AOS 60 anos, Chico António ainda esbanja jovialidade e não vive só de “Memórias” - o seu álbum - pois há mais músicas, como se viu no Centro Cultural Franco Moçambicano (CCFM), em Maputo, durante o concerto de celebração das suas seis décadas de vida.

Franzino, com o violão ao colo, o autor de “Baila Maria”, subiu sexta-feira ao palco da sala grande do “Franco” para soltar a voz, que foi suportada, na secção rítmica, pelos dedilhares de Carlos Gove, no baixo, enquanto Stélio Zoé, na bateria mantinha o tempo e o pulso.

African Melody” foi o título que abriu o concerto, com o acompanhamento, nos coros, dos irmãos Onésia e Paulo Muholove, ladeados pelos sopros de Timóteo Cuche, ora no saxofone tenor, ora na flauta.

A energia e jovialidade de Chico António, que desmentem os seus 60 anos de idade, foram desde logo se impondo, de tal maneira que, quando ordenou “Abram alas”, já a vénia tinha sido feita e a plateia se deleitava com a sua música.

Celebrou-se “Mercandonga”, “Negra Macua”, “MAgica Mine”, “Xibubutela”. A banda imprimia um “feeling” contagiante, permitindo um ambiente descontraído no “Franco”.

Da guitarra de Jorge Domingos libertavam-se acordes que preenchiam a música e desfilavam pelo palco, ofuscando, em vários momentos, a performance de Rufas, que fazia o teclado.

“Se fosse um jogo de futebol, eu diria que Jorge Domingos foi o melhor jogador em campo”, comentou, no final do espectáculo, o jornalista Crespim Mabuluko.

A origem da entrega e da naturalidade com que oferecia a música ficou algo esclarecida quando Chico António disse, na apresentação da banda, que ele é filho de João Domingos, um dos mafalalenses mais importantes na arquitectura da marrabenta.    

Sereno no meio do palco, Chico prosseguiu. Conduziu a plateia para dentro de si, da sua história, ao interpretar “João Gala Gala”, que é uma personagem que se confunde com o músico.

Até porque ele mesmo contou ao nosso colega Belmiro Adamugy, numa entrevista publicada no “Domingo”, que “para não dizer Chico, usei esse, o João Gala-Gala”. A história por detrás da música é de um morador de rua que o músico foi, durante dois anos.

Na referida matéria, que narra o percurso de Chico António, disse que essa canção é um apelo para se respeitarem os meninos da rua.

A veia do retratista e contador de histórias voltou ao repertório em “Maimuna”. E a maturidade, afinal o concerto se intitulava “Chico 60”, porque celebrava a sua idade, veio ao de cima quando a sua voz libertou-se para “Miragem”, onde recorda que “as coisas na vida parecem fáceis de encontrar e que tudo é só uma questão de tempo”. Será?

Não nos cabe responder, mas o compositor, num dos versos deixa uma pista: “…um lance mal feito pode ser a morte do rei”. Os sopros Timóteo Cuche iam entrando pelas músicas, a prolongar e preencher a harmonia.

Jorge Domingos entregava-se. Era como se a vida se resumisse àquele momento. Muitas vezes ele foi o espectáculo. Só ele, suplantando a banda e o próprio Chico António.

O repertório incluiu “Mamati”, “Camarão”, “Zizi”, “Xikwembo Jazz”. A energia do intérprete, que na infância quis ser electricista, recebeu mais voltagens em “Tetego” – tema recriado por Moreira Chonguiça.

Para “Cineta”, convidou a jovem Onésia Muholove, que nos últimos quatro anos vem acompanhando vários projectos – Jimmy Dludlu, TP50, João Cabral, As Marias -, com quem fez um duelo.

Há, na convidada, um “quê” de dramaturgia – nota-se desde os movimentos e passos de dança que imprime e estimula a quem está ao seu lado nos coros - da música que interpreta e ao cruzar com a troca de carinhos de Chico resultou ali numa mensagem de amor. 

Como não podia deixar de ser, “Baila Maria” foi o tema escolhido para fechar. Celebrada na voz de Mingas, desta vez foi com Onésia que a personagem mais aplaudida do moço de 60 anos ganhou vida.

“Mais uma, mais uma, mais uma”, implorou o público. Obediates, no encore, voltaram a querida do Chico António em “Antlissa Maria”.

Para animar o concerto, Chico 60, foi convidando o músico Rito Jacinto, que interpretou “Xinhanhane xa Mamane”, seu original.

LEONEL MATUSSE JR

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