O DISTRITO de Murrupula, na província de Nampula, está a implementar um programa de massificação de uso de tijolo queimado na construção de infra-estruturas, com destaque para habitações da população, escolas, unidades sanitárias e estabelecimentos comerciais, facto que se reflecte na mudança da vida do distrito.

Murrupula é um dos distritos do interior desta província, onde quando chove muitas casas de construção precária, incluindo escolas desabam, facilmente, deixando os proprietários e alunos ao relento.

A implementação do programa está a deixar satisfeitos os residentes, em particular os líderes comunitários, tendo em conta, segundo eles, que tal como acontece noutros distritos do país, Murrupula é propenso aos efeitos das mudanças climáticas.

“Antes da chegada do programa muitas casas caíam no tempo chuvoso, por vezes com chuva miúda. Agora isso não acontece, porque o tijolo queimado resiste às mudanças climáticas, e é por isso que a maioria da população está a aderir ao projecto, construindo casas melhoradas”, explicou Luís Jorge, residente na zona de Nacurare.

O nosso interlocutor acrescentou que a adesão ao programa por parte das comunidades tem a ver igualmente com o facto de as autoridades administrativas do distrito estarem a promover campanhas de mobilização e sensibilização das comunidades sobre a necessidade e importância de fabricarem e queimarem os tijolos antes do seu uso na construção das habitações.

Miguel Varera é residente de Murrupula e que diz se sentir feliz por ter conseguido construir a sua casa usando tijolo queimado. Disse que sempre que chegava a época chuvosa ficava apreensivo, pois não sabia o que iria acontecer com a sua habitação. No ano passado ele e sua família ficaram ao relento, como resultado das chuvas.

Ele salientou o facto de o programa de massificação do processo de fabrico e queima dos tijolos em Murrupula estar a deixar neste momento as comunidades do distrito sensibilizadas sobre os impactos negativos das mudanças climáticas, havendo necessidade de ficarem preparadas para eventuais ocorrências desastrosas.

Já o director do Serviço Distrital de Planeamento e Infra-estruturas em Murrupula, José Mutupi, disse estar animado com o nível de adesão ao programa por parte das comunidades, resultante, em parte, da boa colaboração dos líderes comunitários na divulgação das técnicas sustentáveis e resistentes, tal como o tijolo queimado.

Segundo a fonte, para o sucesso do projecto em todas as comunidades do distrito foram criados grupos de artesãos que estão a ensinar as técnicas de baixo custo de produção e queima dos tijolos. O entrevistado disse que fruto da execução do programa, Murupula já possui várias salas de aula, armazéns e outras infra-estruturas sociais e económicas construídas com base neste material.

Um dos exemplos são as escolas primárias e completas de Nacarare, no bairro do mesmo nome, e da localidade Nacopulo, onde existem neste momento mais de 10 mil tijolos queimados para ampliar as infra-estruturas.

“Dentro de dois a cinco anos o distrito de Murrupula será outro. Teremos uma evolução substancial em termos de casas construídas com este tipo de tijolo, num programa feito simultaneamente com a urbanização dos postos administrativos, onde temos demarcados muitos talhões para habitação”, salientou.

O administrador do distrito, Grisando M´pila, destacou a importância de que se reveste o uso do tijolo queimado na construção de infra-estruturas em Murrupula, daí que o seu executivo vai continuar a dar prioridade à mobilização e sensibilização das comunidades para aderirem, cada vez mais, a este programa.

 RUÍNAS INTERFEREM NA BOA IMAGEM DA VILA 

A IMAGEM da vila-sede do distrito está a ser fortemente manchada pela existência de ruínas constituídas por edifícios destruídos na altura da guerra dos 16 anos, como estabelecimentos comerciais de renome e residências.

 São edifícios em ruínas que foram abandonados durante o conflito armado mas, volvidos quase 20 anos, eles continuam visíveis na vila, o que interfere na boa imagem que se pretende.

Os residentes lamentam que tal situação se mantenha no centro da vila, não obstante o facto de os proprietários existirem. Era suposto os donos de tais edifícios fazerem algo para a sua reabilitação, mas não é o que está a acontecer.

“Não há, para já, qualquer projecto para a recuperação destas ruínas por parte do governo ou dos proprietários. Gostaria que um dia fossem reabilitadas ou removidas, porque, como vê, estão a tirar a estética da vila”, disse Zainabo Mirone, residente na zona.

António Mário, também residente da vila, afirmou estar apreensivo com a situação das ruínas, porque tem-se apercebido que os proprietários não possuem condições para a sua reabilitação, mas quando aparece alguém interessado eles cobram valores exorbitantes, o que acaba lhes desencorajando.

“São locais que albergam marginais e foram transformados em sanitários públicos, para além da acumulação do lixo que periga a saúde pública”, disse Mário.

O director do Serviço Distrital das Actividades Económicas de Murrupula, Ernesto Lopes, disse que o Governo local já se reuniu com os proprietários dos edifícios, a fim de auscultá-los sobre o estado de abandono destas infra-estruturas.

“Na verdade, temos que mudar o cenário. As pessoas não podem continuar a conviver com ruínas na nossa vila. Por isso, já fizemos editais para num prazo de 90 dias os proprietários dos edifícios que se encontram abandonados se pronunciarem. Queremos saber se ainda têm projectos de reabilitação dos imóveis”, disse.

O VAI E VEM DOS FUNCIONÁRIOS

 ALGUNS funcionários afectos aos sectores públicos no distrito de Murrupula continuam a viver na cidade de Nampula e a percorrer todos os dias cerca de 150 quilómetros para ir trabalhar.

A situação que inquieta as autoridades administrativas locais. É que mais de 80 por cento dos funcionários públicos que vivem em Nampula e trabalham em Murrupula usam o transporte semi-colectivo de passageiros, o que lhes expõe a situações de acidentes. Outros preferem associar para pagar o combustível em grupos de quatro ou cinco e usar a viatura de um deles.

O director das Actividades Económicas disse que, para além do percurso ser desgastante em termos físicos no posto de trabalho, o funcionário não tem bom desempenho, pois nem sempre consegue cumprir o horário laboral.

Aponta-se igualmente, segundo a nossa fonte, a questão financeira destes funcionários, pois os cálculos efectuados indicam que cada um gasta por semana mais de 800 meticais em transporte, situação que leva a que quando não têm dinheiro optem por faltar ao serviço.

“Temos situações de funcionários que adormecem em plena actividade, pois saem de casa muito cedo”, disse. 

A nossa fonte explicou que não é da responsabilidade do governo disponibilizar moradias para os funcionários públicos, mas mesmo assim já criou condições na zona de expansão habitacional da vila-sede distrital, onde existem talhões demarcados para eles construírem suas casas.

“Aparentemente não se mostram disponíveis em construir. Preferem residir na cidade de Nampula e trabalhar na vila de Murrupula, visto que até ao momento nenhum deles ocupou os terrenos que lhes foram disponibilizados”, lamentou.

O administrador distrital disse que por ter sido indicado recentemente para o distrito ainda está a inteirar-se do funcionamento das instituições locais, reunindo-se com os funcionários para perceber esta questão.

“Por exemplo, o professor tem que chegar à hora certa na sala de aula, porque só esta presença dele encoraja os alunos e garante o sucesso do processo de ensino e aprendizagem”, afirmou Grisando M´pila.

TURISMO “ADORMECIDO”

O DISTRITO de Murrupula possui boas condições naturais para ser um ponto de referência no desenvolvimento do turismo, porém, tais potencialidades não estão a ser exploradas, o que torna esta actividade inerte. Só para dar alguns exemplos, existem na região pinturas rupestres que se localizam em várias montanhas, com destaque para o monte Malodje, na localidade do posto administrativo de Gazuzo, que pode constituir um local de atracção turística.

As excelentes condições para a prática do campismo, concretamente na margem do rio Ligonha, o potencial faunístico no posto administrativo de Namilasse são dentre várias outras potencialidades que bem exploradas podem fazer galvanizar Murrupula e torná-lo destino turístico.

A nossa Reportagem, que há dias esteve naquele local, constatou que o posto administrativo de Chinga possui uma lagoa que dispõe de vários animais aquáticos, sobretudo crocodilos.

Porém, apesar de tudo isso, estas potencialidades turísticas ainda não estão a ser exploradas no sentido estimular esta actividade e desta forma se arrecadar receitas para o desenvolvimento social e económico da região.

O director do Serviço Distrital das Actividades Económicas reconhece a existência dessas potencialidades para a promoção do turismo na região, porém, diz que a falta de infra-estruturas, como pensões, hotéis e outros locais de acomodação, constitui o principal entrave da promoção do turismo em Murrupula.

O nosso entrevistado disse que o governo local está a envidar esforços no sentido de prover a região de infra-estruturas necessárias de acomodação dos turistas, para além de que já existem parceiros interessados em construir algumas casas de acomodação de turistas. 

Ele explicou que, por exemplo, na vila-sede distrital existe um projecto de construção de uma loja de conveniência, bem como de um condomínio, cujas obras vão arrancar brevemente, segundo garantias do proprietário dos empreendimentos.

“Murrupula tem o privilégio de se situar numa zona estratégica para o desenvolvimento do turismo. Fica próximo da capital provincial e ao longo da Estrada Nacional número Um. Por isso, não podemos continuar a desperdiçar estas oportunidades, no que concerne à promoção do turismo no nosso distrito”, disse. 

O BI DO DISTRITO

GEOGRAFICAMENTE, o distrito de Murrupula localiza-se a sudoeste da capital provincial de Nampula, sendo que a norte está o distrito de Nampula, a sul o de Gilé, na província da Zambézia, a este é limitado pelo distrito de Mogovolas e a oeste o de Ribáuè. Tem três postos administrativos, designadamente o de Murrupula-Sede, Chinga e de Nihessiue.

Com uma superfície estimada em 3100 quilómetros quadrados, o distrito de Murrupula tem uma posição privilegiada no contexto da sua localização geográfica, sendo atravessado pela EN1, asfaltada, o que lhe proporciona uma rápida ligação com outras regiões do país.

Mouzinho de Albuquerque

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