Alegações de corrupção, assédio sexual e quebra de confidencialidade estão a abalar a Academia Sueca, instituição que concebe os prestigiados prémios Nobel: Literatura, Física, Medicina, Economia, Química e Paz.

Mas é o comité que atribui o Nobel de Literatura que está seriamente afectado pelos escândalos.

Vamos aos factos.

“I'm leaving the table, I'm out of the game” (“Estou a deixar a mesa, estou fora do jogo”). Foi com estas palavras do músico e compositor Leonard Cohen que o escritor Klas Östergren despediu-se, semana passada, da Academia Sueca.

O problema é que outros dois integrantes do grémio, Kjell Espmark e Peter Englund, fizeram o mesmo, colocando a capacidade de actuação do órgão em risco.

Dos 18 assentos da academia, apenas 13 continuam ocupados. Há alguns anos, outros dois integrantes do colégio chegaram a abandoná-lo devido a disputas internas.

E mais: a autora Sara Stridsberg disse no fim-de-semana que também considera parar de frequentar a instituição. Isso significaria que a Academia, com os seus 12 participantes activos restantes, não teria mais quórum para funcionar.

Segundo a publicação brasileira, Cartacapital, que cita o DW, no centro das discussões estão a escritora Katarina Frostenson e o seu marido, o fotógrafo Jean-Claude Arnault. Ele é um dos nomes mais influentes na cena cultural da Suécia, também devido ao seu casamento com Frostenson, integrante da Academia Sueca.

E em face das várias acusações, inclusive de corrupção, Frostenson deveria ter sido excluída – mas não foi – do órgão numa reunião na última quinta-feira.

O que exactamente motivou os três membros, Östergren, Espmark e Englund, a deixar a academia, não é certo, por haver que se respeitar a regra do sigilo.

Porém, Espmark comentou a fracassada tentativa de exclusão de Frostenson com a frase: “a amizade foi colocada à frente da integridade”. Tais palavras deixam claro o que fez com que ele, e provavelmente também os seus outros dois colegas, tomasse a decisão de se retirar da equipa.

Katarina Frostenson, da Academia Sueca desde 1992 e com poder de voto na concessão do Prémio Nobel de Literatura, é alvo de uma série de acusações. Uma delas é a de que teria violado a regra de confidencialidade ao revelar ao marido os nomes dos futuros laureados do Nobel de Literatura.

Além disso, descobriu-se que ela era sócia do clube de arte comercial particular do marido. A instituição recebia regularmente apoio financeiro da Academia Sueca, permitindo assim que, na prática, a escritora de 65 anos decidisse sobre doações para si mesma.

No próprio clube também teriam sido cometidos delitos, tal como a distribuição ilegal de bebidas alcoólicas e fraude fiscal. Um escritório de advocacia a serviço da Academia Sueca chegou a propor que o clube fosse formalmente denunciado.

De assédio sexual a estupro

Como se não bastassem estes actos para desacreditar a até então prestigiosa academia do Nobel de Literatura, em Novembro do ano passado, vieram à tona acusações de assédio sexual.

Dezoito mulheres afirmaram ao jornal sueco Dagens Nyheter terem sido assediadas pelo marido de Frostenson, num caso com relato até de estupro. Muitos dos abusos teriam ocorrido no centro cultural de Jean-Claude Arnault, co-financiado pela academia, e em apartamentos em Estocolmo e Paris, que foram disponibilizados a ele pela Academia Sueca.

Arnault teria usado as suas ligações com a instituição para pressionar as vítimas, dentre as quais estariam aspirantes a escritoras e ex-funcionárias do clube de arte. Mas ele nega todas as acusações.

Depois do escândalo, a secretária permanente da academia, Sara Danius, apontou um escritório de advocacia para investigar as alegações de obtenção de vantagens pessoais. A maioria das acusações contra Arnault, as quais perfazem um período de 21 anos, provou não ser passível de punição.

Já a questão de apropriação indevida de fundos continua sob investigação. Segundo a agência de notícias alemã DPA, conclusões são esperadas até o fim desta semana.

Na quinta-feira passada, a Academia Sueca submeteu à votação a exclusão de Frostenson. Contudo, a maioria necessária de dois terços não foi alcançada.

“Isso é extremamente lamentável, mas eu entendo a decisão”, comentou Sara Danius ao periódico Svenska Dagbladet. Ela mesma havia defendido a exclusão de Frostenson.

Após a tentativa fracassada de excluir a escritora, Englund, Espmark e Östergren disseram ter abandonado os seus assentos na academia, mas, na verdade, isso não é permitido, de acordo com o estatuto da entidade. É que quem é eleito para a academia adquire o posto de integrante vitalício, podendo apenas decidir não participar nas sessões.

É possível, porém, que isso mude brevemente com a alteração dos estatutos da academia. Sara Danius anunciou que serão revistos os estatutos para abrir a possibilidade de um membro, querendo, deixar o seu assento. “Se um membro quiser deixar a academia, isso deveria ser possível”, disse.

Enquanto isso, a capacidade de actuação do importante órgão está em risco. Por exemplo, caso Stridsberg ou outro integrante da academia decida afastar-se, a instituição deixará de ter quórum. Por outro lado, se Frostenson retirar-se voluntariamente, há esperanças de que Englund, Espmark e Östergren possam reconsiderar a sua decisão.

Por ora, Danius e o rei sueco, Carl Gustaf, procuram uma saída para a crise. Considerado “alto protector da academia”, o rei chamou o episódio de “um triste desdobramento”, mas mostrou-se confiante de que tais problemas serão “resolvidos mais cedo ou mais tarde”.

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