O ADMINISTRADOR do distrito de Caia, João Saize, considerou, há dias, em entrevista ao nosso Jornal, que nos últimos oito anos a região se transformou num verdadeiro corredor de desenvolvimento, com a entrada em funcionamento da Ponte Armando Guebuza, em Agosto de 2009.

Convidado a fazer uma avaliação do megaempreendimento construído sobre o rio Zambeze, entre as regiões de Caia, em Sofala, e Chimuara, na Zambezia, ligando o país através da Estrada Nacional Número Um (EN-1), Saize  afirmou que representa uma mais-valia, através, por exemplo, do transporte de passageiros para diferentes regiões do território nacional e não só.

Tal facilita sobremaneira a circulação de pessoas e bens e constitui um grande contributo ao crescimento da economia nacional.

Nas palavras do administrador, regista-se um intenso movimento nas duas margens do “Grande-Zambeze”, onde nasceram edifícios de alvenaria que substituíram as barracas construídas na base de material localmente disponível.

Já não se vem as longas filas de viaturas e pessoas que atravessavam o rio com recurso a barcaças frágeis, propensas a naufrágios. Os constantes ataques a pessoas por crocodilos durante a travessia também passaram pra história.

O governante acentuou que tais ganhos aliviam significativamente os índices de pobreza do distrito, através das trocas comerciais, além de, naturalmente, constituir um vector fundamental na consolidação da unidade nacional.

Segundo a ANE A ponte ainda está intacta

DADOS registados pela Administração Nacional de Estradas (ANE) indicam que até Agosto de 2008 o tráfego rodoviário entre Caia e Chimuara foi de 4.332 viaturas, contra 7.395 que passaram sobre aquela infra-estrutura somente no primeiro mês do seu pleno funcionamento.

Numa análise comparativa às estatísticas dos três meses após a inauguração da ponte, ou seja, Agosto, Setembro e Outubro de 2009, constata-se que o tráfego de viaturas ligeiras de carga foi o que mais contribuiu no aumento no trânsito de viaturas.

Assim, no período de Agosto e Outubro de 2008 transitaram sobre a ponte do rio Zambeze 5.199 viaturas ligeiras de carga, contra 10.333 em igual período de 2009, o que se traduz num aumento de quase 100 por cento, sendo que a maioria destas viaturas é do tipo cabine dupla.

Entretanto, o movimento de camiões-cavalo com plataforma e viaturas pesadas sem atrelado aumentou na mesma proporção, ou seja, 46 por cento.

Com relação ao movimento de camiões-cavalo com plataforma, o número aumentou de 3.471, entre Agosto e Outubro de 2008, para 4.918 em igual período de 2009, o que se traduz num aumento em cerca de 46 por cento.

Enquanto isso, o movimento de viaturas pesadas sem atrelado aumentou de 2.673, em 2008, para 3.913, em 2009, o que corresponde a um incremento em 46 por cento. O número de viaturas de passageiros subiu de 877, em 2008, para 1.444, em 2009, o equivalente a um aumento de 65 por cento.

No entanto, os mesmos dados não reflectem a contribuição dos países vizinhos como a Zâmbia, Malawi e RDCongo, dado que esta ponte é também usada por viaturas provenientes destas regiões do sub-continente.

As taxas para a travessia da ponte variam entre 80, 100, 400 e 800,00 meticais e destinam-se apenas à sua manutenção, pois a maior parte do financiamento foi um donativo dos parceiros de cooperação de Moçambique.

Não obstante o intenso tráfego, fisicamente, a Ponte Armando Guebuza ainda está intacta, beneficiando permanentemente de manutenção com fundos desembolsados anualmente pelo Estado na ordem de três milhões de meticais.

O contrato de manutenção inclui reparações contra a erosão, limpeza da própria ponte e substituição de respectivos acessórios, existindo ainda outro contrato assinado com a Empresa Pública Electricidade de Moçambique (EDM), e gerido pela ANE, na Zambézia, que consiste na iluminação, para permitir uma perfeita circulação de pessoas e bens.

De recordar que pouco tempo depois da sua inauguração, o empreendimento foi alvo de sabotagem, com a retirada de alguns reflectores, o que levou à mobilização de um contingente policial para evitar novas situações dessa natureza.

“Hoje a infra-estrutura está bem, mesmo em termos estruturais não tem qualquer problema. Houve, de facto, essa situação de vandalização e no contrato de manutenção prevê-se também a substituição de acessórios. Então, o que o empreiteiro faz é a substituição daqueles acessórios, uma vez que existe provisão orçamental para o efeito”, indicou uma fonte da ANE em Sofala.

A ponte foi construída durante três anos e custou 65 milhões e 850 mil euros e é uma das obras de engenharia mais relevantes realizadas em Moçambique e em todo o continente africano.

Tem 16 metros de largura, com duas faixas de rodagem que permitem a circulação de veículos nos dois sentidos, duas bermas para estacionamento das máquinas em caso de avarias e a circulação de motociclos e ciclistas, para além de dois passeios para peões.

As distâncias entre os pilares da ponte principal atingem os 135,5 metros, assim dimensionados para permitir a navegabilidade do rio Zambeze.

Os vãos na ponte de aproximação estão distanciados entre si por 56 metros, o que permite uma segura circulação de viaturas mesmo em caso de inundações.

A estrutura da ponte em betão armado tem 2.376 metros e o conjunto de toda a infra-estrutura, entre Caia e Chimuara, atinge os cerca de 4.9 km, sendo que o tráfego que permite a ligação entre o norte e sul de Moçambique está a registar quase uma duplicação do movimento de viaturas comparativamente à fase quando se usavam batelões para a travessia do Zambeze.

Trata-se da maior obra de engenharia civil construída em Moçambique após a independência nacional, que resultou de um investimento da União Europeia, Japão, Itália, Suécia e Governo de Moçambique.

Linha de Sena duplica transporte de passageiros

O TRANSPORTE de passageiros ao longo da Linha de Sena, que liga a cidade portuária da Beira, em Sofala, à vila carbonífera de Moatize, em Tete, incluindo ramal Nhamitanga-Marromeu, numa extensão total de 545 km, duplicou nos últimos tempos.

Dados tornados públicos recentemente na Beira, durante a nona sessão do Governo, orientada pela governadora Maria Helena Taipo, indicam que foram transportados naquela via, até Julho passado, mais de 83 milhões de passageiros, de uma meta prevista este ano em 139.4 milhões, representando um cumprimento das metas na ordem de 59.7 por cento.

O porta-voz do Governo, que é igualmente director dos Transportes e Comunicações, Hélcio Canda, referiu que o maior volume no transporte de passageiros na Linha de Sena deveu-se ao aumento do número das carruagens, nomeadamente 13 de 3.ª classe para 150 lugares cada, uma de 2.ª para 40 passageiros e igual número da 1.ª classe para transportar 26 pessoas.

Na globalidade, cada comboio de passageiros formado com 15 carruagens tem capacidade de transportar 2.016 pessoas, o que representa uma mais-valia no Baixo-Zambeze, pelo facto de o comboio constituir uma alternativa, devido à acentuada degradação das estradas, que apenas permitem a circulação de carrinhas de caixa aberta e camiões.

Tal constitui um crescimento quando comparado com 2015, em que do plano de 155.8 milhões de passageiros, foram transportados 86 milhões por km, o equivalente a 81.8 por cento.

O facto acontece numa altura em que os CFM-Centro introduziram, nos finais de Setembro passado, duas novas paragens no transporte de passageiros na Linha Sena, concretamente na povoação de Checha, no distrito de Caia, e Chinapamimba, em Muanza.

Coincidentemente, também entrou em vigor um novo horário no transporte de passageiros, com o comboio de passageiros a partir da Beira, uma decisão que visa responder às inquietações das comunidades, apresentadas ainda este ano ao Chefe do Estado, Filipe Nyusi, durante a sua última visita de trabalho ao distrito de Muanza, em Sofala.

Fome ameaça Chemba Marromeu e Machanga

AS autoridades administrativas de Sofala acabam de anunciar que 36.008 pessoas poderão enfrentar uma situação de fome de Outubro corrente até Março do próximo ano nos distritos de Chemba, Marromeu e Machanga, devido à escassez de chuvas naquelas regiões, durante a última campanha agrária 2016-2017.

O porta-voz do Governo naquela província, Hélcio Canda, precisou que para cobrir tal défice alimentar serão necessárias 9.522 toneladas de diversos produtos em Chemba, 10.743 toneladas em Marromeu e 1.338 em Machanga.

Comparativamente ao ano passado, tal índice regista uma redução do nível de insegurança alimentar em três por cento, pois nessa altura afectou 43.263 pessoas.

Contudo, Sofala ainda conta em algumas regiões com excedentes de cereais, como 49.586 toneladas na Gorongosa, 44.370 em Nhamatanda e 148.777 toneladas no distrito do Búzi.

O facto acontece numa altura em que foram já comercializadas 337.141 toneladas de cereais, raízes e tubérculos, destacando-se milho, mapira, mandioca e batata.

HORÁCIO JOÃO

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