O PRESIDENTE da República (PR), Filipe Nyusi, inicia hoje uma visita de trabalho de três dias à província de Sofala, a terceira do género desde que assumiu o cargo em 2015.

Para o efeito, o Chefe do Estado desembarca esta manhã no Aeroporto Internacional da Beira, de onde seguirá para o posto administrativo do Vundúzi, no distrito da Gorongosa.

Amanhã estará no posto administrativo de Galinha, no distrito de Muanza, e depois em Chibabava, para no sábado escalar o distrito do Búzi.

Esta será a primeira vez que Filipe Nyusi estará em qualquer destes quatro distritos na sua qualidade de Presidente da República. Nas anteriores deslocações, ele esteve em 2015 nos distritos da Beira, Nhamatanda, Chemba e Dondo, e em 2016 em Machanga, Marromeu, Caia e novamente Nhamatanda.

Em Março do corrente ano, o Presidente da República escalou apenas a cidade da Beira, onde inaugurou um centro de distribuição de água que aumentou a capacidade de reserva do precioso liquido nesta urbe.

A julgar pelos locais que irá escalar a partir de hoje, Gorongosa, Chibabava, Muanza e Búzi, com destaque para os primeiros três, esta deslocação do Chefe do Estado está carregada de muito simbolismono que se refere à necessidade de consolidação e preservação da paz no país.

Basta recordar, por exemplo, que Gorongosa é precisamente o local onde o líder da Renamo se encontra desde que abandonou a cidade da Beira em Outubro de 2015, o que equivale a dizer que foi a partir deste local que dirigiu as operações dos seus homens até à prevalecente trégua por tempo indeterminado que decretou.

Gorongosa representa mais ainda porque foi sempre a partir desta região do país que Afonso Dhlakama dirigiu todos os anteriores conflitos, a começar pela guerra dos 16 anos que terminou em 1992 com a assinatura do Acordo Geral de Paz.

Outro local profundamente marcado pelos últimos conflitos é o distrito de Chibabava, mais conhecido no mapa geopolítico nacional pelo posto administrativo de Muxúnguè, a partir do qual eram activadas as escoltas militares que garantiam a ligação entre o norte/centro e o sul do país.

Muxúnguè foi igualmente o local a partir do qual eram activadas as colunas que terminaram com a assinatura do acordo de cessação das hostilidades em Setembro de 2014.

Importa referir que é no distrito de Chibabava onde reside o régulo Mangunde, pai do líder da Renamo, Afonso Dhlakama.

Enquanto isso, o distrito de Muanza, a pouco mais de 100 quilómetros da cidade da Beira, por se situar num corredor, foi outra das regiões que sentiram de forma relativamente intensa os efeitos do mais recente conflito, chegando igualmente a ser activada uma escolta militar para garantir a segurança na ligação entre o sul/centro e o norte do país.

Visitas, inaugurações e interacção com a população

DE acordo com o programa a que tivemos acesso, a presente visita do Presidente da República deverá ser marcada pela interacção com a população, visitas e inaugurações de alguns empreendimentos de natureza social e económica.

Assim, no distrito da Gorongosa, precisamente no posto administrativo de Vundúzi, o Chefe do Estado vai inaugurar a linha de extensão de energia eléctrica e visitar uma exposição de produtos agrários.

Na vila-sede, Filipe Nyusi vai efectuar uma visita à Barragem de Nhandare, empreendimento que deverá começar a funcionar em Dezembro, com capacidade para fornecer água potável a cerca de 45 mil habitantes da vila municipal da Gorongosa.

Em Muanza, onde deverá cumprir a sua agenda apenas no posto administrativo de Galinha, Nyusi fará duas visitas: uma aos campos de plantação de eucaliptos e outra a tanques piscícolas.

Já no distrito de Chibabava, Nyusi vai inaugurar um sistema de abastecimento de água.

No Búzi, último ponto desta estadia em Sofala, o Presidente da República vai inteirar-se do funcionamento da estação de bombagem dos regadios locais, que já estão a contribuir para a superprodução de arroz naquela região do país.

Normalidade depois da trégua

COMO consequência da última trégua anunciada em Dezembro do ano passado por Afonso Dhlakama, depois dos entendimentos com o Presidente da República, a vida voltou à normalidade em Chibabava, Gorongosa e Muanza.

Assim, em Gorongosa, uma das zonas mais flageladas pelo conflito em alusão, numerosas escolas, postos de saúde e outras infra-estruturas socioeconómicas foram reactivadas.

Os dados oficiais indicam que pelo menos 4600 alunos de um total de 18 escolas de diversos níveis do Sistema Nacional de Educação (SNE), na província de Sofala, foram directamente afectados pela tensão militar que desde Fevereiro se vivia neste ponto do país.

Trata-se de escolas localizadas não só em Chibabava, Gorongosa e Muanza, mas também em Marínguè e Caia, facto que obrigou ao deslocamento de mais de 100 professores.

No entanto, a situação mais grave registou-se mesmo no distrito da Gorongosa, onde foram afectados cerca de três mil alunos.

Assim, com os entendimentos alcançados, milhares de crianças voltaram a estudar. Os centros de saúde reabriram. A produção agrícola foi retomada, e Gorongosa já está em vias de recuperar o seu estatuto de celeiro da província de Sofala.

Como dissemos, a primeira escala do Chefe do Estado do distrito da Gorongosa será o posto administrativo de Vundúzi, de que faz parte Satungira, onde Dhlakama também residiu até sair em Outubro de 2013 quando o local foi tomado pelas Forças de Defesa e Segurança (FDS).

Vundúzi foi igualmente um dos pontos fortemente afectados pela tensão político-militar, contudo, depois da tempestade veio a bonança.

A via rodoviária que liga a zona ao resto da província e do país está completamente reabilitada. Foi construído um outro troço de raiz, que parte do entroncamento da Estrada Nacional Número 1 ao quartel das FDS, em Nhamadjiua, o que já permite a fluidez das trocas comerciais entre a população camponesa da Gorongosa e as de outras regiões da província, em particular, e do país, em geral.

A linha de extensão de energia eléctrica que o PR vai inaugurar se estende até às zonas mais recônditas da Gorongosa, concretamente a Satungira e Nhamadjiua, e está a abrir uma nova página na história daquela região.  Por exemplo, as autoridades locais dizem que desde que a corrente eléctrica chegou à zona a população tem estado a manifestar a vontade de assinar contratos para aceder à luz artificial.

O director provincial de Energia e Recursos Minerais de Sofala, Gil de Carvalho, que recentemente efectuou uma visita de monitoria à região de Vundúzi, revelou a jornalistas que nesta primeira fase serão feitas 220 novas ligações.

Quanto ao distrito de Chibabava, a trégua já permite a comercialização da castanha de caju e do ananás de que a região é potencial produtora.

Chibabava voltou desta maneira a liderar a produção da castanha de caju na província de Sofala, uma cultura de rendimento que já está a abastecer igualmente, através do Porto da Beira, alguns países do continente asiático como China, Bangladesh, Índia e Singapura.   

Internamente, o distrito de Chibabava já fornece mudas de cajueiros aos distritos do Dondo e Marromeu, incluindo a província de Tete, num viveiro que envolve técnicos do sector e alguns sazonais recrutados localmente.

A circulação de pessoas e bens já está a ser feita com toda a regularidade.

Em Abril do corrente ano, a governadora Helena Taipo esteve de visita ao distrito de Chibabava, tendo chegado a Mangunde, onde se avistou com régulo Mangunde, pai de Afonso Dhlakama.

No encontro, Helena Taipo prometeu energia eléctrica a partir da missão local à povoação onde este chefe tradicional reside.

Prometeu também a reabilitação da estrada que parte da vila-sede de Chibabava à mesma povoação, num troço de 20 quilómetros, para comercialização de produtos agrícolas, por ser uma zona rica.

Da mandioca de Muanza ao arroz do Búzi

O OUTRO distrito que também sofreu directamente os efeitos do conflito foi o de Muanza, há pouco mais de 100 quilómetros da cidade da Beira.

Muanza foi atingido porque está situado ao longo da estrada que liga a cidade da Beira ao norte da província e por fazer fronteira com o distrito de Cheringoma, através do posto administrativo de Inhamitanga, uma das zonas de estacionamento dos homens armados da Renamo.

Devido aos ataques protagonizados por esses homens, Muanza viu a sua ligação com as restantes regiões do pais a ficar condicionada.

Foi nessa sequência que houve necessidade de activar-se uma escolta militar no troço entre Nhamapadza, em Maringue, e Caia, o que aconteceu a partir de Março de 2016.

Nessa altura, já eram reportados ataques constantes a viaturas e pessoas e mesmo aos comboios que faziam a ligação Beira-Moatize e vice-versa.

Nesta zona, o Chefe do Estado estará concretamente no Posto Administrativo de Galinha, há pouco mais de 50 quilómetros da vila-sede, uma região potencialmente rica na produção de mandioca e pescado.

É assim que a com a trégua, Muanza já pode procurar mercado para a sua mandioca.

A propósito de mandioca, recentemente, a governadora Helena Taipo prometeu enviar alguns jovens de Muanza para a província de Inhambane onde poderão adquirir outras experiências no processamento deste tubérculo.

Entretanto, entre os quatro distritos que o Chefe do Estado vai visitar, Búzi será o que menos se ressentiu deste conflito.

Aqui, o Presidente da República vai testemunhar as boas indicações que há no que se refere à agricultura pois nos últimos anos o distrito transformou-se no maior produtor local de arroz largamente em consequência de um projecto de irrigação em curso com financiamento do Banco Mundial.

Como contribuição desse projecto, também implantado em outras regiões das províncias de Manica e Zambézia, poderá reduzir substancialmente a importação deste cereal.

O arroz do Búzi, em particular, já tem colocação no mercado local e nacional, segundo deu a conhecer recentemente o representante do Banco Mundial neste projecto, Aniceto Bila.

Ainda no Búzi, a última etapa desta visita do Presidente da República à província de Sofala, um dos pontos a ser escalado será a localidade de Guara-Guara onde o Chefe do Estado vai orientar um comício.

Será também na vila sede do Búzi que o Presidente da República orientara a reunião de balanço desta visita numa sessão extraordinária do governo provincial alargada aos administradores distritais, presidentes dos conselhos municipais.

Depois volta à cidade da Beira de onde partira de regresso à capital do pais.

Eliseu Bento

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