INHAMINGA, vila-sede do distrito de Cheringoma, foi uma das regiões mais afectadas pelo conflito armado que terminou com a assinatura do Acordo Geral de Paz (AGP), em 1992.

Em tempos, a vila ferroviária de Inhaminga era considerada o segundo centro urbano da província de Sofala, depois da cidade da Beira, por ser detentora do segundo maior parque imobiliário de Sofala.

Terminado o conflito, Inhaminga continuou a apresentar-se com algumas marcas dessa guerra, nomeadamente muitas ruínas que marcam um contrasta com o cenário de desenvolvimento sócio económico que já se está a registar na vila em particular, e no distrito em geral.

No coração da vila, podem-se ver muitas casas inabitadas que constituem foco de todas as espécies de parasitas. Aparentemente, esta é uma situação para a qual parece não haver justificação plausível, uma vez que os proprietários destes imóveis são apontados como tendo capacidade financeira para intervir e emprestar outra imagem aos seus imóveis e consequentemente à vila.

A maioria das ruínas pertence aos Caminhos de Ferro de Moçambique que, depois do Acordo Geral de Paz, decidiram reabilitar algumas para servir os seus funcionários.

Recentemente, a governadora Maria Helena Taipo mostrou-se desapontada com a situação tendo solicitado os proprietários dos imóveis a encontrarem formas de de alterar aquele estado de coisas.

Inhaminga entrou igualmente na história devido ao massacre ocorrido em Agosto de 1973 e em Março de 1974, em que milhares de pessoas foram mortos pelo exército colonial.

Já no pós-independência, a guerra dos 16 anos também sacudiu a região e o distrito. A situação agudizou-se porque quando se alcançou a estabilidade, mesmo depois do AGP em 1992, aquela parcela da província de Sofala continuou, por mais alguns meses a ser pressionada devido a incursões muitas vezes atribuídas a guerrilheiros da Renamo.

Volvidos 25 do AGP, Cheringoma mostra sinais de crescimento socioeconómico, com as ruínas a serem a nódoa maior, sobretudo por trazerem algumas recordações  tristes, nomeadamente com as marcas da guerra visíveis nas perfurações existentes em várias paredes.

Alguns agentes económicos locais que falaram ao nosso Jornal disseram que as ruínas que abundam na vila-sede de Inhaminga pertencem a pessoas e instituições conhecidas.

Segundo contaram, antigos gestores públicos e comerciantes de renome que se encontram nas capitais provinciais são os donos de algumas daquelas ruínas.

“Se o governo tivesse tomado decisões de acabar com as ruínas sem reparar que estas são dos CFM e outras são do fulano ou beltrano, certamente que esta situação teria sido resolvida há muito tempo. Há pessoas interessadas em reabilitar ou construir boas infraestruturas mas são informadas que não podem fazê-lo por alegadamente pertencer a este ou aquele indivíduo com este ou aquele poder… Assim, nada poderá avançar e as ruínas vão prevalecer”, disse um dos residentes que aceitou falar à nossa Reportagem na condição de não ser identificado.

João Vicente Chare, proprietário de uma pequena mercearia em Inhaminga, disse, por seu turno, que houve várias tentativas por parte dos administradores cessantes que procuraram persuadir os proprietários a melhorarem os seus imóveis, mas sem qualquer sucesso.

“Lembro-me de terem sido colados editais aqui que convidavam os proprietários a tratarem de intervenções nas suas ruínas. Até havia prazos, quando vimos aquilo dissemos que é desta vez que estaremos livres das ruínas mas, para o nosso espanto, nenhuma coisa avançou. Também acho que os CFM, sendo uma grande empresa, deviam fazer algo mais pela vila, oui pelo menos pelas suas casas aqui na vila…”, disse Chare.

Já Maria Paiva Tchinino, residente na Vila de Inhaminga há 30 anos, revelou que por causa das ruínas os moradores da vila-sede são obrigados a conviver com cobras e lagartos gigantes.

“Não passa uma semana sem matarmos cobras aqui na vila-sede. Há também muitos lagartos aqui. O nosso medo é mesmo de cobras porque lagartos não fazem mal a ninguém e até porque serve de alimento para muitos de nós. Gostei da senhora governadora quando falou das ruínas aqui. Estamos cansados de viver com estas ruínas.

Helena Taipo determina: Ruínasdevem acabar

A governadora de Sofala, Maria Helena Taipo, deu um ultimato às autoridades administrativas do distrito de Cheringoma para criarem mecanismos com vista à eliminação das ruínas na vila-sede de Inhaminga.

Falando recentemente durante a inauguração da repetidora da Rádio Moçambique naquele distrito, a governante afirmou que não gostou do que viu em relação à conservação dos imóveis pois as ruínas constituem focos de parasitas que podem provocar doenças diversas.

Helena Taipo disse que já passa muito e tempo e não se justifica que as casas continuem naquele estado.

Referiu que da próxima que regressar a Inhaminga não gostaria de deparar com as ruínas.

“A Vila de Inhaminga não deve continuar como está. Há muitas ruínas. Sabemos que a guerra terminou há muito tempo. Desafiamos a todos a acabarem com este cenário que não nos dignifica”, determinou a governante que apelou aos moradores a primarem pela higiene individual e colectiva.

A intervenção da governadora em relação ao assunto das ruínas mereceu muitos aplausos da população de Inhaminga, vila que surgiu devido a famosa estação ferroviária.

A nossa Reportagem soube que uma equipa da administração já está a fazer o levantamento preliminar de modo a avançcar se com a implementação da decisão da Governadora, a começar pela notificação dos proprietários das ruinas em causa.

 

CFM aguarda “decisão superior”

Porque parte do património em ruínas na vila ferroviária de Inhaminga pertence aos CFM a nossa reportagem contactou a direcção executiva centro.Na ocasião, recebemos a informação de que só se podiam pronunciar caso a sede da empresa desse luz verde.

Nos últimos anos os gestores dos CFM-Centro afirmavam que a saída seria ceder as ruínas à administração distrital por forma a viabilizar a sua reabilitação.

A justificação na altura foi de que a empresa não tinha muitos funcionários naquele ponto que justificassem o elevado número de património mal gerido.   

Cheringoma na rota do desenvolvimento

Com uma população estimada em 60 mil habitantes, o distrito de Cheringoma é potencialmente agrícola, contando igualmente com recursos florestais e faunísticos como o garante do desenvolvimento.

Para impulsionar a actividade agrária, está em curso o processo de mecanização que já beneficia as famílias camponesas do sector familiar tendo como consequência o aumento da produtividade de cereais nesta época.

O centro de prestação de serviços agrícolas que conta com tractores que já está a entrar em execução de lavouras cujo impacto verificou-se na presente campanha agrícola em que os camponeses se sentem satisfeitos por causa de superprodução.

Por outro lado, os extensionistas têm estado a assistir perto de sete mil camponeses permitindo deste modo o aumento da produção e produtividade. A produção é vendida e outra processada em mais de 50 unidades de agro processamento.

Enquanto isso, no contexto do desenvolvimento humano e social, o administrador distrital, Tomás Domingos, revelou que o distrito funciona com 43 estabelecimentos de ensino que leccionam da 1ª a 12ª classes, incluindo o Instituto de Formação de Professores. Para além disso, existem 20 salas anexas onde se lecciona a 6ª classe.

Conta com uma rede sanitária composta por sete unidades, sendo um centro de saúde do tipo Um, cinco centros de saúde do tipo dois, um posto de saúde para além de sete postos de socorros assistidos por agentes polivalentes elementares treinados para prestar os primeiros socorros.

Outro aspecto que alegra as autoridades administrativas distritais é o aumento em quase todas componentes de Saúde Materno Infantil (SMI).

Segundo Tomás Domingos, este crescimento e melhoria na saúde materno infantil deve-se, fundamentalmente, ao uso das casas de espera para mulheres grávidas.

Tal está a acontecer com o envolvimento dos líderes comunitários, agentes polivalentes e da população em geral o que conduziu a que muitas mulheres aderissem ao serviço nacional da saúde.

‘’Também tivemos melhoria bastante significativas a nível do distrito nas componentes de nata-mortalidade, baixo peso à nascença e mortalidade geral intra-hospitalar”, sublinhou Domingos.

Água: O grande desafio

Em Cheringoma há graves problemas de abastecimento de água potável à população.

O lençol freático é muito baixo razão pela qual se torna difícil obter a água dos furos. As pessoas percorrem longas distâncias para conseguirem água e mesmo assim, a taxa de cobertura continua sendo das mais baixas ao nível da província, com apenas 30 por cento.

O abastecimento de água potável tem sido um dos problemas que a população apresenta as autoridades governamentais que escalam aquela região.

Exemplo disso, a governadora provincial, Maria Helena Taipo, numa das suas visitas ao distrito também foi confrontado com esta preocupação por parte dos residentes.

Em resposta, Helena Taipo disse que no âmbito do Plano Quinquenal do Governo tudo será feito para minorar o sofrimento da população.

Disse que uma das soluções é a reactivação de um programa outrora existente, concretamente a reabilitação de fontes que tradicionalmente abasteciam aquela região, sobretudo a vila de Inhaminga.

Recentemente, uma missão da Assembleia da Republica chefiada pela deputada Antonia Charre trabalhou em Cheringoma onde voltou a ouvir queixas da população sobre a problemática da agua.

Na ocasia, o grupo prometeu o assunto aos governos provincial e central para que seja encontrada uma solução.

                                 Rodrigues Luís

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