OS agricultores que trabalham no regadio de Chókwè, na província de Gaza, enfrentam dificuldades para a colocação dos seus produtos frescos no Mercado Grossista do Zimpeto, na cidade de Maputo, como resultado da falta de protecção da produção nacional por parte das entidades governamentais competentes.

Há dias, a nossa Reportagem trabalhou na região agrícola de Chókwè, onde constatou o grande esforço que vem sendo empreendido pelos agricultores locais no processo de produção, depois que enfrentaram um período da falta de água para a irrigação dos campos devido à sua indisponibilidade na barragem de Massingir.

Como resultado desse esforço, os campos estão repletos de produtos frescos, nomeadamente tomate, feijão manteiga, alface, entre outros que, entretanto, não encontram colocação, sobretudo no Mercado Grossista do Zimpeto. Segundo eles, as dificuldades residem no facto de não haver protecção da produção nacional, proliferando a produção sul-africana, que disso tira proveito.

Refira-se que, à semelhança do que aconteceu em Gaza, a região de Chókwè foi afectada ao longo dos últimos dois anos por uma seca severa.

Com as chuvas que caíram nos princípios do presente ano e do restabelecimento do fornecimento de água para a irrigação dos campos a partir da barragem de Massingir, os camponeses de Chókwè puseram mãos à obra e hoje os resultados desse esforço são bem visíveis, com belos campos verdejantes, prenhes de milho, feijão manteiga, batata-doce e hortícolas diversas.

No entanto, conforme constatamos no terreno, o esforço destes produtores não está a ser devidamente compensado devido a dificuldades de colocação da sua produção no mercado consumidor.

Jeremias Sitoe, presidente da Associação de Regentes do Canal Esquerdo no Chókwè, camponês que se dedica na produção de feijão manteiga como actividade principal, considera que algo deve ser feito para que os produtores locais não continuem a acumular prejuízos por não poderem comercializar os seus produtos com tranquilidade e segurança.

“Temos enormes dificuldades de acesso ao mercado porque nós não podemos ombrear com os colossos sul-africanos. Há que se proteger a nossa produção”, disse Jeremias Sitoe que, na ocasião, apontou para o facto de as entidades governamentais estarem a fazer insistentes apelos à população, sobretudo camponesa, a se dedicar à produção de alimentos de forma a se reduzir as importações.

“No entanto, apesar de respondermos positivamente a esses apelos, aumentando as áreas de produção e produtividade, não temos protecção das entidades governamentais”, lamentou o nosso interlocutor.

OPORTUNISTAS INTERFEREM NO PROCESSO

Em Macarretane encontramos o mesmo sentimento manifestado pela agricultora Elisa Moiane, que se referiu ainda ao oportunismo de que são vítimas os produtores agrícolas da região do regadio de Chókwè, protagonizado por alguns operadores e gente estranha que no Mercado Grossista do Zimpeto inflacionam os preços de produtos nacionais, com especial destaque para hortícolas, sob o olhar impávido e sereno de quem de direito.

Trata-se, segundo afirmou, de intermediários que se impuseram na cadeia de valor alegadamente para facilitar a venda.

“Há interferência deste grupo que, sem mexer palha ou fazer algum esforço, obriga os clientes que vão ao Mercado Grossista do Zimpeto a pagar acima de 50 Meticais por cada caixa de tomate. Isto é injusto e penaliza igualmente o consumidor”, disse Elisa Moiane, questionando sobre se “será que ninguém está interessado em parar com este tipo de especulação e oportunismo descarado”?

Trata-se de um problema crónico que se arrasta há bastante tempo e que exige uma solução urgente de forma a salvar a produção e o produtor nacional, conforme considerou o presidente da União dos Produtores do Limpopo, Atanásio Taelane.

Na ocasião, o nosso interlocutor lamentou o facto de, depois de um trabalho árduo e de elevados investimentos, os agricultores locais encontrarem muitas barreiras para a colocação dos seus produtos no mercado, sobretudo das impostas pela produção proveniente da África do Sul.

“A nossa responsabilidade, em princípio, seria de nos ocuparmos do trabalho do campo produzindo em qualidade exigida de forma a satisfazermos as necessidades dos consumidores. Felizmente, isso tem vindo a ser uma realidade como resultado da apropriação das novas tecnologias de produção”, disse o presidente.

Porém, de acordo com Atanásio Taelane, quando se fazem ao mercado deparam com a concorrência dos agricultores sul-africanos que, na sua opinião, só seriam apenas chamados a colocar a sua produção no mercado moçambicano em períodos de pouca oferta interna, “o que infelizmente não tem estado a acontecer”.

No entanto, conforme explicou, diligências já foram encetadas pela sua organização junto de quem de direito de forma a se encontrar uma solução para este crónico problema, que apenas desinibe os agricultores moçambicanos e fortalece os sul-africanos.

Para a nossa fonte, devia haver um mecanismo estabelecido pelas autoridades moçambicanas que determinasse a interrupção obrigatória de entrada de produtos frescos importados em períodos de maior oferta no país.

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