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O NOVO disco de Jomalu, intitulado “Lambinha”, é uma crítica social que o músico faz aos famosos “lambe botas” que recorrem à bajulação para se darem bem na vida, principalmente nos locais de trabalho.

Para a actuação de hoje à noite no Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), o músico convidou Salimo Mohamed, Isabel Novella e Xixel Langa que, com ele, partilharão o palco cantando as suas observações, amores, dores e esperanças.

Jomalu não deixa de dizer que este disco é, de certo modo, também uma metáfora que traz para reflectir sobre um fenómeno cada vez mais evidente na nossa esfera social.

“‘Lambinha’ é quem põe em causa a sua consciência para defender o seu ‘status’ social e obter ganhos materiais”, explica o vocalista que também habituou o público nestes 20 anos na música, a fazer-se acompanhar por uma viola acústica.

Em conversa com o “Notícias” na Associação dos Músicos Moçambicanos, onde ensaiava para o concerto de lançamento deste álbum, Jomalu explica que, em algum momento, as pessoas são levadas a ser bajuladoras para esconderem ignorância que pesa sobre elas. Mas, observa, como tudo na vida há limites que não podem ser transpostos, ou seja, ele procura chamar à consciência dos aduladores para o facto de muitas vezes as suas acções serem prejudiciais.

Da pequena sala onde ensaiavam fluíam os “aromas” sonoros que Xixel Langa vai interpretar hoje. Mas Jomalu diz que o presente trabalho discográfico segue a linhagem de crítica social que esteve nos seus anteriores álbuns, nomeadamente “Vida sem Orgasmo” (2006) e “Cesariana” (2011).

“Há temas sobre o obscurantismo, inveja, ódio. Enfim, é uma radiografia sobre a nossa sociedade e as coisas que eu acho que não estão bem. Mas, claro, sem ignorar as que estão bem porque nem tudo vai mal”, explicou.

O autor de “Lambinha - Boot-licker” confessa que tem um apreço especial pelo tema que retrata o mítico e emblemático bairro periférico da Mafalala, por ter sido lá onde cresceu e aos 12 anos descobriu a música nos corais da Igreja Congregacional Unida de Moçambique.

A abertura do espectáculo de hoje será feita pelo homem da noite: Jomalu, que na sequência irá chamando os outros para subirem ao palco do CCFM.

José Manuel Luís, hoje aos 41 anos, deu os seus primeiros passos firmes rumo a um percurso artístico na companhia de Catarino, Seth Swazi e do seu irmão Osvaldo Luís, constituindo um quarteto de adolescentes designado Ndzuti (sombra em changana).

Alguns anos mais tarde, saiu da sombra a procura de um lugar ao sol numa carreira a solo, como igualmente o fizeram os restantes membros do agrupo.

“Lambinha”, que é mais um passo dessa busca por afirmação, é constituído por 12 faixas, interpretadas em diversas línguas nacionais, entre elas guitonga, changana, emakua, ximaconde, para além de português e francês.

Sob ponto de vista rítmico, Jomalu ingressou para o afro-jazz para construir um edifício cujos alicerces são ritmos moçambicanos, como o zorre, ngalanga, niketche, entre outros.

“Não me imponho fronteiras de formatos e me desafio ao difícil, daí essa mistura”, sublinha.

A gestação de “Lambinha” começou em 2014, tendo ganho vida nos finais do ano passado. A produção foi do próprio Jomalu, com arranjos de Dodó, Nené e Thapelo.

A gravação foi feita por uma banda constituída por Stélio Zoé (bateria), Samito Tembe e Caboxa (precursão), Muzila (saxofone), Thapelo e Lírio (teclado), Onésia Muholo, Lala Mahigo (coros), Dodó (solo e contra-solo) e Castro (violino).

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