É NATURAL que, nalgumas questões ou em todas mesmo, duas pessoas estejam em desacordo. Mas isso não é razão para que não possam conviver. É nas diferenças que temos de encontrar a nossa capacidade de tolerância, de coabitação com o outro. É nesse espírito que o “Azgo Dialogar” foi buscar Stewart Sukuma, nome artístico de Luís Pereira, para falar, conversar. Não para cantar, mas para falar, partilhar ideias sobre arte e cultura. Esse território que às vezes faz temer pelos vários fios que por ali circulam. Nessa ocasião, partilhou algumas das receitas para o seu sucesso: ética, moral e ousadia. Fica a dica. Que se delicie com os sabores quem confeccionar. Matilde Muocha, a mostrar que, de facto, a mulher tem força, igualmente usou da palavra para recordar às pessoas sobre a importância de jamais se esquecerem de quem são e das origens: isso torna-nos mais fortes! E não é só conversa. Atenção: o diálogo só funciona quando, além de quem fala, há quem tenha interesse em ouvir. Saber ouvir é uma virtude imprescindível para o mundo melhor que estamos diariamente a construir, não obstante sabermos que, talvez, transportemos, nessa expectativa, a frustração do poeta de “nunca conseguir escrever o poema”. Mas nem por isso ele deixa de escrever. E, porque há outras formas de conversar, não podíamos ignorar este registo do jovem fotógrafo Júlio Marcos, que nos recorda que não podemos, jamais, perder a esperança.

Tal como aqui temos a nossa Polícia da República de Moçambique (PRM) que, no dia da sua celebração, reiterou prontidão na defesa e garantia da ordem, segurança e tranquilidade públicas.

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Alíngua, essa residência de várias culturas, é o edifício no qual pretende habitar o projecto da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). A ideia de pretensão vinga quando se olha para as críticas que a entidade sofre desde a fundação.

Esta instituição, cuja criação foi proposta pelo Brasil, actualmente a maior potência da comunidade lusófona, não está a conseguir ir para além de eventos formais resumidos em conferências e cimeiras, algumas das quais anuais, onde, na sua maioria, participam somente gestores de instituições públicas, para além de um e outro convidados.

Com efeito, aponta-se o facto de, passados 23 anos após a sua criação, ainda haver pouco conhecimento mútuo entre os habitantes dos países-membros.

O desconhecimento, que continua sobre as “nossas” culturas, é apontado como um dos exemplos claros da inoperância desta instituição a nível de base.

A expectativa natural é que a esta altura as pessoas estivessem a interagir com maior intimidade e aproximação, que seriam possibilitadas pela herança histórica partilhada, que se materializa, sobretudo, na língua e por políticas de circulação e integração.

As pessoas, por razões de vária ordem, como académica, religiosa, turística, entre outros, acabam movimentando-se neste espaço. Entretanto, a queixa passa pelo facto de ainda existir uma enorme burocracia, bem como altos encargos de vistos e afins, o que dificulta esse trânsito.

Há, neste aspecto, uma dualidade de critérios ainda notável. Só para apontar um exemplo, há alguns países africanos em que para os seus cidadãos adquirirem o visto de entrada em Portugal ou Brasil, têm de passar por uma pesada burocracia. Aliás, não deixa de ser estranho que, a esta altura, ainda se precise desse documento.

Desmotivados, muitos acabam desistindo, o que lesa a própria comunidade. A consequência desta falta de flexibilidade da CPLP é, entre outras, a limitação da mobilidade.

No campo das artes, nota-se que falta circulação de bens culturais, no sentido países africanos para Brasil e Portugal. Tende a ser o inverso, com algumas excepções, como é o caso da música.

A nível da literatura, os livros impressos ou publicados no nosso continente não têm chegado aos dois países, nem circulam entre os países africanos de expressão portuguesa. Aí para não falar de novos escritores, pois os que saem e os que chegam, continuam a ser os mesmos nomes de sempre, como se esta competência tivesse ficado congelada num determinado tempo.

Esta mesma preocupação atravessa a própria língua, ao, nas gramáticas e outros documentos inerentes a ela não constarem ainda os vocábulos e demais elementos oriundos do cruzamento com os idiomas bantu.

Muitos outros aspectos poderiam integrar este debate que, ainda que sejam dados atenção, não serão o fim em si, pois está-se diante de um processo, que irá decorrer de forma contínua. Mas isso não pode impedir de prosseguir. Precisamos reunir esta família, para que, enquanto língua, possamos ter voz no concerto das nações.

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A PALAVRA é o objecto sobre o qual o escritor trabalha. O nível de tratamento que ele dá à mesma deixa-nos com a impressão de pertencer a outro mundo. É como se descesse do Olimpo para uma conversa terrena. Mas no fundo, os escritores – os artistas de um modo geral – são pessoas que apenas entregam-se a essas vozes internas, que gritam, partindo do interior do silêncio. É ilusório, então, pensar que apenas lidam com imagens imaginárias. Vê só que o poeta moçambicano Sangari Okapi anda por aí a fazer fotografias e, no caso, aos ilustres escritores Juvenal Bucuane, que foi coordenador da revista Charrua, e o angolano José Luís Mendonça. A probabilidade de ter sido um bom registo confirma-se no gesto do artista plástico Ídasse Tembe, ao lado do poeta Armando Artur. Lá no fundo, a esconder o riso, o Presidente do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa, Nataniel Ngomane, parece estar a perguntar-se: “Mas, desde quando o Sangari anda nessas coisas de fotografar?”

“Chocadas”, Sara Jona e Conceição Siopa – que, não querendo imiscuir-se nessas andanças de “retratistas”, e optam por investigar a acutilância da palavra dos escritores – apenas entreolham-se embasbacadas pela nova aventura por Sangare abraçada: a fotografia.

Indo para outra, não custa recordar-se de um escriba que terá dito que o poeta vive com a alma na ponta dos dedos da mão. Os afectos são, então, o modo como isso se materializa. Que nos digam Jorge Ferrão, Reitor da Universidade Pedagógica de Maputo, e Luís Carlos Patraquim, ambos escritores de fina pena e ambos paladinos da palavra e da retórica. E os escritores Bento Baloi e Rogério Manjate parecem estar, igualmente, a testemunhar tal facto. Só a cantora Xixel Langa para mudar a panorâmica e nos levar para outra dimensão da arte.

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