AS IMPORTAÇÕES da batata Reno, cebola, frangos, pintos e milho estão a ofuscar o mercado da produção nacional, impondo-se, por isso, que o governo adopte medidas e políticas fiscais que concorram para a redução da entrada daqueles produtos no país.

A medida foi defendida há dias por investidores nacionais e estrangeiros que operam na área agro-pecuária em Manica, os quais consideram que a província produz o suficiente em quantidade e qualidade para alimentar o mercado.

No entanto, conforme indicaram, a sua produção esbarra-se com o problema de mercado devido à concorrência imposta pelas importações, sobretudo sul-africanas, impondo-se, por isso, a adopção de medidas de forma a proteger a produção nacional e reduzir a disputa desleal.

Assim, os agricultores e criadores de Manica são de opinião de que seja importado apenas aquilo que o país ainda não produz o suficiente, pois, conforme anotaram, a prevalecer o actual cenário se estará perante uma contradição em que ao mesmo tempo que se mobiliza para o aumento da produção e produtividade, se incentivam as importações que tiram mercado e apetência dos consumidores pelos produtos nacionais.

Monty Hanter, proprietário da farma Montesco, vocacionada à produção de batata Reno, milho e cebola, numa área global irrigada e mecanizada de 42 hectares, na Serra Chôa, no distrito de Báruè, considera que o governo não protege a produção e os investimentos nacionais, anotando haver regiões do país que importam produtos de outros países quando os mesmos estão e demasia noutros mercados nacionais.

Como consequência disse haver registo de apodrecimento da sua batata e cebola por falta de mercado, numa altura em que há regiões do país necessitadas destes produtos, mas que, entretanto, preferem importar do que apostar nos produtos nacionais.

Hipótese de abandonar o negócio

Com efeito, vaticina a hipótese de desistir deste negócio e abraçar a cultura de macadamia, que considera ser viável, pois, não sofre qualquer concorrência e tem mercado garantido no contexto internacional.

Com 95 trabalhadores e um investimento de cerca de dois milhões de dólares norte-americanos, a Montesco comercializa os seus produtos em vários pontos das províncias de Manica e Tete, sendo um dos maiores fornecedores de batata Reno e cebola, mas que o mercado afigura-se cada vez mais confinado devido à concorrência desleal que lhe é imposta pelos produtos de género importados da África do Sul.

Com efeito, Hanter, tal como outros produtores, é de opinião que o governo agrave os impostos aduaneiros para que cada vez menos se importe aquilo que o país produz. “O governo deve fixar uma taxa impeditiva à batata e cebola sul-africanas porque, caso contrário, não dá para insistir neste negócio” – anotou.

Porém, reconheceu que os preços dos produtos nacionais afiguram-se relativamente altos devido ao facto de que as matérias-primas, como sementes, adubos e pesticidas, serem importadas da África do Sul, país que pelo seu nível de desenvolvimento económico, agrícola, industrial e tecnológico, é ainda incontornável na provisão destes insumos e serviços que Moçambique necessita.

Para além do distrito de Báruè, na província de Manica, a Montesco desenvolve empreendimentos agrícolas nos distritos de Angónia e Tsangano, na província de Tete, onde, no âmbito da sua política de responsabilidade social, presta apoio multiforme a 20 produtores locais no cultivo de batata Reno e cebola.

Nestas regiões, os empreendimentos da Montesco são mecanizados e irrigados por gravidade, gota a gota e por meio de motobombas, produzindo assim em todas as épocas do ano, com um rendimento médio por hectare que se situa em 3.8 toneladas para batata reno e 40 toneladas para cebola.

Em termos de equipamento agrícola, possui quatro tractores, número não especificado de colheitedeiras, debulhadoras, semeadoras, entre outros, que fazem da Montesco uma das maiores empresas privadas de capitais sul-africanos que opera no país.

VICTOR MACHIRICA

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