A ESTREIA nacional de “Moya”, missa para quinteto de cordas, do jovem Estevão Chissano, aluno do Xiquitsi, é uma das promessas da abertura da Temporada de Música Clássica, deste ano, a ter lugar no próximo dia 8 de Maio, no Conselho Municipal de Maputo. Leia mais

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O escritor e jornalista Mia Couto considera que “falta muito para a Europa conhecer a diversidade de vozes, que vêm de África” e lamentou que, no contexto mundial, a África lusófona seja um “subúrbio do subúrbio”.

As declarações do escritor moçambicano foram feitas numa entrevista à agência EFE, no âmbito da festa literária de Saint Jordi, em Barcelona, na qual irá participar.

“A Europa não conhece a literatura africana e, embora a situação já tenha melhorado muito, continuam a ser alguns nomes, em boa parte nigerianos da diáspora, que contam uma certa visão do seu mundo, que é um mundo de mestiçagem, mas creio que ainda falta muito para conhecer o continente, linguisticamente, mais rico do mundo”, afirmou, em vésperas do Dia Mundial do Livro.

África – acrescentou – herdou algo que não é próprio, “um peso da Europa”, que se traduziu em três Áfricas: a francófona, a anglófona e a lusófona. “Se África já é um subúrbio, no contexto do mundo, a lusófona é um subúrbio do subúrbio, porque não tem o peso cultural do inglês e do francês”.

A herança linguística que Moçambique recebeu foi “uma conquista mútua, que compartilhamos” e, hoje, o português enriqueceu-se pelo Brasil e pelos cinco países africanos, e acabou aceitando contribuições de outras culturas, considerou.

O autor, que abordou a guerra civil moçambicana e o colonialismo português na sua obra literária, considera que “a paz, no sentido formal, é um processo ainda em curso”, que durará enquanto continuar a existir uma força militar da RENAMO, que reactive a violência, sempre que não consiga no parlamento uma vitória política.

A contribuição da literatura, para esse processo de paz, é, na opinião do escritor, “ter feito uma incursão num território proibido: a memória da guerra”.

Mia Couto comentou que, se alguém visita hoje Moçambique, parece que não houve guerra e isso acontece porque “as pessoas optaram por esquecer, não foi uma coisa das forças políticas, mas sim das pessoas, pois as raízes da guerra continuam vivas e ninguém quer reabrir essa caixa de Pandora”.

A literatura ajudou a “visitar esse tempo cruel, a guerra, e tentou reumanizá-la através de histórias contadas às pessoas que nela intervieram”, disse.

Sobre o dia do livro, Mia Couto confessa que lhe falaram tanto de Sant Jordi que é como se já conhecesse a festa: “É algo estranho no mundo e isto é motivo de esperança nos tempos que correm”, comentou.

Os seus inícios na poesia foram resultado “mais de incompetência do que de competência” e, como filho de um poeta, cresceu com a poesia em casa.

“O meu pai vivia, poeticamente, e dava importância a coisas que não eram visíveis, que eram inúteis e isso ajudou-nos a ter uma visão do mundo. E foi ele quem me roubou os versos, que saíram no jornal e que publicou sem a minha autorização; e embora na altura me tenha chateado muito com ele, agora estou-lhe, eternamente, agradecido”.

Apesar de, posteriormente, se ter dedicado à narrativa, Mia Couto continua a considerar-se “um poeta que conta histórias” e acrescenta que “em Moçambique é difícil não ser poeta, porque este encontro entre diferentes visões do mundo só se pode resolver através da poesia” e a África que conhece “é poética”.

O lirismo africano, que se produz de norte a sul está, intimamente, ligado a uma cultura dominada pela “oralidade”, num continente em que as tradições orais estão muito vivas.

Sobre a questão do rigor, o escritor relatou: “Uma vez um macaco viu um peixe num rio e pensou pobre animal, está-se a afogar. Pegou nele e verificando que se mexia, pensou que era de felicidade, mas acabou por morrer. Pensou que se tivesse chegado antes, teria conseguido salvá-lo. O mundo está cheio de salvadores, e esta história foi o melhor combate à demagogia do político”.

Depois de ter recentemente publicado “Trilogia de Moçambique”/ “As Areias do Imperador” (“Mulheres de Cinzas”, “A Espada e a Azagaia” e “O Bebedor de Horizontes”), Mia Couto já tem escritos doze capítulos do seu novo livro, um romance sobre a infância na sua cidade natal da Beira.

“Ia visitar a minha cidade, para reactivar memórias, mas nessa semana ocorreu o furacão e não pude, e esse facto mudará, profundamente, esta história. Ia em busca das minhas recordações e alguns desses lugares já não existem”, assinalou Mia Couto, que se sente “perdido neste momento”, um pouco órfão da sua própria infância.

O escritor revela ainda a sua ligação à poesia de Lorca e de Miguel Hernández, como herança poética do pai, mas também por “empatia política com a história que encarnaram ambos”, um vínculo, que perdurou no tempo, graças às versões musicadas de Joan Manuel Serrat.

 

 

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O MINISTRO da Cultura e Turismo, Silva Dunduro, recebe hoje, no seu gabinete de trabalho, na cidade de Maputo, a organização do Festival AZGO. O encontro tem por objectivo reconhecer a contribuição do festival na consolidação das indústrias culturais e economias criactivas no país e encorajar o sector privado a imprimir mais dinamismo na promoção da arte e cultura no país.  Leia mais

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A EXPOSIÇÃO individual do artista plástico e ministro de Cultura e Turismo, Silva Dunduro, que abriu ontem, na cidade de Maputo, celebra a beleza da mulher e convida a prestar vénia a elas que, diariamente, batalham para a construção do país. Leia mais

 

 

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O músico moçambicano Jesse Malunguissa e o actor brasileiro Expedito Araújo sobem hoje ao palco do Centro Cultural Brasil Moçambique (CCBM), para apresentarem a obra “Ser Minas Tão Gerais”.

O espectáculo é uma homenagem ao Estado de Minas Gerais, que, recentemente, vivenciou o rompimento da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho. A tragédia trouxe dor e traumas a centenas de famílias.

Os artistas vão recorrer a músicas locais e interpretação, em leitura dramática, de feitos mineiros. E mais, o evento vai, também, exaltar a importância da inconfidência mineira, importante data histórica celebrada no calendário brasileiro.

Segundo Expedito Araújo, será uma apresentação, totalmente, comemorativa ao que mais de autêntico existe neste importante Estado Brasileiro. “Vamos trazer músicas eternizadas nas vozes de Milton Nascimento, Daniel, Paula Fernandes, Marcus Viana, Ana Carolina, entre outros, que estarão presentes nesta homenagem. As curiosidades e pormenores também tem espaço e prometem deixar saudades, para quem assistir”, rematou.

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