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O GOVERNO Provincial de Inhambane acaba de orientar todos os governos distritais para retirarem as pessoas que exercem actividades de negócio nas bermas das rodovias como uma das medidas tendentes a prevenir a sinistralidade rodoviária.

A medida foi tomada no decurso de mais uma sessão do Governo que tinha como um dos principais pontos o debate da questão da sinistralidade rodoviária, que tem provocado a morte de muitas pessoas e ferimento de outras, entre graves e ligeiros, para além de avultados danos materiais.

A porta-voz do Executivo de Inhambane, Acissa Márcia, que é igualmente directora provincial dos Transportes e Comunicações, explicou que a retirada das pessoas que desenvolvem a actividade de negócios nas bermas da estrada não é uma medida nova, sendo que a mesma foi avançada nas campanhas de sensibilização lançadas em ocasiões anteriores.

Porque as pessoas mostram uma certa resistência para se retirarem dos lugares susceptíveis da ocorrência de acidentes de viação, o Governo admite a possibilidade de uso da força, porque, conforme assinalou, para além do perigo a que estão expostos os próprios vendedores, os consumidores de bebidas alcoólicas nesses locais são potenciais vítimas, sobretudo na tentativa destes atravessarem a estrada.

“A nossa primeira medida nas campanhas de prevenção de acidentes de viação foi mandar fechar todas as entradas frontais das escolas situadas junto das vias públicas porque as estatísticas indicavam que a maior parte das vítimas eram crianças, que eram atropeladas quando se dirigiam às bancas nos intervalos das actividades lectivas para comprar lanche”, explicou Acissa Márcia, que acrescentou ser agora a vez da retirada compulsiva dos mercados para longe das vias.

Muito recentemente, o governador provincial, Daniel Chapo, expressou preocupação com a proliferação de negociantes nas bermas das estradas, em particular nas vilas distritais de Quissico, Inharrime, Morrumbene e Massinga, bem assim nas regiões de Chissibuca, Mavila, Ramiro, Chicoroa, Chongola, Nhacoongo, Malaisse, Cumbana, Mapinhane, Pambara, Vulanjane, Maluvane, entre outras atravessadas pela EN-1.

O governante quer ver esses locais descongestionados de vendedores informais para que a circulação de pessoas e bens ocorra normalmente e sem perigo da ocorrência de acidentes de viação, que continuam a semear dor e luto no seio de muitas famílias moçambicanas.

Recorde-se que, em 2015, 12 pessoas perderam a vida no mercado de Nhacoongo, no distrito de Jangamo, quando um autocarro circulando à alta velocidade atropelou uma multidão, entre vendedores, clientes e passageiros, que saía de um transporte semicolectivo de passageiros, vulgo “chapa”, que acabava de sofrer, no local, um embate traseiro de uma outra viatura.

A directora dos Transportes e Comunicações disse que o Governo reconhece a importância do mercado paralelo na produção da renda familiar, entretanto, segundo explicou, há toda necessidade de proteger as vidas humanas.

“Contra a vida de pessoas não pode haver negociação. Sei que nem todos vão acolher bem esta medida, mas vamos ter que usar todos os meios necessários para fazer valer a decisão”, frisou a porta-voz do Governo.

Recorde-se que neste mês de Setembro a província de Inhambane foi palco de sucessivos acidentes mortíferos, razão pela qual o Governo está em busca de medidas adicionais para conter a onda de sinistros.

Um das medidas já em implementação é o endurecimento das acções de fiscalização rodoviária, onde os agentes são chamados a cumprir com as suas obrigações profissionais.

VICTORINO XAVIER

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