A MECANIZAÇÃO agrícola, consubstanciada pelos parques de máquinas e irrigação, aliada à expansão da assistência técnica, provisão de insumos e variedades melhoradas, o maneio integrado da fertilidade dos solos, o agro-processamento e a comercialização, estão a contribuir para a redução da dependência pelas importações, estimulando ainda a competitividade das iniciativas agrárias ao nível da província de Manica.

Com efeito, embora no cômputo geral o país continue a registar um défice acentuado em produtos de origem agrícola, como arroz, trigo, batata-reno, tomate, cebola e frango, na província de Manica o cenário tende a mudar. Estima-se em mais de 530 mil toneladas a produção agrícola excedentária da província, o que abre espaço à exportação.

Durante o ano de 2016, Manica exportou produtos num valor de mais de 33.33 milhões de dólares norte-americanos para o mercado internacional. China, África do Sul, Holanda, Inglaterra e Zimbabwe são alguns dos países que já consomem as exportações de Manica, fruto da mecanização e da migração de uma agricultura de subsistência para a comercial.

Por isso, depois de produtos florestais e mineiros, como madeira, ouro e bauxite, a lista das exportações começa a ser dominada pelos produtos agrícolas e pecuários. O feijão-verde, baby corn, brócolos, queijo, manga, flores, farinha de milho, sementes, macadâmia, litche, pêra-abacate, ervilha e piri-piri são apenas alguns exemplos.

O maior peso das exportações está sendo feito por agricultores comerciais, mas cada dia que passa a balança começa a pesar também para os agricultores dos sectores familiar e associativo, que, através das parcerias que estão a desenvolver com as grandes empresas do ramo agrícola, já estão a produzir para o consumo, comercialização e exportação.

Porém, o país regista neste momento um défice de 360 mil toneladas de arroz, 500 mil toneladas de trigo, 164 mil toneladas de batata-reno, 106 mil toneladas de cebola, 12 mil e setecentas toneladas e seis mil toneladas de frango. Mas Manica, com a excepção de trigo e arroz, já é auto-suficiente em todos os restantes produtos. Para além de exportar, abastece outras províncias do país, facto que contribui para a redução da dependência das importações e donativos, concorrendo com isso para a minorar a inflação da moeda nacional.

Estes ganhos, de acordo com o governador de Manica, Alberto Mondlane, resultam do impacto da mecanização agrícola. É assim que Manica vai migrando, ano após ano, de uma agricultura caracterizada por baixo nível de utilização de tecnologias melhoradas e dependência das condições climatéricas para uma agricultura mecanizada, com sistemas de rega, tracção animal, acesso ao crédito, assistência técnica e uso de insumos melhorados.

Assim, dos mais de um milhão e 244 mil hectares lavrados e semeados na campanha agrária 2016/2017 em Manica, a mecanização agrícola contribuiu com 316.405 hectares, sendo 77.488 para tractores e 238.916 para tracção animal, o correspondente a uma percentagem de 7,54 e 23.25 por cento, respectivamente.

Sobre a tracção animal, pelo menos 2054 criadores de bovinos foram treinados em técnicas atinentes durante a campanha finda. Ao longo do último triénio, o número de criadores treinados ascendeu a 12.667, num projecto executado com apoio de Millers International, em parceria com a Land O’Lakes.

No global, de acordo com a directora provincial da Agricultura e Segurança Alimentar de Manica, Sónia Namahumbo, mercê da implementação do Programa Nacional de Mecanização Agrária (PNMA), Manica conta neste momento com 267 tractores, dos quais 55 integram os 12 parques de máquinas que funcionam em 10 dos 12 distritos da província, com a excepção de Machaze e Mossurize. Conta igualmente com um centro de prestação de serviços agrários localizado em Catandica, no distrito de Báruè.

Do total dos tractores arrolados no âmbito da mecanização agrícola, 212 foram alocados ao sector privado, instituições públicas de ensino e investigação e singulares, no quadro do Plano Estratégico de Desenvolvimento do Sector Agrário (PEDSA). Esforços estão em curso com vista ao estabelecimento de parques de máquinas em Machaze e Mossurize, onde até ao momento não foram identificados produtores elegíveis para gerir os parques.

VICTOR MACHIRICA

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