TRÊS pessoas morreram em quatro acidentes de viação, como consequência do entulho que bloqueia a rua Santo António-Chissui, na cidade de Chimoio, província de Manica. O referido entulho resulta das obras paralisadas que estavam em curso naquela via. Com o prazo de três meses, a empreitada arrasta-se já por mais de um ano.

Para além dos três mortos, uma outra pessoa contraiu ferimentos graves quando a motorizada em que se fazia transportar embateu contra o entulho de pedra feito em forma de lomba que bloqueia a via, sem sinalização, colocado justamente na chamada zona da “ponteca”.

Testemunhas atribuem as causas dos sinistros e das perdas humanas a negligência e bloqueio deliberado de vias pelo empreiteiro do projecto, a construtora ADAMS, com a cumplicidade do Conselho Municipal de Chimoio, que é acusado de apatia e indiferença perante o drama que aflige milhares de pessoas no bairro Centro Hípico.

Os três mortos são todos motociclistas que perderam a vida quando inesperadamente, depararam com o aludido entulho. Testemunhas contaram que os perecidos tombaram quando as motorizadas em que se faziam transportar, embateram violentamente contra o entulho e tambores recheados de pedra, colocados no local pelo empreiteiro da obra, com justificação de impedir o acesso à circulação de viaturas e pessoas na rua em obras.

Para além deste entulho, vários outros foram colocados em todas as vias que dão acesso a também conhecida por “Rua do Chissui”, os quais, entre outros transtornos, estão a inviabilizar o acesso dos munícipes às suas residências e ao mercado “Mpulango”, o terceiro maior centro comercial informal da cidade de Chimoio.

O bairro Centro Hípico é o mais afectado pela situação. Segundo se pode observar no local, a construtora ADAMS fechou todas as ruas que desaguam na “Chissui”, numa altura em que as obras estão paralisadas e abandonadas há vários meses por motivos pouco claros, que, segundo se propala, poderão indiciar mais um acto de corrupção. 

O problema afecta também o fornecimento de mercadorias ao mercado “Mpulango” e a construção de empreendimentos comerciais, turísticos e familiares, cujos proprietários são obrigados a descarregar o material longe dos locais das obras, para além de ocasionar que maior parte dos munícipes com viaturas não possam aceder às suas residências, parqueando os carros longe dos seus quintais.

O município, na pessoa do respectivo edil, apesar das queixas que lhe são colocadas com insistência, pelos munícipes, não mexe palha. As reclamações são tantas que levam a que os munícipes acusem a imprensa local, de ser apática. “Como é possível que esta desordem deliberada, a mando de um estrangeiro de nacionalidade portuguesa, conhecido como mestre em bloquear vias, pode prevalecer perante o olhar impotente de tudo e todos”, questionam.

O silêncio e a indiferença da edilidade perante o problema deixa os munícipes com os nervos à flor da pele, acusando a direcção do município de cumplicidade na tragédia que continua a vitimar vidas humanas e a inviabilizar a normal circulação de pessoas e bens na rodovia que dá acesso a um dos bairros mais populosos da urbe e ao principal cemitério municipal da cidade.

Avaliadas em 17 milhões de meticais e financiadas através do Fundo de Estradas e Duodécimos da edilidade, em parceria com o Banco Mundial, as referidas obras arrancaram em finais de 2016 num projecto cujo anúncio, pelo respectivo edil, coincidiu com as celebrações do 47º aniversário de elevação de Chimoio a categoria de cidade, que se celebra a 17 de Julho de cada ano.

Uma vez iniciadas há mais de um ano, as obras perderam o ímpeto nos primeiros três meses, durante os quais foi feita a terraplanagem da via, ensaibramento, edificação de aquedutos, pontecas, do sistema de drenagem das águas pluviais e a colocação de pedras finas, sem porém, a sua asfaltagem.

Neste momento, segundo se pode observar no terreno, as obras estão praticamente paralisadas mas o empreiteiro insiste em manter os acessos bloqueados, situação que está a perturbar o normal funcionamento do comércio, a circulação de pessoas e bens e a vida dos munícipes ao longo dos bairros circunvizinhos.

Falando aquando do anúncio da empreitada, em 2016, o Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Chimoio, Raul Conde Marques Adriano, garantiu que as obras tinham financiamento caucionado e que iriam decorrer sem sobressaltos. Na ocasião, Conde informou que, numa primeira fase, as obras consistiriam na asfaltagem de um quilómetro e meio de via, aguardando-se o troço remanescente para a próxima fase, devendo na sua fase conclusiva, ligar entre si a escola Missionária Santo António, o Cemitério de Chissui e o bairro Trangapasso, limítrofe com o aeroporto local.

A via, considerada de importância crucial para a população urbana e não só, por conduzir ao cemitério municipal e aos novos bairros de expansão, nomeadamente Centro Hípico, Hombwa, Trangapasso e Aeroporto, pretende-se que venha a constituir igualmente, via alternativa aos distritos de Macate e Sussundenga.

Em declarações à Imprensa em Chimoio, o presidente do Conselho Municipal diz não estar informado dos sinistros, porém reconheceu haver problemas de sinalização, que deve chamar à atenção aos condutores sobre a necessidade de prudência para evitar eventuais perigos na via em obras.

VICTOR MACHIRICA

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