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O Quénia lançou no espaço o seu primeiro satélite de fabricação própria, esta semana, a partir do Centro Tsukuba, que pertence à Agência Espacial do Japão, em Tóquio.

O nanosatélite, um cubo denominado 1KUNS-PF que pesa 1,2 kg e mede dez centímetros de comprimento e dez de altura, é capaz de fornecer observação terrestre limitada e transmissão de áudio.

O aparelho é obra de cientistas da Universidade de Nairobi, apoiados por especialistas da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA). A equipa esperava fazer história ao se aventurar na ciência espacial, disse o vice-chanceler da universidade, Peter Mbithi.

Espera-se que o 1KUNS-PF esteja em órbita em 18 meses a cerca de quatro mil quilómetros da Terra. O satélite será usado em sectores como previsão meteorológica, vigilância da vida selvagem, elaboração de mapas de segurança alimentar e gestão de desastres naturais.

“O nanosatélite leva duas poderosas câmaras e microfones, que ajudarão a captar imagens e gravar sons antes de postá-los na internet”, explicou o professor da Escola de Engenharia da Universidade de Nairobi, Mwangi Mbuthia, citado pela BBC Brasil.

A ministra queniana de Educação, Amina Mohamed, descreveu o lançamento do satélite, que custou cerca de 834 mil euros, como um dos mais “notáveis desenvolvimentos científicos do nosso tempo”.

NA África subsaariana, apenas Gana, Nigéria e África do Sul contam com satélites em operação no espaço.

A 26 de Dezembro de 2017, Angola lançou seu primeiro satélite no espaço construído por um consórcio estatal russo. O Angosat-1 foi lançado do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão. No entanto, há controvérsias sobre se o Angosat-1 ainda existe ou se se  encontra ou não em órbita.

Se o voo for bem sucedido, os cientistas da Universidade de Nairobi planeiam desenvolver satélites maiores e de alta resolução “com sérios valores científicos e tecnológicos para o país”, de acordo com uma declaração divulgada.

O Quénia agora espera lançar o seu próprio programa espacial - ao custo de 500 mil a um milhão de dólares por ano, segundo a universidade.

Os satélites comerciais têm um potencial económico considerável para o Quénia, incluindo mapeamento e uso do solo, previsão do tempo, mapeamento da segurança alimentar, gestão de desastres, monitoramento de fronteiras e da costa, manejo e monitoramento da vida selvagem.

Os cientistas quenianos já estão a colaborar com o Escritório das Nações Unidas para Assuntos do Espaço Exterior, a Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA) e a Universidade de Roma, na Itália, para impulsionar a inovação no Quénia.

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