DEPOIS de uma seca severa caracterizada por uma grave escassez de chuvas ao longo dos últimos três anos, o distrito de Chigubo, em Gaza, reergue-se de forma determinada para o relançamento da actividade agro-pecuária e da vida quotidiana.

Há sinais evidentes de confiança e de esperança por parte dos camponeses, que tudo têm feito para tirar vantagens das chuvas que têm estado a cair com alguma regularidade desde Janeiro.

 Por seu turno, as autoridades governamentais, contando com a contribuição multiforme de vários parceiros, estão em permanente sintonia com os produtores, numa perspectiva de tudo fazer para que a segunda temporada agrícola seja bem-sucedida, depois do descalabro registado na primeira época da presente safra.

Os camponeses reconhecem que, por força das adversidades impostas pela seca, foram obrigados a viver durante muito tempo de mão estendida, porque a situação foi de dimensões catastróficas.

O pior não aconteceu, segundo o administrador distrital, Benedito Buzi, porque o Governo, com ajuda de organizações como o Programa Mundial de Alimentação (PMA), a COSACA, um consórcio constituído por 4 organizações, nomeadamente a Concern, a Care, Oxafamm e Save The Children, entre outras, e ainda de gente de boa vontade, desenvolveram acções de mitigação, que ajudaram a minimizar os efeitos da estiagem.

Alguns produtores da região manifestaram a sua satisfação por poderem finalmente viver com base no seu trabalho e estarem já a colher os primeiros resultados, depois da queda das chuvas, sendo disso resultado o milho verde, feijões e sobretudo a melancia, que alimentam a população de Chigubo.

“Não podemos declarar que a fome já acabou em Chigubo, porque as culturas, na sua maioria, estão apenas a um nível vegetativo de certo modo avançado. Continuamos esperançados ainda numa melhor prestação na produção de hortícolas, mas o que pode ser visto por todos em campo nos deixa animados, sobretudo mais encorajados”, disse Gina Utui.

Por seu turno, Alexandre Matusse, produtor em Dindiza, disse à nossa Reportagem que depois do sofrimento imposto pela seca, a chuva é bem-vinda, mas que o seu sonho é de ampliar a actual área de pouco mais de três hectares, de forma a tirar proveito da disponibilidade de terra ali existente.

Contudo, para que esse sonho se materialize, gostaria de receber apoio para a aquisição de um tractor, porquanto actualmente vem trabalhando com recurso à tracção animal.

GOVERNO EXPECTANTE

bordado pela nossa Reportagem, Benedito Buzi, Administrador de Chigubo, começou por caracterizar o cenário vivido ao longo dos últimos três anos, como sendo uma verdadeira travessia do deserto, pois segundo ele, a seca prolongada que se fez sentir desde 2015 a esta parte, já estava inclusivamente a criar nas comunidades, uma situação de desconfiança, com algumas pessoas a tentarem apontar possíveis bodes expiatórios que, na sua óptica, estariam por detrás daquele fenómeno natural.

Buzi disse que preces aos espíritos para clamar pela chuva e rezas pelo restabelecimento da paz serviram igualmente de argumento para as populações implorarem às forças sobrenaturais para o fim daquela dramática situação.

"Foi necessário, levarmos a mensagem, segundo a qual as pessoas deviam viver em harmonia, e se unirem, para fazer face a crise provocada pela seca prolongada, e explicar por outro lado, o cuidado que deve ser observado por todos na preservação do meio ambiente, abstendo-se de recorrer às queimadas descontroladas, devastação de florestas, entre outros males. Foi assim que ao longo desse momento difícil nos posicionamos durante a nossa passagem pelas mais de 50 comunidades de Chigubo, “disse o administrador.

A nossa fonte reconhece que a situação foi difícil no quotidiano das populações, com particular realce para a aguda escassez de água, para consumo humano e para o abeberamento do gado, nalguns casos, estas eram obrigadas a percorrer distâncias superiores a 100 quilómetros para terem acesso àquele líquido vital.

" O Governo teve que enveredar de imediato pela busca de parcerias, que acabariam por resultar na abertura de uma quantidade considerável de sistemas de abastecimento de água multifuncionais, isto é, que servem não só para o fornecimento de água para consumo humano, como para o gado e para a rega de campos agrícolas de pequenas dimensão ", afirmou a nossa fonte

Com efeito, os resultados não tardaram a surgir, explica a nossa fonte, e em 2016, a região de Ndlovo, começou a dar os primeiros sinais produzindo hortícolas com base nessa iniciativa, uma experiência aliás, que acabaria sendo replicada noutros pontos, com particular destaque para Dindiza, sede do distrito.

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