SEXTA-FEIRA foi um dia frio, como, aliás, tem sido nos últimos dias na cidade de Maputo. Ideal para um programa caseiro, mas o chamamento de Jomalu, que lançava “Lambinha- bootlicker”, o seu terceiro álbum, foi mais forte.

Não resistindo, um público jovem, constituído, na sua maioria, por gente no intervalo entre vinte e quarenta anos, aglomerou-se no portão da sala grande do “Franco” à espera do sino tocar para ouvir aqueles versos que dizem muito sobre si mesmo.

Agasalhados, viram entrar Jomalu. E, africano que é, começou por interpretar “Mafalala”, um tema em tributo ao bairro que o viu nascer e acompanhou o seu crescimento.

Era igualmente um tributo a uma das zonas que é um dos berços do nacionalismo, pois alguns intelectuais que libertaram o país, seja através de armas de fogo, da escrita ou até do futebol, ali se fizeram indivíduos conscientes.

Já de início, no centro do palco, a sua guitarra repousada ao lado de uma cadeira, evidenciava que o concerto seria um constante diálogo entre Jomalu e a banda.

“Mwamanyodadavale”, um título em guitonga, que traduzido para português seria “homem que não presta”, foi o segundo tema. Um pouco mais solto que no anterior número, o intérprete já se espalhava pelo palco. A plateia começava também a soltar-se.

Depois cantou “Maman”, um tema em francês, o que evidencia se tratar de um projecto que o roça a universalidade, na qual cabem todas as línguas.

Depois, Jomalu rumou para um outro tributo…era a vez de “Ndriango”, em dueto com Naldo Ngoca. Nesta música, ambos expressam a amizade que tem um pelo outro. Afinal, há anos que se conhecem e partilham a música.

“Quando o Kelvin nasceu, eu estava a produzir o meu segundo álbum e, por isso, produzi um tema em sua homenagem. Agora tenho uma menina. E para que ela amanhã não me exija, fiz uma música em seu tributo”, explicou Jomalu, antes de chamar a Khedzwa, cujo nome dá título a música “Khedzwa, minha filha linda”.

A princesinha subiu ao palco, deu um abraço no pai e voltou aos camarins. Um pormenor chamava atenção no início de cada interpretação: o público antecipava-se, cantando, em muitos casos, fora do tom certo.

O tema é o verter dos adjectivos que só cabem na voz de um pai apaixonado e emocionado por ter colocado uma vida no mundo. Mas antes, explorando as suas raízes, até porque ao invés de uma garrafa de água mineral, no meio do palco tinha água num pote de barro, que ele ia bebendo com uma caneca feita de cafuro de coco e apoiada num pau.

Em “Ndzita Vuya”, Jomalu explora o poema laudatório e evocativo das suas raízes. Esta é uma forma de expressão de sentimentos e opiniões, normalmente feito à capela em cerimónias tradicionais, sendo que ele era acompanhado por uma banda.

Enquanto ia para o intervalo, Jomalu convidou Isabel Novella, que recriou “Moya”, seu original.

Ao voltar, Jomalu ainda fez um dueto.

Depois vieram Xixel Langa e Salimo Mohamed que fizeram parte da festa, com o público ora a levantar, ora a cantar. E assim, o concerto correu até à recta final, numa noite de frio.

“Lambinha” é também um álbum autobiográfico, no qual Jomalu fala sobre angústias, conquistas e sonhos da sua geração. Mas, também Jomalu celebra, neste disco, a vida e a arte, sintetizada na música que ele faz com muito apreço.

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