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“FILHO de peixe sabe nadar”. Embora clichê, a expressão encaixa-se neste contexto, pois nascida no meio de música clássica por via do pai, o maestro Justino Chemane, compositor do primeiro Hino Nacional de Moçambique independente (o famoso “Viva, Viva a Frelimo”) e fundador do Majescoral, a jovem cantora Rodhália Silvestre descobriu que a primeira arte é o seu refúgio.

Prémio Revelação do Nngoma Moçambique 2017, parada musical promovida pela Rádio Moçambique, a intérprete assume: “para mim a música é uma terapia. Eu canto para mim”, disse, em entrevista ao “Notícias”.

Com certa repulsa, chupando o néctar de uma flor, arrancada numa das plantas do jardim do Centro Cultural Franco-Moçambicano, onde decorria a conversa, diz não entender o que as pessoas pretendem quando a interpelam com frases como “cantas bem ou cantas muito”. “Eu não sei o que é isso”, faz questão de sublinhar, Rodhália Silvestre.

A razão depois se clareia no instante em que revela que não é a fama que a guia. A música é um tubo de escape, que, conforme descreve, a leva a experimentar um contacto com os seus ancestrais. A primeira arte é o espaço no qual ela se reencontra e se recria.

“Quando subo ao palco, vou para outro mundo… sinto uma paz. É como se saísse deste mundo e experimentasse uma paz de espírito”, se expõe. E revela: “só abro os olhos às palmas da plateia ou quando os meus colegas me chamam”.

Há já vários anos que andou pelas tascas da cidade distribuindo a sua música, tendo já, nessa altura, conforme atesta o percussionista Samito Tembe, “mostrado que ela é muito boa na música que faz”. A voz de Rodhália é um elemento que não passa despercebido, devido, em parte, a transmutações que é capaz de fazer numa mesma interpretação.

O percussionista, líder do projecto Açúcar Castanho Experiment, felicitou o prémio e disse considerar-se esperançoso que com o novo público que está a formar-se em Maputo, consumidor e preocupado com a música que vai ouvir, este galardão possa sinalizar para outros valores que precisam sair do anonimato.

Aos 32 anos, Rodhália Silvestre é uma mulher com feridas profundas que os espinhos da vida foram desferindo ao longo do seu percurso. Uma das peripécias foi o facto de aos 16 anos ter que amadurecer de forma brusca e precoce, pois se tornara órfã.

Numa situação vulnerável, foi aprendendo as lições que a vida ia dando. O caderno e a cábula nos momentos de provações maiores eram a sua memória, experiências e bom senso, a que as circunstâncias a iam relegando.

Filha do mastro Chemane

O SEU pai é o maestro Justino Chemane, compositor do primeiro Hino Nacional, “Viva, viva a Frelimo” e compositor do actual, “Pátria Armada”. Produziu e tinha gravado mais de 150 músicas, que foram reproduzidas pela Rádio Moçambique.

Em meados de 1996, o maestro Chemane anunciava o lançamento de um grupo coral, que, segundo dizia, “é para elevar a música coral em Moçambique”, sempre guiado pelos exemplos, como a Tanzânia e África do Sul, que já possuíam os seus, alimentando o público doméstico amante deste género musical.

O grupo é Majescoral, que ainda perdura, realizando hoje poucos concertos nalgumas salas, como recentemente, Teatro Avenida.

Os restos mortais do maestro Justino Chemane foram depositados, em 2004, na cripta da Praça dos Heróis Moçambicanos. O seu nome foi dado a uma rua município da Matola.   

Ao ritmo da vida

“Eu tive que abandonar a escola para correr atrás da vida e aprendi muita coisa”, disse, reiterando que “se tivesse que fazer novamente, faria igual. Não me arrependo de nada que já tenha feito”.

Aos 18 anos assume-se cantora. Mas já aos seis, quando estudava ópera na Suazilândia – onde residiu até aos 12 anos – altura em que a sua família regressou ao país -, vencera um concurso de voz na escola.

Desde cedo que os pais viam o potencial e inclinação que tinha para a música, daí que a terem incentivado, embora “nunca tenha feito música para agradar a ninguém. Como qualquer criança procurava a aprovação do meu pai”.

Em vão, o maestro Chemane sempre reprovava as suas incursões pela composição, que, entusiasmada, corria a sala para o mostrar.

Nessa altura era o rap que a movia. Depois foi gospel. Seguiram-se diversos outros estágios até experimentar o reggae que nela instituiu residência e não mais a abandonou. Se bem que o progenitor pode ter sido um dos impulsionadores, pois, se de segunda à sexta-feira só imperava a música clássica, aos finais de semana, ninguém o convencia a reproduzir outro género, senão o eternizado por Bob Marley, Peter Tosh, Luck Dube…

Como se pôde observar na Festa da Música do ano passado, no Centro Cultural Franco-Moçambicano, e nos concertos seguintes, destacando-se a sua aparição na homenagem a Cesárea Évora e no aniversário da Orquestra Timbila Muzimba.

O seu exercício musical culmina numa mescla de música clássica, soul, jazz, blues e reggae. Nota-se uma enorme queda pelo afro-jazz apesar de, conforme disse, não seja um género que muito ouça.

“Não gosto de ouvir músicas da minha área”, justificou, sempre com dificuldades na seleção das palavras, pois apenas domina inglês e changana. Morou oito anos na Cidade do Cabo, fazendo música, tendo, inclusive, acompanhando alguns artistas no Cape Town Jazz Festival 2011.

A música era o seu emprego, era dos – como se diz no jargão dos músicos – gigs que produzia o pão para partilhar com as suas filhasna mesa de casa. “Eu não sou de restaurantes, se vou, o que como, faço Take Away para dividir com as minhas filhas em casa, me sentiria a trai-las se não o fizesse”. Ambas eram – e são – a luz que guia a sua caminhada.

Pelo que explicou, nunca tinha visto nesta arte uma fonte de rendimento sustentável, mas é como escreveu o rapper Azagaia, “o pão para alimentar as minhas filhas têm preço” e a música podia ser uma fonte.

O mercado sul-africano está a milhas na dianteira do moçambicano, tanto a nível de consumo, assim como de qualidade do produto que é oferecido em termos de conteúdo musical, tendo neste diapasão, em conta, questões como a fusão de ritmos, arranjos, samples, vocalidade, dicção, sentimento, energia, verdade na música com identidade própria... Não obstante, como diria a sabedoria Bantu, “casa é casa”, e ela, em 2015 voltou ao país, para, definitivamente, instalar-se.

Tocar sua própria música

RODHÁLIA Silvestre, espontânea e sincera, descreve-se mulher batalhadora, como várias que dia-a-dia se fazem à rua na busca de alimento para os seus pupilos. Ela desenvolve outras actividades fora da música. Não é, porém, esta a sua justificação para suas ausências nos espetáculos e concertos que acontecem nas noites de Maputo.

“Eu quando vou a um espectáculo quero aprender, tenho que sair de lá com alguma lição e, se isso não vai acontecer, prefiro ficar em casa”, revela, afirmando que a música nacional ainda está a quem do desejável, pois falta uma indústria que possa filtrar, a ponto de só os bons chegarem e permanecerem no mainstream.

Aponta, entretanto, que há alguns valores que estão a surgir que merecem a devida atenção, tais são Ónesia Muholove, assim como já firmados, no caso de Xixel Langa.

Mas, tal qual Samito Tembe, ela observa que há um aumento de casas de pasto a apostar na música ao vivo, que apesar de, pelo que diz, ainda não custear todas as despesas devidamente, já possibilita organizar uma vida minimamente digna.

O prémio arrecadado no Ngoma Moçambique é por ela encarado como uma abertura de portas para outras oportunidades que serão, pelo que promete, bem aproveitadas. E o álbum que a leva ao estúdio é uma das provas.

 

Leonel Matusse Jr.

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