Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

OS artistas moçambicanos têm que começar a olhar para os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) como potenciais mercados para colocarem as suas obras.

Esta sugestão foi dada pelos participantes do programa “Azgo Dialogar”, uma iniciativa que surge no âmbito do festival de música “Azgo”, cujo espectáculo está agendado para sábado.

A proposta foi avançada no primeiro painel de debate, que decorreu no campus principal da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), onde vai ter lugar o espectáculo.

Composto pela cantora Mingas, o académico Pedro Nhacote e o embaixador da União Europeia, Sven Kühn von Burgsdorf, este painel discutiu o tema “Financiamentos para o Sector Cultural para 2019”.

Reconhecendo as limitações no poder de compra da maioria dos moçambicanos, os painelistas propuseram uma visão que alcance para além-fronteiras, sobretudo os países falantes de língua portuguesa, que, com relativa facilidade, receberiam.

“O Brasil é um grande mercado e Portugal pode ser uma porta de entrada para a Europa”, disse Sven Kühn von Burgsdorff.

Conhecedor da realidade moçambicana devido à sua larga experiência no país, disse que pesquisas indicam que a crise que agora se atravessa não está com previsões de melhorar, pelo menos até 2022, a opção pode ser exportar a arte.

O embaixador apontou exemplos de países africanos como Nigéria e Cabo Verde que conseguiram furar no mercado internacional para sustentar, que é uma via alternativa possível de trilhar e com possibilidades de sucesso.

Por outro lado, Sven Kühn von Burgsdorff destacou que as artes têm um potencial de contribuir para todos os outros sectores da sociedade, como “educação cívica, desenvolvimento económico e político e património cultural”.

Daí, justificou, a União Europeia estar a financiar projectos nesse sentido, tendo desembolsado cinco milhões de euros, dos nove disponíveis até 2023. Neste quadro foram beneficiados 17 iniciativas.

Mingas, que se apresentou como Elisa Domingas Jamisse, seu nome de registo, falou da sua experiência que vem adquirindo com a Associação Vuka (Avuka), com a qual desenvolve acções de carácter social, tendo a sua música como chamariz.

Conforme explicou a autora de “Vuka África” (que na língua portuguesa seria “despertai”), álbum que inspirou a designação à associação, a entidade organiza eventos de crianças com objectivo de dotar-lhes de conhecimentos sobre cidadania numa perspectiva humanista.

“Eu canto para educar a sociedade, para consciencializar o cidadão”, disse. Para a concretização desse anseio era preciso dinheiro, pelo que juntou a sua entidade a uma outra de forma a conseguir financiamento.

Neste sentido, reiterando o poder das artes para influenciar a sociedade, defendeu que, nalguns casos, é necessário que se trabalhe em conjunto para que, de facto, cumpram com o seu papel social, que vai para além da obra em si.

Necessidade de auto-superação

PEDRO Nhachote, por sua vez, pesquisador e fundador do Observatório Cultural de Moçambique (OCULTU), disse que uma das limitações que acaba comprometendo as organizações da área das artes e cultura com vontade de intervir é a sua limitação técnica.

Nalguns casos, prosseguiu, essas entidades pedem financiamento sem que se quer estejam legalmente registadas.

Por outro lado, reconheceu que o financiamento é um desafio a se ter em conta, daí a necessidade de se prosseguir o debate. Antes disse que “temos que pensar como nos sustentar sem que haja esses financiamentos”.

O segundo painel discutiu o tema “Direitos Conexos e de Publicação”, tendo sido composto por José Manuel Luís, em representação da Sociedade Moçambicana de Autores (SOMAS), o cineasta Sol de Carvalho, o presidente da sul-africana Sheer Music, David Alexander.

Nesta mesa, José Manuel Luís, conhecido na música como Jomalu, lamentou o facto de vários artistas desconhecerem os seus direitos relativos aos benefícios que as suas obras oferecem em termos de retornos monetários.

De igual modo, queixou-se de a SOMAS não ter capacidade jurídica para impor que as casas de pasto, algumas agências de publicidade, as estações de rádio e de televisão paguem pelas transmissões que fazem das obras de arte.

“A lei e o regulamento são muito importantes neste sentido, pois, nos permitiria intervir melhor”, considerou Jomalu.

Na sua opinião, por outro lado, é preciso que se trabalhe na educação da sociedade para que esta possa perceber a importância de pagar ao artista pelo seu trabalho. Foi neste quadro que disse que a entidade está a tentar introduzir esta temática nas escolas para que as próximas gerações possam crescer cientes da necessidade de serem justos.

Sol de Carvalho, por sua vez, disse que o cinema é a área que mais lida com esta questão pelo facto de envolver muitas pessoas na sua produção, desde a escrita à música.

O cineasta apontou que em países como a França, em que a indústria está mais sólida, as estações de televisão não transmitem o filme sem que todos tenham recebido o que é de direito. “Em Moçambique eles passam de borla e não estão preocupados com essas questões”, disse.

Por outro lado chamou atenção ao facto de, no que diz respeito à fotografia, a questão do direito do autor ser ainda mais alarmante, pois, caso o fotógrafo tenha feito a foto a trabalhar num órgão de comunicação, a instituição é que se assume proprietária.

“Uma foto feita há 20 anos atrás, se não está assinada, não temos como provar que de facto pertence a sicrano ou a fulano”, concluiu.

DEBATES PROSSEGUEM

Os debates voltam esta manhã no campus principal da UEM. O primeiro painel, a iniciar às 9.30 horas, terá como tema “Gerenciamento de Artistas”.

Para tal discussão foram convidados Rufus Maculuve (moderador), Bang (Bang Entretimento), Izidine Samamade (Negócios de Família) e José da Silva (Luso África).

O painel seguinte, agendado para as 11.15 horas, será voltado a questão dos “Direitos Conexos, Publicação, Comercialização da Música e Plataformas Digitais”, com Zé Pires (moderador), Milton Gulli (Khongoloti Records), G2 (Mozik), Ben Oldifield (The Orchard).

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