ALGUNS produtores de mandioca do distrito de Ribáuè, em Nampula, dizem estar desmotivados para continuarem com esta produção devido aos preços praticados na compra dos produtos pela empresa DATCO, que depois os fornece a Cervejas de Moçambique (CDM). Segundo eles, os preços são baixos e na sequência disso alguns produtores optam por abandonar a actividade, dedicando-se a outras culturas que proporcionam melhores rendimentos e mais céleres.

Abílio Nahura, chefe da Associação dos Produtores da Mandioca de Namiconha, explica que, na campanha de produção e comercialização da mandioca que acaba de terminar no distrito, um quilograma do produto custava apenas dois meticais, valor que na sua óptica não compensa o esforço despendido pelos camponeses.

Segundo o nosso entrevistado, ao longo das várias campanhas sempre houve negociação com a empresa fomentadora e compradora da mandioca em Ribáuè no sentido de se aumentar o preço da compra por quilograma, só que nunca se chegou a um consenso, pois a empresa não aceita o pedido dos produtores.

“Os produtores de mandioca defendem que o preço mínimo por quilograma deve ser de 3,5 meticais e o máximo 5 meticais. Mas a DATCO defende que isso é muito. O preço baixo actualmente praticado não só desmotiva os produtores associados, como também os não associados, que são em número considerável no distrito de Ribáuè”, salientou.

A fonte lamentou o facto de as autoridades administrativas locais não intervirem, mesmo depois de solicitados para o efeito, o que deixa mais desesperados os produtores quanto à satisfação das suas exigências. Contudo, Abílio Nahara disse que enquanto o preço não altera, os camponeses vão sobrevivendo do pouco que ganham.

A associação conta com um total 160 membros, dos quais 111 são mulheres. Na campanha que já terminou, a colectividade conseguiu produzir pouco mais de 720 toneladas da mandioca. Para tornar sustentável aquela que é uma das maiores associações agrícolas de Ribáuè, depois do fim da campanha da mandioca, decidiu dedicar-se à produção de hortícolas para incrementar as receitas dos seus membros.

Entretanto, em contacto com o responsável da área técnica da empresa DADTCO, que fomenta e compra a mandioca em Ribáuè, ele disse não saber que os preços que a sua empresa prática são baixos, pois ela tem feito um trabalho aturado no sentido de estimular os produtores do tubérculo.

Explicou exemplificando que na campanha do ano passado a empresa comprava um quilo de mandioca por 1,5 meticais para os produtores que não tinham transporte próprio, e a mandioca era transportada pelos carros da empresa, e 2 meticais para os que tinham. Na campanha referente a este ano e que já terminou, o quilo da mandioca custava 2 e 2,5 meticais, respectivamente, para cada uma das situações citadas.

A dificuldade de alcançar uma maternidade

ENTRETANTO, as mulheres do distrito de Ribáuè, particularmente das zonas rurais, têm dificuldades em chegar às maternidades existentes na região para efeitos do parto, por alegada falta de transporte, pondo em risco as suas próprias vidas e a dos bebés.

Marta Junqueiro reside algures no posto administrativo de Cunledisse. Ela reconhece que há esforços do Governo distrital em disponibilizar transporte, por exemplo, moto-ambulâncias, mas porque o distrito é grande, há zonas onde tais meios não chegam, tornando-se assim difícil transferir, atempadamente, uma parturiente para a maternidade.

Abílio Nahura vive em Namiconha, onde trabalha com mulheres integradas na associação dos produtores de mandioca da zona. Ele disse que a situação não acontece na sua área residencial por estar perto do hospital distrital, para onde as mulheres grávidas se dirigem para dar à luz aos seus bebés.

“Pode haver outros factores, mas o que sei é que nas zonas rurais, particularmente aquelas que ficam muito distante dos hospitais que têm maternidades, a falta de transporte faz com que as mulheres não tenham possibilidade de chegar às unidades sanitárias a tempo”, explicou.

O Governo distrital de Ribáuè, na voz da secretária permanente, Isabel Gulamo, reconhece que as parturientes não vão ou por vezes chegam tardiamente às maternidades, porém, negou que tal tenha a ver com a falta de transporte, mas sim com questões de hábito, que fazem com que as comunidades ainda não tenham tomado a consciência sobre a necessidade e importância de as mulheres darem parto nos hospitais, onde podem ter uma assistência adequada.

“A demora na transferência de parturientes das zonas rurais para as maternidades constitui para o Governo do distrito um constrangimento para o sector da Saúde. Há muitos casos em que o trabalho de parto é feito em condições de risco em casa, e depois de complicações é que a mulher é conduzida à maternidade”, enfatizou.

A nossa entrevistada afirmou que tendo em conta a complexidade da situação, o Executivo distrital já desencadeou uma ofensiva de sensibilização das comunidades sobre a necessidade de elas encaminharem atempadamente as parturientes às maternidades, tarefa que foi incumbida a todos os responsáveis do distrito, incluindo líderes comunitários, e como resultado tende a aumentar o número de mulheres grávidas que procuram uma maternidade para efeito de parto.

Segundo a governante, para a evacuação de parturientes para a maternidade, o distrito conta com moto-ambulâncias que estão a dar o seu contributo. Todavia, Ribáuè tem 5 maternidades a funcionar no hospital distrital e centros de saúde de Iapala-sede, Iapala-Monapo, Cunle e Mecuasse, com condições de atender qualquer mulher grávida.

Água potável chega a 29 mil pessoas

A PEQUENA e longínqua vila-sede da localidade de Riane, uma zona muito produtiva, já conta com um pequeno sistema de abastecimento de água construído de raiz, que está a beneficiar mais de 29.400 residentes.

Este é o segundo sistema de abastecimento de água de Ribáuè, já que o primeiro funciona na vila-sede distrital, onde abastece actualmente 112.450 residentes, igualmente reabilitado recentemente.

António Muripa reside há sensivelmente 40 anos naquela localidade, em conversa com a nossa Reportagem disse que nunca lhe passou pela cabeça que um dia a vila de Riane havia de ter água potável, o que põe termo ao longo sofrimento por que as pessoas passavam, percorrendo longas distâncias à procura do precioso líquido. Acrescentou que “o abastecimento de água era muito difícil na vila da localidade de Riane. Mas com a instalação do pequeno sistema de abastecimento, o problema está resolvido. É um sistema que veio mudar a nossa vida”.

Por seu turno, Ana Muroho, também residente na localidade de Riane, mostrou-se satisfeita com o facto, argumentando que os seus filhos já não faltam às aulas por causa da escassez de água, como sucedia antes da construção do sistema.

A secretária permanente distrital de Ribáuè, Isabel Gulamo, disse que a entrada em funcionamento do sistema veio dar outra dinâmica à localidade com grandes potencialidades agrícolas, pois as pessoas já não deixam de produzir nas machambas para irem procurar água.

Num outro desenvolvimento, ela destacou o facto de o sistema estar a ser gerido por um operador privado, uma vez que isso confere várias vantagens, entre as quais a sua conservação e manutenção sistemática, o que vai permitir que dure muito tempo. Para além de milho, mapira, banana, cebola, mandioca e amendoim, a localidade de Riane é potencial produtora de tabaco, uma cultura de rendimento que já ajudou muitos produtores a melhorarem as suas vidas, construindo, por exemplo, casas de alvenaria.

Ruínas da guerra prevalecem

UM dos principais problemas da vila-sede distrital de Ribáuè que salta à vista de qualquer um está relacionado com a existência, ainda, de escombros causados pela guerra civil dos 16 anos, com destaque para as instalações do antigo palácio do administrador do distrito e do Comando da Polícia da República de Moçambique.

Essas ruínas estão a deixar os residentes inquietos, pois, na sua opinião, mancham a estética da vila municipal, por se situarem ao longo da principal via.

“Com o processo de municipalização esperávamos que estas ruínas fossem removidas ou reabilitadas para albergar algumas instituições de prestação de serviços, mas nada disso está a acontecer. É preciso que se saiba que a sua existência não dignifica a imagem da vila”, disse Manuel Somoru, residente na localidade municipal de Namiconha.

Para Julião Assuane, um outro munícipe que falou à nossa Reportagem a propósito do assunto, disse que o mais preocupante ainda é que as ruínas continuam a existir num momento em que o distrito, em particular a vila de Ribáuè, necessita de infra-estruturas para o funcionamento de forma adequada de instituições públicas e privadas que contribuam igualmente para o seu engrandecimento.

“Apenas os privados estão a construir novas casas …”, disse Julião.

Entretanto, a nossa Reportagem apurou que a não reabilitação das ruínas deve-se fundamentalmente à falta de fundos por parte das autoridades governamentais. Para o caso das ruínas do antigo edifício do palácio do administrador, informações que obtivemos dão conta que o Conselho Municipal da Vila de Ribáuè está a estudar a possibilidade de o local ser transformado em parque de estacionamento de viaturas.

Deslocações à busca de terra arável

A FALTA de residências fixas, devido ao facto de as pessoas deslocarem-se de forma sistemática de um lugar para outro, em busca de melhores terras para a prática de agricultura, poderá passar para a história no distrito de Ribáuè, onde as autoridades estão a intensificar a sensibilização das populações visando desencorajar tal prática.

À semelhança do que acontece noutros pontos da província de Nampula, em Ribáuè a mudança sistemática de locais de residência em busca de melhores condições de produção agrícola contribue para o registo de elevados índices de desistência e abandono de aulas nas escolas de vários níveis de ensino.

A secretária permanente distrital disse que mercê do trabalho de sensibilização dos pais e encarregados de educação sobre a necessidade de perceberem que essas mudanças estão a prejudicar o processo de ensino e aprendizagem dos seus filhos, o fenómeno de abandono das aulas reduziu substancialmente nos últimos tempos. “A situação tinha atingido um ponto crítico no nosso distrito, que obrigou o Governo a tomar medidas correctivas que estão a surtir efeitos desejados. Até porque posso dizer que praticamente o fenómeno de nomadismo no distrito está controlado. Todavia, ainda estamos a travar este combate com o apoio dos líderes comunitários”, realçou.

Mouzinho de Albuquerque

Câmbio

Moeda Compra Venda
USD 60,70 61,84
ZAR 4,43 4,51
EUR 71,53 72,88

11.10.2017   Banco de Moçambique

Opinião & Análise

LOCALIZADA no extremo norte da província de Cabo Delgado, fazendo fronteira ...
2017-10-22 23:30:00
FRETILIN é nome de um dos movimentos que lutaram pela independência de ...
2017-10-22 23:30:00
NA semana passada vimos mais um acto mediatizado de demolições de ...
2017-10-22 23:30:00