HÁ cerca de uma década, a população residente no distrito de Moma, a sul de Nampula, lamentava-se de tudo, quando altos dirigentes e dignitários do país escalavam esta região. Eram reclamações relacionadas com a crise de água potável, serviços de saúde de qualidade, fornecimento de energia eléctrica da rede nacional, entre outras que actualmente, na sua maioria, foram solucionadas. Porém, o problema das vias de acesso continua a afligir as comunidades locais. Aliás, esta problemática condiciona o desenvolvimento socioeconómico que se almeja na região.

O distrito de Moma é potencialmente agrícola, pesqueiro, mineiro e pecuário, actividades, entretanto, que são condicionadas pela precariedade das estradas que dão acesso aos principais centros de produção, com maior incidência na época chuvosa.

Para se ter ideia, por exemplo, a distância que separa a vila-sede à capital da província é de pouco mais de 200 quilómetros que, actualmente, se percorre em sete horas, com uma viatura 4x4, uma situação que não é conveniente para quem não tem meio de transporte próprio e adequado.

As pessoas que pretendem se deslocar às zonas de produção, por exemplo, pesqueira, na localidade de Mugoroge, tem de enfrentar um autêntico calvário, o mesmo acontecendo na zona mineira de Mavuco, posto administrativo de Chalaua, devido à problemática das vias de acesso.

Chale Ossufo, administrador do distrito de Moma, desdramatiza este cenário sombrio, augurando o empenho da população que, face a estas vicissitudes, não desanima e aproveita a época em que a chuva não cai para se empenhar na produção agrícola e mineira, esta última apesar de ser feita de forma artesanal.

“Estou alinhado com a população quando afirma que, para além da precariedade da principal estrada que liga a vila-sede a outros pontos da província, as vias de acesso de facto têm sido pedra no sapato durante a época chuvosa, em que muitas das nossas localidades ficam sitiadas”, disse Chale Ossufo.

Segundo ele, em tempo chuvoso as vias de acesso são “um nó de estrangulamento”, e reitera que se pode produzir muito nos principais centros de produção, tal como em Locone, onde diz que ainda não visitou desde que foi indicado para dirigir o distrito, por falta de acessibilidade por estrada.“Mas, ainda, no presente ano existe um plano de reabilitar a estrada e tirar aquela zona da situação em que se encontra, e abrir os centros de comercialização de Licone”, assegurou.

Disciplinar a exploração da mina de Mavuco

SEGUNDO o administrador de Moma, está em curso actualmente um trabalho visando disciplinar a exploração de recursos minerais na zona de Mavuco, onde se regista desordem e disputa entre empresas, associações e comunidades locais.

Chale Ossufo explicou que existem, neste momento, mais empresas e associações de exploração de recursos em Mavuco, havendo ainda outras em processo inicial de prospecção e verificação das condições de produção. “Precisamos de melhorar o relacionamento entre as partes que exploram os recursos minerais para que possamos estabilizar a actividade nesta região. Por isso, vamos interagir com todos os intervenientes”, enfatizou, acrescentando que os interesses de todos operadores devem ser respeitados e ao mesmo tempo, para além de que há necessidade de perceberem que a exploração desordenada ou ilegal de recursos minerais prejudica a sua sustentabilidade.

Na óptica do governo local, a exploração dos recursos existentes na região deve contribuir também para o desenvolvimento e consequente melhoria das condições de vida da população.  

Mavuco é uma zona de ocorrência de minérios, nomeadamente pedras preciosas e semi-preciosas, com alto valor comercial. Nestas, destaca-se as águas-marinhas, paraíbas, berilos, turmalinas, entre outras.

Por causa disso, Mavuco, que faz parte do posto administrativo de Chalaua, é uma das regiões de Nampula que atrai nacionais e estrangeiros. Entre estes últimos, contam-se malianos, guineenses, nigerianos, entre outros.

Vivemos pela auto-superação

ALGUNS residentes de Moma afirmam quea acentuada degradação da estrada que liga a vila-sede à cidade de Nampula é uma das causas que leva à danificação de viaturas do distrito. 

António Joaquim, habitante de Moma, deplora a situação crítica das estradas que que acaba por interferir na circulação das pessoas e realização tranquila das suas actividades.

Todavia, a população fala de sinais notáveis de crescimento de Momama. Segumdo os residentes, quem conheceu o distritos há anos, se for para lá agora vai notar uma grande diferença. Por exemplo, o problema de água que já preocupou na região, hoje está sendo ultrapassado.

Francisco Armando, outro residente da vila-sede, disse à nossa reportagem que o desenvolvimento do distrito de Moma não é uma utopia. No bairro onde reside se registam construções de casas de cimento, substituindo as de matope, pau-a-pique e cobertura de macuti.

“A energia eléctrica da rede nacional também motivou muitas transformações no nosso distrito”, sustentou Armando que falou também de boa produção agrícola que anima os camponess.

Para Rosalina Atumane, as vias de acesso são o maior problema que retarda o desenvolvimento do distrito, principalmente na época chuvosa em que a população se vê com limitações na realização das suas actividades.

“Este factor de estradas desmoraliza, em parte, a população de aumentar os seus índices de produção. O governo deve priorizar esta lacuna. Queremos a asfaltagem da estrada que liga a nossa sede distrital à cidade de Nampula, para o escoamento da produção. Espero que Moma seja elevado à categoria de município”, rematou a nossa entrevistada, depois de congratular os esforços empreendidos pelo executivo na electrificação da vila e no abastecimento de água potável, que já jorra nas torneiras dos residentes.

Por seu turno, Chehe Alimo, líder dos médicos tradicionais de Moma, suplicou ao executivo para o mais rápido possível providenciar uma rampa ou melhor a estrada asfaltada que liga a capital provincial à sede do distrito, de forma a impulsionar cada vez mais o desenvolvimento da região.

“Como pode testemunhar, aqui no distrito não temos nenhuma empresa que possa ocupar muita mão-de-obra jovem e adulta. Todavia, os negócios e as actividades fluem com muita normalidade, o que atrapalha são as nossas estradas que não permitem uma plena ligação entre os centros de produção e de comercial.

Dissociação de Larde aressentida

EM conversa com o administrador distrital soubemos que a dissociação do posto administrativo de Larde, que fazia parte de Moma, se faz sentir nas receitas do distrito. Chale Ossufo explicou que muitas infra-estruturas sociais, incluindo a energia eléctrica da rede nacional, resultaram do projecto da extracção das areias pesadas de Topuito, pela Kenmare, agora a operar no distrito de Larde.

“Estou há sensivelmente cincos meses como administrador de Moma e em nenhum momento registei sequer oscilação da corrente eléctrica que está conectada a partir da localidade de Topuito, onde está instalada a indústria de processamento das areias pesadas, mas temos esperança que brevemente, ao que tudo indica, a Kenmare volta a Moma, porque descobriu que existem grandes jazigos de areias pesadas em Pilivili e Mpaco, no nosso território, onde decorrem neste momento trabalhos de sondagens deste minério”, disse Ossufo, augurando um futuro risonho para a população e o distrito a dar passos galopantes para o seu crescimento e desenvolvimento.

LUÍS NORBERTO

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