OS marimbeiros de Zavala provaram, mais uma vez, que a elevação da timbila para o estatuto obra-prima da humanidade teve razão de ser, ao realizarem um espectáculo de emocionar a quem o assistia.

 Ignorando-se o atraso, derivado da chuva que ameaçava manchar a festa, e os longos discursos da ocasião, a presente edição do Festival de Timbila, que decorreu sob o lema “M´saho 2017, 45 anos da Vila de Quissico, Timbila promovendo a cultura de paz e desenvolvimento sustentável”, provou a entrega abnegada dos timbileiros, que tudo fazem para manter viva a chama de uma expressão cultural única.

E isso ficou provado quando o M´kwayo, que é a selecção dos melhores timbileiros de Zavala, subiu ao palco para dar o arranque desta festa, numa altura em que público, ido de diferentes pontos do país e do mundo, começava a encher o Miradouro de Quisisico.

A prestação do M´kwayo, uma vez mais, justifica a razão de elevação deste ritmo à categoria que ostenta, porque, definitivamente, ele é forte. 

Dominada pela presença dos filhos do mestre Venâncio Mbande, considerado um dos maiores marimbeiros de todos os tempos, esta orquestra empresta um ritmo único. O bater dos escudos no chão, a forma como executam os instrumentos e as suas coreografias sincronizadas e compassados, era como que, a prenunciar o que se seguiria.

E foi bom que assim tenha sido porque despertou a plateia que já se encontrava no Miradouro de Quissico desde às 8.00 horas para testemunhar um festival que só iniciou por volta das 11.30 horas, sem um claro pedido de desculpas da organização do evento, que este ano esteve sob responsabilidade, ao que se soube, da Direcção Provincial da Cultura e Turismo.

O público aplaudiu a exibição do M´kwayo, tal como viria a fazê-lo quando entrou em cena o grupo cultural das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, trazendo coreografias estonteantes que levantaram o público.

Este grupo exibiu uma interessante integração de elementos contemporâneos, mesmo quando se trata de fazer a representação da luta de libertação nacional, onde surgiram de diferentes pontos do palco, envergando trajes militares.

No entanto, sendo que os desafios de hoje são, dentre outros, a luta contra o subdesenvolvimento, este grupo precisará de substituir as “armas” que exibe por outros elementos representativos, como enxadas, por exemplo.

Os continuadores da obra de Mbande

Quando o mestre-de-cerimónias anunciou a subida ao palco da orquestra Timbila ta Guilundo, o público, que já enchia por completo o Miradouro, a partir do qual é possível contemplar as lagoas e dunas de Quissico e parte do Oceano Índico, aplaudiu. Mas chegaria à loucura, ao ponto de invadir, diga-se no bom sentido, o palco, dançando “makarra”.

Naturalmente, que sente a falta do Mestre Venâncio Mbande, sentado naquela cadeira com a sua timbila, que tocava de forma única, mas porque ele lançou a semente, este grupo continua a dar mostras de verticalidade.

Liderada por Horácio Venâncio, esta orquestra mostrou que os Mbande existem e não vão soçobrar com o tempo. Tal como Moisés nasceu para guiar o povo hebreu do Egipto para Caná, terra onde emanava leite e mel, segundo o discurso bíblico, os Mbande vivem para a timbila, porque as sonoridades desta orquestra são de outro quilate.

Mas, não é só Timbila ta Guilundo que tem capacidade de esconjurar os espíritos, porque Ngalanga de Inharrime ou mesmo a Timbila ta Muane mostram que a aposta nos jovens é uma mais-valia para a perenidade desta expressão cultural.

As orquestras de Mazivela e de Chizoho estão a reencontrar-se, numa altura em que tudo fazem para encaixar “sangue novo”, apostando na presença de jovens timbileiros que são os que, no futuro, irão dar continuidade desta viagem que, certamente, não deve ter fim.

Mas também aceita-se que orquestras como Ngalanga de Chitondo (hoje procura afirmar-se como Ngalanga de Mussivame) aposte num trabalho que muito assenta no marketing, porque enquanto dançavam sob o tapete vermelho que esticaram iam distribuindo panfletos com os seus contactos, numa altura em que os artistas dividiam com o público. E é bom que assim seja porque a timbila é um ritmo que não foi feito para ser ouvido sentado sem deixar que a plateia levante e deixe o corpo viajar.

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