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Passam quase três meses após a tragédia que matou 16 pessoas e forçou outras tantas (mais de 300) a abandonarem o que durante décadas chamavam de lar, no Hulene. Na semana passada, finalmente as famílias abandonaram os centros de acomodação, marcando apenas um passo para a reconquista da dignidade que lhes foi tirada no fatídico 19 de Fevereiro.

Sem lar, dezenas de famílias encontraram, durante dias e noites, conforto nas tendas dos centros de acomodação no bairro Ferroviário e no Albasine, cidade de Maputo. Entre pesadelos e recordações que se confundem com cenas de filmes de terror, foram passados os dias nos centros de acomodação, longe da lixeira, mas a respirar o mesmo odor da incerteza.

Por causa da tragédia, os dias teimosamente custaram a passar. No entanto, as famílias já suspiram de alívio com a intervenção do governo para que possam arrendar casas, enquanto esperam pela construção de novas habitações no distrito de Marracuene, para onde devem se mudar dentro de um ano.

Cecília Mbenzane, de 37 anos, uma das sobreviventes, revive as recordações dos dois filhos, a irmã, o cunhado e os sobrinhos que perderam a vida na tragédia. Cada vez que se lembra dos factos caiem-lhe lágrimas dos olhos e questiona porquê sobreviveu. Os seus passos ficaram lentos por conta dos ferimentos que sofreu.

“Nem sei o que aconteceu. Dizem que me encontraram entre as chapas de zinco da minha antiga casa. Pensavam que estava morta”, contou.

Ela só recuperou os sentidos no hospital, onde lhe deram conta da gravidade da situação, que não havia recuo e muito menos como trazer a família de volta.

Encontramo-la sentada no centro de acomodação do bairro Ferroviário, onde passou os dias com outros sobreviventes. Mbezane fala sem motivação, mas com os olhos postos na reconstrução da sua vida.

Tudo aconteceu por volta das três horas da madrugada do dia 19 de Fevereiro. Chovia torrencialmente. No interior das casas cobertas de chapas de zinco as gotas confundiam-se com tiros disparados à queima-roupa. Foi quando de repente se ouviu um estrondo e o amontoado de lixo que atingia pouco mais de 50 metros de altura desmoronou sobre as casas, algumas das quais ficaram literalmente cobertas. A ajuda veio de todos os lados e confirmou-se o que já se receava: A lixeira voltou a provocar danos.

Há mais de 20 anos que é equacionada a transferência da lixeira de Hulene por ter atingido o limite de capacidade, mas os ensaios ainda não tinham permitido um desfecho desejável até que a tragédia aconteceu.

O facto é que por conta da tragédia, centenas de pessoas viveram sob cuidados do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) que não poupou esforços para que os deslocados tivessem condições básicas, nomeadamente comida na mesa, roupas, água e a higiene pessoal.

As noites frias nas tendas

Segundoo porta-voz do INGC, Paulo Tomás, no centro de acolhimento do bairro Ferroviário chegaram a viver 196 pessoas e outras 155 no bairro do Albasine.

Esta foi uma situação descrita como sendo de emergência. Na verdade, as famílias ansiavam por estar nas suas próprias casas. A vida no centro acabou sendo cansativa pela dificuldade que há de conciliar formas de ser e estar e sobretudo as vontades.

Por isso mesmo, houve quem acabou entregando os filhos ao cuidado de familiares, para que não sentissem o peso de viver na condição de deslocados e as noites frias anunciadas pelo inverno que avança sem freio.

Apesar das inconveniências, contaram que não sentiam saudades da vida que levavam nas imediações da lixeira, que segundo garantias do governo, será encerrada em breve, num investimento avaliado em 110 milhões de dólares norte-americanos.

Antonieta Cossa vivia nas proximidades da lixeira de Hulene e desde o dia do incidente foi transferida para Albasine, numa tenda onde cabia apenas o seu corpo e pequenos objectos, uma vez que a mesma era compartilhada com os demais.

Teresa Vasco vivia na mesma tenda que Antonieta. Contou que a sua residência estava situada a 20 metros do local do acidente. Desde que a tragédia aconteceu a sua vida mudou.

“É difícil não ter casa, não ter nada”, contou.

Esperança Armando, outra sobrevivente, está ansiosa pelo dia em que o Conselho Municipal da Cidade de Maputo vai-lhes mostrar as suas novas casas.

“Só vou acreditar depois de ver o local”, disse.

O INGC garantiu que no centro não foram registados casos de doenças diarreicas, como cólera.

“A água era tratada. Diariamente recebíamos tanques com o precioso líquido, cerca de mil litros”, referiu uma funcionária da entidade.

O fim está próximo

Depoisde problemas de natureza burocrática que marcaram os primeiros dias do processo de transferência das famílias para as casas arrendadas, na semana passada finalmente o processo avançou. Praticamente o universo de famílias que estava a viver nos centros de acomodação já estava em casas arrendadas.

“Há condições para encerrar os locais de abrigo dentro de dias”, assegurou a delegada do INGC-cidade, Fátima Belchior.

Ainda esta semana as autoridades esperam poder anunciar o encerramento definitivo dos centros de acomodação. 

Entre sonhos e expectativas, as famílias anseiam uma oportunidade para reiniciar as suas vidas de forma independente. Alguns dos entrevistados pelo “Notícias” garantiram que já estavam organizados para abandonar os centros de acomodação e o sinal dado pelo governo veio mesmo a calhar.

Depois de cerca de 90 dias de permanência no local, o governo assegurou às famílias que está em  preparação a construção das casas definitivas em Possulane, distrito de Marracuene, num prazo de um ano. Neste momento, está em curso a selecção do empreiteiro para executar as obras.

Apesar do encerramento dos centros de acolhimento ser uma certeza, ainda será necessário um trabalho profundo para que as famílias não voltem a ficar perante outros riscos no futuro.

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