Director: Júlio Manjate   ||  Directora Adjunta: Delfina Mugabe

O Presidente da República, Filipe Nyusi, anunciou, em Roma, capital italiana, que pelo menos seis países já manifestaram a sua disposição de apoiar o processo de desmilitarização e desmobilização dos homens armados da Renamo, o maior partido da oposição em Moçambique.
Nyusi anunciou o facto em conferência de imprensa concedida sexta-feira a jornalistas moçambicanos e que marcou o término de uma visita oficial de dois dias ao Estado do Vaticano.
“Emiti convites a seis países, que já responderam favoravelmente para nos apoiarem com experts (especialistas) ”, disse Nyusi, acrescentando que o processo deve ser conduzido por pessoas com um forte domínio na matéria.

O Chefe do Estado vincou que o processo governativo é um processo que não deve ser conduzido na base de “esperteza, pois existem regras, e envolve muita ciência”.

“Eles (os países convidados) já aceitaram. Agora vão-se se juntar a nós”, disse, citado pela AIM.

Nyusi referiu que o desafio actual é encontrar um espaço para desenhar o projecto de desmilitarização, recolha das armas, sua destruição, sua condução e definição dos locais de concentração da força residual da Renamo.

Disse ainda que será necessário desenhar mecanismos para que as pessoas que entregarem as suas armas recuperem a sua vida normal.

Nyusi reconheceu que não será uma tarefa fácil, porque existem algumas pessoas que, para resolverem os problemas, preferem sacrificar as pessoas que estão no mato.

“Não vamos permitir que alguém sacrifique aquelas pessoas. Aquelas pessoas têm que ter vida como outras pessoas”, advertiu.

Segundo Nyusi, é ambição dos moçambicanos encerrar todo o pacote de desarmamento, desmobilização e reintegração dos homens armados da Renamo, o mais rápido possível.

Revelou que num dos encontros que manteve com o falecido líder da Renamo, Afonso Dhlakama, tê-lo-ia questionado sobre os problemas que estariam a levar a morte de pessoas em Moçambique. Como resposta, Dhlakama alegava injustiça no processo eleitoral e queria governar nas províncias onde tinha sido declarado vencedor.

Explicou a Dhlakama que a fórmula usada para as eleições não previa que cada candidato governasse nas províncias onde fosse declarado vencedor, pelo que havia a necessidade de se criarem novas regras de jogo.

As partes chegaram a um acordo sobre o assunto, tendo sido ultrapassado esse problema.

Por isso, disse Nyusi, resta apenas a desmilitarização, desmobilização e reintegração dos homens armados da Renamo para concluir o processo de paz.

Comments

O Partido Frelimo em Tete considera positivo o desempenho dos presidentes dos quatro municípios desta província no mandato prestes a terminar.

O primeiro-secretário provincial deste partido, Fernando Bemane, disse no final da reunião que decorreu na vila de Moatize, com o objectivo de avaliar a execução dos programas das autarquias, que “constatamos a vossa entrega abnegada durante os cinco anos do mandato, traduzido nas realizações que apreciamos positivamente, em benefício dos residentes das autarquias onde são presidentes”.

Os quatro municípios em referência são a cidade de Tete, vilas de Moatize e Ulónguè, no distrito de Angónia, e Nhamayabwe, em Mutarara, que estão a ser dirigidos pela Frelimo, mercê da sua vitória nas quartas eleições de 2013.

Celestino Checanhanza é o presidente do município da cidade de Tete, e  Carlos Portimão, da autarquia da vila de Moatize. Os municípios de Ulónguè e Nhamayabwe são governados por Armando Júlio e Alberto Amade, respectivamente.

Para o primeiro-secretário provincial, não há dúvidas do bom desempenho dos presidentes das quatro autarquias, que souberam transformar os manifestos eleitorais em programas exequíveis, o que concorreu significativamente para a melhoria das condições de vida dos munícipes.

“Reconhecemos os esforços que empreenderam, porque, apesar da crise financeira que afecta o mundo, o nosso país não é excepção, vocês deram o vosso máximo na criação de melhores condições dos munícipes”, sublinhou Fernando Bemane.

Aquele dirigente político na província de Tete apontou as vias de acesso, abastecimento de água e a iluminação pública como sendo as áreas que mais se destacaram, em termos de realizações.

Os presidentes dos Conselhos Municipais das vilas de Moatize e Nhamayabwe, respectivamente, Carlos Portimão e Alberto Amade poderão renovar os  respectivos mandatos, caso a Frelimo ganhe as quintas eleições autárquicas de 10 de Outubro próximo naquele territórios, porque eles são os cabeça-de-lista escolhidos durante as eleições internas deste partido político.

Para a cidade de Tete, a Frelimo elegeu como cabeça-de-lista César de Carvalho, que já foi edil durante dois mandatos, antes de Celestino Checanhanza. Enquanto isso, para a vila de Ulónguè este partido indicou como cabeça-de-lista Evaristo Fidélis, em substituição de Armando Júlio, que não conseguiu renovar, ao perder nas eleições internas, nas quais concorria para o terceiro mandato.

Comments

O PAPA Francisco poderá visitar Moçambique no próximo ano, na sequência de um convite formulado pelo Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, no encontro realizado a meio da manhã de ontem no Vaticano.

O Presidente Nyusi e o chefe da Igreja Católica reuniram-se a sós durante 30 minutos na biblioteca privada do religioso. No fim, trocaram presentes, como estava previsto. O do estadista moçambicano era um quadro retratando uma rapariga sentada num bloco de construção, encostada à parede da sua casa e escrevendo uma carta convidando o Papa para visitar o país.

Entretanto, à saída da sala do encontro e depois da foto de família e da apresentação dos membros da delegação moçambicana, o Chefe do Estado e o Papa Francisco quiseram partilhar a novidade.

Assim, o Presidente da República, bastante descontraído e no seu estilo humorístico, perguntou ao Papa se a comunicação social poderia anunciar o facto, ao que Francisco, conhecido pelo seu carácter aberto e moderado, respondeu que não perderia a oportunidade de visitar Moçambique, bastando até lá gozar de boa saúde.

A data e outros preparativos da visita do Papa Francisco ao país serão acertados por via de canais diplomáticos, mas já na conferência de imprensa que marcou o fim da visita ao Vaticano o Presidente Nyusi anunciou que o Governo vai doravante lançar-se ao trabalho para a visita do Papa.

O estadista moçambicano disse ter explicado ao Papa Francisco os esforços que têm sido realizados para a paz definitiva e reconciliação nacional, e ainda para o desenvolvimento do país.

O Papa Francisco, por seu turno, felicitou o Presidente pela paz que o país tem estado a viver e encorajou o que chamou de marcha corajosa para a pacificação do país.

No encontro com o Presidente, o Papa destacou o facto de o Presidente Nyusi estar a fazer uma governação proactiva, que não fica à espera que as soluções apareçam, mas que vá à busca delas, pois a prosperidade só acontece quando há trabalho.

O chefe da Igreja Católica encorajou igualmente a união entre os moçambicanos, que devem cultivar mais tolerância, diálogo e reconciliação, elementos que podem servir de base para a construção de uma sociedade sã.

Pediu, de acordo com o Presidente Nyusi, que se respeite no país a separação dos três poderes, nomeadamente o Executivo, Legislativo e Judiciário, e trabalhar-se mais para a educação para crianças, jovens e alívio do sofrimento dos idosos.

O Sumo Pontífice chamou a atenção para a convivência entre as religiões no país, tese igualmente defendida pelo estadista moçambicano. 

A Igreja Católica teve um papel importante no processo das negociações que conduziram ao fim da guerra em 4 de Outubro de 1992 e às primeiras eleições, dois anos depois, ou seja, em 1994.

Ainda ontem, o Chefe do Estado moçambicano visitou a Comunidade de Sant’Egídio, uma entidade que acolheu as negociações de paz. Aqui reuniu-se com Adrea Ricardi, fundador da comunidade, e foi oferecido um almoço em sua homenagem.

O Presidente reuniu-se ainda com a comunidade moçambicana residente na Itália.   

       LÁZARO MANHIÇA, em Roma

Comments

O COMBATE ao tráfico de menores é apontado pela sociedade civil como proposta primária para enriquecer o plano de auto-avaliação do Mecanismo Africano de Revisão de Pares (MARP), na componente de governação política e democrática.

A sociedade civil também propõe a valorização do idoso e criação de oportunidades para pessoas com deficiência.

As propostas foram apresentadas ontem, em Maputo, por diversas organizações da sociedade civil, numa audição inserida no âmbito da elaboração do relatório nacional de revisão do processo de governação, que deverá abranger outras áreas como governação empresarial e desenvolvimento económico e social.

Numa sessão orientada pelo professor José Jaime Macuane, responsável pela avaliação da componente de governação política e democracia, as organizações da sociedade civil referiram-se ainda à exclusão, bem como à necessidade de criação de oportunidades de trabalho para a mulher rural, limitação dos direitos humanos no acesso à educação, serviços públicos e emprego para pessoa com deficiência.

As uniões prematuras, desistência escolar da rapariga, prevalência de abortos e do HIV/SIDA também foram apontados como preocupações que devem estar reflectidas no documento.

No primeiro relatório do MARP, a avaliação centrou-se em questões como os direitos humanos das mulheres, crianças, pessoas com deficiência, avanços e retrocessos registados nas respostas às principais preocupações desta camada.

Na sua intervenção, o presidente do fórum nacional do MARP, o professor Lourenço do Rosário, disse que no intervalo entre o primeiro relatório, de 2009, a esta parte, o país registou grandes avanços na área da igualdade relativamente aos três grupos.

Acrescentou que, para a elaboração do próximo relatório, deve-se olhar com bastante atenção a assistência prestada a esta camada, pois pode concorrer para uma governação política e democrática saudável.

Lourenço do Rosário disse que Moçambique enfrenta o desafio de respeito pela opinião diferente, acreditando, no entanto, que o país estará no bom caminho rumo ao desenvolvimento que se almeja se se romper com a discussão de pessoas ao invés de ideias.

O segundo relatório de avaliação do país será apresentado próximo ano em Addis-Abeba, Etiópia, durante a cimeira da União Africana.

Comments

O Conselho Constitucional negou provimento ao recurso interposto pela Associação Juvenil para o Desenvolvimento de Moçambique, AJUDEM, como candidato para as eleições autárquicas de 10 de Outubro.

Desta candidatura, Samora Machel Júnior foi afastado como cabeça de lista desta organização, pela Comissão Nacional de Eleições, CNE, por motivo de desistência de parte dos integrantes da lista, e ainda por se ter constatado outras irregularidades no processo.

O Conselho Constitucional emitiu ontem o acórdão 9/CC/2018, de 13 de Setembro, através do qual apresenta argumentos para a decisão de rejeição do recurso interposto, pela AJUDEM, para as eleições autárquicas pela cidade de Maputo.

Mais detalhes nas próximas horas.

Comments
Template Settings

Color

For each color, the params below will give default values
Tomato Green Blue Cyan Dark_Red Dark_Blue

Body

Background Color
Text Color

Header

Background Color

Footer

Select menu
Google Font
Body Font-size
Body Font-family
Direction