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Rosa Tembe

Há cada vez mais mulheres a procurar os serviços de parto nas maternidades dos hospitais da cidade de Maputo, o que se traduz na redução de mortes maternas e de bebés nesta parcela do país.

No ano passado, a capital do país registou 36.621 partos institucionais contra cerca de 29.451 em  2016, o que representa uma evolução em 18 por cento, no que diz respeito à adesão às unidades sanitárias para a realização de parto.

Apesar desta subida, o sector da Saúde ao nível da cidade de Maputo continua preocupado, pois há ainda uma grande franja de mulheres (estimada em três por cento) que dão parto fora da maternidade, colocando em risco as suas vidas e dos bebés.

A Reportagem do Notícias ficou a saber que, no ano passado, 126 mulheres deram parto fora da unidade sanitária, algumas em casa e outras a caminho do hospital.

“As nossas mães esperam sentir dores para se dirigirem ao hospital. É importante controlar a ficha pré-natal, porque lá está registada a provável data do parto, o que pode permitir a gestante decidir ir um dia antes (à maternidade). Nalguns casos, sentem dores à noite e ficam à espera de alguém que as possa acompanhar ou autorizar a ir à unidade sanitária. Este processo dura muito tempo, culminando com o parto em casa ou a caminho dom hospital”, disse Alice de Abreu, directora da Saúde da cidade de Maputo.

A capital do país conta actualmente com 35 unidades sanitárias públicas, 16 maternidades públicas, sete nas unidades médicas privadas e quatro blocos operatórios. Para Alice de Abreu, este número consegue dar resposta à demanda.

Vida da mãe e do bebé

Dar parto na maternidade passou a ser crucial para salvaguardar a vida da mãe e do bebé. Rosa Tembe, de 29 anos de idade, é exemplo disso. Foi por ter ido à unidade sanitária que salvou a sua vida e a do filho, pois logo que chegou ao hospital foi submetida a uma cesariana de emergência. 

“Tive dores ainda em casa e cheguei a pensar que teria um parto normal, mas quando cheguei ao  hospital os médicos disseram que seria um parto à cesariana. As dores eram tão fortes, de tal forma que pensei que o bebé ia nascer ainda em casa, mas lembrei-me que fazer isso poderia colocar em causa a minha vida e a do bebé. Graças a Deus, a cirurgia foi um sucesso e agora só fiquei com tonturas, mas isso passa”, contou a jovem mãe.

Ela afirmou que teve melhores cuidados por parte da equipa médica, que incluíram a ecografia, entre outros procedimentos.

Esta opinião é corroborada por Aventina Samuel, mãe pela primeira vez e que também teve à cesariana. “É melhor e seguro ter bebé na maternidade, porque a parturiente é tratada por uma equipa médica qualificada. No bairro, as pessoas só sabem que a criança deve sair, mas desconhecem os procedimentos a seguir”, disse Aventina Samuel.

Maternidade-modelo ajuda a reduzir mortes

O número de mortes maternas tem reduzido nos últimos tempos, em resultado de consultas pré-natais e de partos institucionais, entre outros serviços oferecidos nas unidades sanitárias.

Dados do sector apontam que em 2017 a cidade de Maputo registou 59 mortes maternas em 36.195 nados vivos, contra 61 mortes em 40.265 nados vivos ano passado.

Outro factor que tem contribuído para a redução de mortes nestas circunstâncias, segundo Alice de Abreu, tem a ver com a introdução da iniciativa maternidade-modelo. Esta permite que a mulher grávida tenha uma acompanhante que pode ser sogra, irmã, amiga ou outra mulher que inspire confiança e transmita segurança no momento do parto à gestante.

Alice de Abreu referiu que neste momento o MISAU está a criar condições de privacidade denominado “bloco” ou simplesmente “caixinha”, onde tem uma cama para a mãe e um espaço para acompanhante.

Contudo, ainda há vários desafios para garantir que todas as mulheres grávidas aproveitem esta oportunidade. Mulheres entrevistadas pelo “Notícias” disseram ter conhecimento deste serviço, mas que não fazem o seu uso por falta de disponibilidade da acompanhante. 

Leonor Raimundo, mãe de três filhas, conta que nunca teve ninguém para acompanhá-la, porque todos se encontravam a trabalhar.

“Sempre vou ao hospital sozinha, porque todos os membros da minha família andam ocupados. É triste não ter alguém ao lado para participar neste momento especial”, diz Leonor.

Uma gestante que pediu anonimato disse à equipa da Reportagem do Notícias que não teve acompanhamento, porque não queria reter a mãe no hospital e impedi-la de cumprir a sua agenda.

“A minha mãe tem muito trabalho em casa e na machamba, e fiquei três dias no hospital. Se tivesse pedido para me acompanhar, ela não teria cumprido com os seus afazeres”, disse.

Nilza Ricardo teve outra sorte, pois contou com a companhia da irmã na sala de espera para o parto. Todavia, quando a hora chegou, os médicos dispensaram a sua presença, uma vez que decidiram por um parto à cesariana.

“Eu queria que ela estivesse comigo, porque me oferece segurança e paz, reduzindo assim o medo que sinto antes do parto. Mas se permitissem a entrada de homens, teria levado o meu companheiro”, disse Nilza Ricardo, com risos.

“Parteira” por acidente

“Quando tinha 15 anos de idade, a minha mãe começou a sentir dores de parto, chamou-me e disse-me para ajudar a dar parto. Ela ajoelhou-se e instruiu-me para encostar o meu joelho na cintura dela e puxar os ombros para o sentido contrário e, logo de seguida, o bebé saiu”, lembra-se Belarmina Cândido, de 58 anos de idade.

Esta mulher conta que foi uma experiência ímpar, que viria a repetir-se recentemente, quando, juntamente com três vizinhas, ajudou a realizar o parto de uma outra mulher.

O seu papel era ajudar a empurrar a criança, tocando na barriga da mãe, enquanto uma outra cortava o cordão umbilical com recurso a uma lâmina.

“Eu não sou parteira, mas quando as circunstâncias assim o exigem, acabo por dar uma mão”, disse.

Belarmina Cândida é mãe de quatro filhos, cujos partos tiveram lugar na maternidade.

Ignorância leva ao parto em casa

Durante o trabalho de reportagem, a equipa do “Notícias” interpelou uma cidadã, que preferiu não se identificar, que deu à luz a um bebé, à entrada de uma casa vizinha.

Ela conta que começou a sentir dores de parto logo às primeiras horas da manhã e chamou as vizinhas que ajudaram-na a cortar o cordão umbilical com uma lâmina e cobriram a criança com uma capulana.

Não sabia nada sobre o assunto, tanto é que, quando sentiu as dores de parto, pensou que se tratava de uma situação passageira.

Lembra-se que, uma vez no hospital, para onde foi transportada com o apoio das vizinhas, teve todos os cuidados, mas que tempos depois, a criança, de sexo feminino, começou a apresentar alguns problemas de saúde, incluindo o fraco crescimento. Segundo ela, os médicos não conseguem até hoje diagnosticar a doença que apoquenta a criança, agora com sete anos de idade e a frequentar a segunda classe.

Riscos fora da maternidade

Arlete Mariano, médica obstétrica, afirma que quando uma mulher dá parto fora da maternidade corre sérios riscos, que podem levar à morte da parturiente e do bebé.

“É perigoso dar à luz fora do hospital, porque pode haver complicações durante o parto, como a rotura do útero, ferimentos, infecções devido aos utensílios usados que não foram esterilizados”, alertou Arlete Mariano.

A fonte acrescenta que os cuidados começam no período pré-natal, logo que a mulher se apercebe que está grávida.

“Após o trabalho de parto, é importante que a mãe coloque a criança no seu colo, exercendo contacto com o recém-nascido. Esta prática é melhor, primeiro porque alimenta o bebé, segundo porque transmite calor e amor da mãe”, disse.

Acrescentou ainda que o método é importante, porque quando a mãe põe o bebé no colo provoca a contracção do útero, efeito que diminui a ocorrência de hemorragias, que constituem a principal causa da morte entre as mulheres.

 

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