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OS operadores de táxis na cidade Beira estão a viver momentos de terror protagonizados por malfeitores, alguns dos quais se fazem passar por clientes.

Dados em poder do nosso Jornal indicam que nos últimos dois anos pelo menos cinco motoristas destes meios foram mortos e de seguida as suas viaturas e dinheiro foram roubados pelos bandidos.

A problemática de ataque aos taxistas está igualmente a atingir os motociclistas, vulgo “txopela”, que, além de serem mortos, alguns foram mutilados e despojados dos seus bens.

Para o caso particular dos “txopelistas”, há registo de assassinato de pelo menos três pessoas.

Laissone António, taxista da praça beirense, que já foi alvo de um assalto com recurso a arma de fogo, explicou à nossa Reportagem que no período da noite o transporte dos passageiros por parte dos taxistas é feito com medo, pois o risco de “cair” nas mãos dos bandidos é grande.

Revelou que em finais do ano passado sofreu um assalto no qual foram lhe roubados 15 mil meticais por assaltantes que se fizeram passar por clientes. “É difícil trabalhar como taxista. Os que me assaltaram traziam uma pistola. Alugaram a viatura para a zona do aeroporto, chegados lá exibiram a arma e forçaram-me a abandonar o carro. Depois levaram o dinheiro da receita. Penso que a intenção era roubar a viatura, mas por sorte eles acabaram por deixá-la abandonada zona”, explicou.

Muitos taxistas contactados pela nossa Reportagem afirmaram que no período da noite não chegam a algumas zonas quando o cliente é desconhecido.

Os bairros como Munhava, Manga, Inhamízua, Chota e Madjemane foram largamente referenciados como sendo os mais perigosos por já se terem registado episódios de ataques a taxistas.

“Mesmo que me ofereçam muito dinheiro não vou a Madjemane, por exemplo. Lá atacaram um colega e dia seguinte foi encontrado inanimado. Roubaram o carro, que foi depois achado em Chimoio. Estamos sempre em risco porque nunca se sabe quem é o próximo”, lamentou um dos taxistas na praça situada no bairro do Maquinino.

Tininho Celso, operador de táxi há quatro anos, contou-nos que por mês têm se registado incidentes provocados bandidos que se fazem passar por clientes.

“Até chego a pensar que os ataques sejam situação normal entre nós aqui na praça beirense. Alguém solicita transporte, mas quando chega ao destino o cliente recusa-se a pagar e ameaça espancar o taxista. Isso parece que é de loucos, chego a perguntar se a nossa sociedade está de boa saúde mental, porque não é possível que as pessoas se entendam na hora da partida, mas quando se chega ao destino o passageiro, que parecia boa pessoa, de repente vira uma fera pronta a atacar”, lamentou.

Um outro taxista, que se identificou pelo nome de Jossias, referiu que o problema dos malfeitores é pensar que eles fazem muito dinheiro.

Afirmou que muitos taxistas, concretamente os proprietários das viaturas, não apresentam queixas à polícia quando ocorrem casos de ataques, mas a situação não está nada agradável.

Taxistas devem precaver-se

O responsável pelos taxistas na praça do Maquinino, Arone Maunze, defendeu em entrevista ao nosso Jornal que depois de se terem registado barbaridades contra os seus colegas de profissão, caracterizadas por assassinatos, assaltos à mão armada e outros, concluiu que não havendo polícia para cada um dos profissionais daquela área, há uma necessidade de, sempre, os próprios taxistas precaverem-se.

“Temos conhecimento de que não há profissão sem risco, assumimos que alguns problemas que se assistem nós não nos precavemos. Tenho dito aos colegas para não aceitarem dirigir-se às zonas problemáticas e ainda não atender a desconhecidos no período da noite. Precisamos de manter vigilância e tomar medidas severas para protegermos as nossas vidas e das nossas famílias”, explicou o responsável.

Maunze revelou que há duas semanas indivíduos fazendo-se passar por clientes com boas intenções, roubaram duas viaturas na praça, retirando o sistema de localização, vulgo GPS.

Os supostos clientes entraram nas viaturas com a justificação de que estavam para alugar. Mas os carros foram localizados em Chimoio, prestes para serem desmontados e vendidos a peças.

“A situação dos taxistas não é boa. Passamos mal com os bandidos. Não nos deixam trabalhar à vontade. Sempre que aparece um cliente, o nosso primeiro olhar é de desconfiança.”

Motociclos salvam,

mas também são vítimas

Enquanto os “txopelas” e outros tipos de veículos não se fazem a zonas do interior da cidade da Beira por temerem a criminalidade, os motociclos, vulgo táxi-mota, estão a encarregar-se de penetrar nos lugares do interior.

A prática do uso de táxi-mota começou a generalizar-se este ano naquela urbe em diversos bairros. Os cidadãos recorrem a estes meios por não haver outros.

Um operador de táxi-mota revelou, entretanto, que os bandidos já começaram a actuar sobre eles. “Já estamos a trabalhar com medo porque um dos nossos colegas foi emboscado por bandidos e roubaram telefones e dinheiro do motociclista e da passageira que transportava”, explicou o mesmo operador que trabalha nos semáforos da Munhava.

O “modus operandi” dos bandidos que atacam motociclos manifesta-se por posicionamento nas extremidades das vias e quando a sua vítima se aproxima os dois esticam a corda para a mota cair. Neste instante, outros vândalos encarregam-se de surripiar os bens das vítimas.

PRM pede vigilância e denúncia

Entretanto, a Polícia da República de Moçambique (PRM) em Sofala encoraja as vítimas a apresentar queixas nos postos policiais mais próximos.

De acordo com o porta-voz da corporação nesta parcela do país, Daniel Macuácua, abordado a propósito, mesmo que os vândalos fujam depois da acção criminosa a queixa deve ser feita contra desconhecidos.

O nosso interlocutor afirmou que através das descrições e dos produtos roubados durante o assalto a polícia poderá desencadear buscas até à neutralização dos malfeitores com vista a responder pelos seus actos.

Macuácua sublinhou que muitos casos de assaltantes neutralizados resultaram de denúncias.

Deu o exemplo do desmantelamento dos grupos de bandidos  que matavam os proprietários e  depois roubavam os “txopelas” na Beira.

Macuácua falou nestes termos reagindo ao facto de muitos casos narrados pelos taxistas não constarem dos boletins de ocorrências nos postos policiais na cidade da Beira.

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