A PROVÍNCIA de Manica prevê exportar, a partir do próximo ano, mel para Suíça, conforme deu a conhecer há dias ao nosso jornal Simone Gumbo, gestor do projecto OYE, que está a implementar iniciativas promotoras de empreendedorismo juvenil em oito distritos das províncias de Manica, Sofala e Zambézia.

A exportação, de acordo com a fonte, vai ser feita pela Mozambique Hany Campany, uma empresa vocacionada ao fomento, comercialização e exportação de mel, que opera na província de Manica e que, neste momento, ao nível nacional fornece este produto aos grandes supermercados.

No entanto, Simone Gumbo não precisou as quantidades a serem exportadas mas assegurou que, para o presente ano, está prevista uma produção de 40 toneladas de mel. Destas quantidades, metade é fruto do trabalho dos apicultores capacitados pelo projecto OYE e a outra parte das comunidades dos oito distritos das três províncias abrangidas pelo programa.

Até ao momento, de acordo com a fonte, o projecto OYE capacitou 1607 apicultores que foram munidos de colmeias modernaspara potenciar a produção de mel nos distritos de Sussundenga e Macossa, na província de Manica, e Caia a Maríngue, em Sofala.

Os jovens foram capacitados em apicultura e fabrico de colmeias modernas, no quadro de um projecto denominado “Oportunidade de Emprego para Jovens do Corredor da Beira (OYE), que está a ser desenvolvido pela  Organização Holandesa para o Desenvolvimento (SNV), em parceria com a Fundação Micaia e ADPP.

Constitui perspectiva da organização formar 1900 apicultores líderes e profissionais que, para além da produção do mel, serão dotados de capacidades técnicas para o fabrico e réplica das respectivas colmeias modernas, contribuindo, desta forma, para a melhoria da qualidade e quantidade do próprio mel, que deverá ser vendido, numa primeira fase, no mercado nacional antes também de ser exportado para os países da região.

A multiplicação das colmeias, de acordo com Simone Gumbo, destina-se a potenciar a produção de mel em quantidade e qualidade para o consumo e comercialização no mercado local, através da empresa Mozambique Hany Company, no âmbito das iniciativas da SNV de promover o empreendedorismo juvenil, através de financiamento de projectos agrários, apícolas e de exploração dos recursos florestais não madeireiros, que incluem a colheita de mel e malambe.

Dados disponibilizados pelo supervisor técnico da componente do mel no projecto OYE, Chico Júlio Fagema, indicam ser previsão global atingir uma produção de 50 toneladas, apenas no distrito de Macossa, cabendo também 12 toneladas ao distrito de Caia, um dos distritos da província de Sofala onde a actividade afigura-se promissora nos últimos dias.

Na província de Manica, Sussundenga lidera a produção do mel, segundo Fagema, sendo ali onde está registado o maior número de apicultores (951), seguido de Macossa com 465, Marínguè 102 e Caia, com 89.

Em Sussundenga, os postos administrativos de Dombe, Rotanda, Sussundenga-Sede e a localidade de Munhinga são os que registam maior número de apicultores, enquanto que em Marínguè e Caia, as povoações de Nhamacolomo, Nhadongo, Nhangalare, Djodjo, Saphanda, Fumo Titos,Nhamacherenga e Ndoro são potenciais.

Preservação do ambiente

Entre outros benefícios, Simone Gumbo revelou que a apicultura contribui para a conservação do ambiente por desencorajar as queimadas descontroladas e o abate indiscriminado e descontrolado de árvores, factores que, segundo ele, concorrem para a desflorestação. Por isso, será tarefa dos apicultores proteger os seus apiários reduzindo, desta forma, a incidência destes males ambientais sobre as florestas nacionais. 

Dados em nosso poder indicam que a província de Manica está na liderança na produção do mel, sendo já uma tradição, sobretudo no distrito de Sussundenga, onde estatísticas recordam terem sido atingidos mais de 95 toneladas no biénio 2012/2013, uma produção que, para além do mercado local, colmatou as necessidades regionais do centro do país.

No cômputo geral, de acordo com Simone Gumbo, a SNV, que desde de 2015 vem desenvolvendo o projecto OYE sob o slogan “O Sucesso Começa Comigo”, prevê capacitar até 2019, 7.500 jovens de ambos os sexos, sendo 2.250 dos quais mulheres, de idades compreendidas entre os 18 e os 30 anos, em diversos empreendimentos de geração de rendimento, emprego e auto-emprego, nos domínios da agricultura, apicultura e silvicultura.

A iniciativa, financiada pela União Europeia, que, para o efeito, desembolsou mais de dois milhões de euros, visa enquadrar mais de seis mil jovens em projectos agrários, beneficiando jovens de baixa renda fora da escola e sem emprego formal nos distritos de Sussundenga, Guro, Macossa e Báruè, na província de Manica, Marínguè e Caia, em Sofala, e Nicoadala e Namacurra, na província da Zambézia.

No rol das acções de assistência ao empreendedorismo juvenil na região centro, consta que a SNV projecta apoiar a criação de 100 novas microempresas lideradas por jovens, igual número de associações juvenis de vocação diversa e instalar salas de informática em cada um dos oito distritos das três províncias abrangidas, que poderão beneficiar 4.500 pessoas em termos de acesso à internet e às novas tecnologias de comunicação e informação.

VICTOR MACHIRICA

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