescentou Raul Domingos.

Por outro lado, o congresso electivo que começa hoje poderá marcar uma nova etapa na democracia interna, prosseguiu.

“Com um novo dirigente, cria-se um novo quadro no partido, em que o novo líder poderá ficar na direcção por um período não superior a 10 anos”, depois de o falecido líder, Afonso Dhlakama, ter permanecido no cargo por cerca de 40 anos, declarou Raúl Domingos.

A Renamo, prosseguiu, não voltará a ter um líder como Afonso Dhlakama, porque este tinha uma personalidade própria e as circunstâncias que moldaram o seu estilo de liderança transformaram-se.

“Jamais teremos um líder como Dhlakama, que esteve 40 anos na direcção do partido, vamos ter um processo dinâmico de sucessão e acredito que o futuro líder vai fazer no máximo dois mandatos, à semelhança do que acontece com o Presidente da República”, destacou.

O tipo de liderança que vai sair do congresso vai determinar o futuro da Renamo, porque o vencedor será, automaticamente, o candidato às eleições presidenciais deste ano e terá a missão de preparar o partido para participar nas eleições gerais.

Raul Domingos ocupou vários cargos de direcção na Renamo, desde os tempos da guerrilha, tendo sido expulso do partido devido a desentendimentos com Afonso Dhlakama, após as eleições gerais de 1999.

A Renamo realiza de 15 a 17 deste mês um congresso electivo para escolher o sucessor de Afonso Dhlakama, que morreu de doença a 03 de Maio do ano passado.

O congresso terá a participação de 700 delegados e 300 convidados e vai realizar-se no distrito da Gorongosa, província de Sofala.

Até ao momento, existem três candidatos prováveis: o irmão de Afonso Dhlakama e dirigente da ala militar, Elias Dhlakama, o coordenador interino Ossufo Momade e o actual secretário-geral Manuel Bissopo.

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O Instituto de Comunicação Social da África Austral (MISA) exigiu ontem a libertação do jornalista Amade Abubacar, capturado há nove dias pelas Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) quando estava em trabalho em Cabo Delgado, norte do país.

“O MISA exige que Amade Abubacar seja, imediatamente, restituído à liberdade e que lhe sejam repostos todos os seus direitos à luz da Constituição da República de Moçambique”, lê-se no comunicado daquela organização não-governamental (ONG) distribuído à imprensa.

O MISA iniciou diligências junto da polícia para dar assistência jurídica, mas sem sucesso, refere a nota.

“A informação obtida era de que não havia qualquer registo de um detido com o nome de Amade Abubacar em qualquer estabelecimento policial ou penitenciário da província de Cabo Delgado. A única informação era de que ele teria sido transportado para a sede do distrito de Mueda”, lê-se no comunicado.

O MISA soube que Amade Abubacar encontra-se "encarcerado num quartel militar", no distrito de Mueda, na província de Cabo Delgado.

Aquela organização recorda ainda que a detenção de civis em estabelecimentos militares é ilegal e viola princípios da Constituição moçambicana e tratados sobre liberdade de expressão e de imprensa.

Havendo qualquer infração de natureza criminal, Amade Abubacar devia ser entregue às autoridades policiais e julgado por um tribunal, acrescenta.

O prazo legal de apresentação ao juiz de instrução preparatória foi "largamente ultrapassado", no caso de ter cometido uma infração, concluiu.

Aquele jornalista, da Rádio e Televisão Comunitária Nacedje de Macomia, foi preso a 05 de Janeiro, numa paragem de autocarros, em Macomia, enquanto fotografava famílias, que fugiam da violência, que assola a província.

Em Dezembro de 2017, militares detiveram por dois dias o jornalista de Estácio Valoi, o investigador da Amnistia Internacional, David Matsinhe, e o seu motorista, Girafe Saide Tufane.

Em Junho de 2018, Pinde Dube, correspondente da estação televisiva privada sul-africana eNCA, foi também preso, em Cabo Delgado, quando fazia reportagens sobre ataques armados na região.

Vários distritos de Cabo Delgado têm sido assolados por uma onda de violência, que começou após um ataque armado a postos de polícia de Mocímboa da Praia, em Outubro de 2017.

Depois de Mocímboa da Praia, têm ocorrido dezenas de ataques, que se suspeita estarem relacionados com o mesmo tipo de grupo, sempre longe do asfalto.

Os ataques têm acontecido fora da zona de implantação de fábricas e outras infra-estruturas das empresas petrolíferas, que vão explorar gás natural, na península de Afungi, distrito de Palma, na região, e cujas obras avançam com normalidade.

Em finais do mês passado, o Ministério Público (MP) juntou mais cinco nomes à lista de cerca de 200 pessoas, que estão em julgamento, acusadas de estarem envolvidas nos ataques armados em Cabo Delgado.

 

 

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O secretário-geral da Renamo, Manuel Bissopo, diz que é candidato à presidência do partido, para defender os ideais deixados pelo falecido líder da organização, Afonso Dhlakama.

“Decidi avançar, porque sinto que tenho que defender os ideais do presidente Afonso Dhlakama, que são os interesses da maioria do povo moçambicano”, declarou Bissopo, em entrevista ao jornal Savana.

A Renamo, prosseguiu, precisa de um líder à altura dos sacrifícios, que devem ser consentidos em prol da democracia.

“Dhlakama foi um mártir, sacrificou a sua vida pela Renamo e pelo povo, também assumo esse compromisso”, frisou.

O secretário-geral do principal partido da oposição prometeu tornar a Renamo num partido forte, comunicativo e com quadros competentes, caso seja eleito.

“Sou produto da Renamo, tenho formação superior custeada pela Renamo, grande parte da minha vida está ligada às causas da Renamo e associado a isso, assumi, em 2012, o cargo de secretário-geral”, defendeu.

Manuel Bissopo desdramatizou o facto de ter perdido eleições autárquicas, primeiro no município de Dondo, e depois no município da Beira, ambos na província de Sofala, assinalando, que foram escrutínios realizados em contextos diferentes.

A Renamo realiza de 15 a 17 deste mês um congresso electivo para escolher o sucessor de Afonso Dhlakama, que morreu de doença a 03 de Maio do ano passado.

O congresso terá a participação de 700 delegados e 300 convidados e vai realizar-se na no distrito da Gorongosa, província de Sofala.

Além de Manuel Bissopo são candidatos já conhecidos Elias Dhlakama, irmão de Afonso Dhlakama, e Hermínio Morais, um antigo comandante da guerrilha da Renamo.

 

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A PRESIDENTE da Assembleia da República defende que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) deve promover a sua língua comum nos fóruns internacionais, para reafirmar a sua identidade e facilitar a comunicação. Leia mais

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