Director: Júlio Manjate   ||  Directora Adjunta: Delfina Mugabe

A multiplicidade étnica e religiosa é, sem dúvida, uma das maiores riquezas do nosso país. A coabitação pacífica sem a marginalização do “outro”, no contexto africano, e não só, faz de nós uma referência inquestionável no que diz respeito ao multiculturalismo.

Samora Machel é um dos arquitectos deste cenário, pois, no movimento de construção do “Homem Novo”, no período imediato à independência, movimentou moçambicanos de todo país para “todo o país”. Os de Gaza foram trabalhar para Niassa, os de Cabo Delgado para Inhambane, os de Tete foram a Maputo e por aí fora. E continua.

No que diz respeito à religião, em particular, somos resultado de diferentes influências. A região norte e parte do centro foram até o século XV importantes centros comerciais dominados por árabes que impuseram o alcorão e os seus hábitos e costumes às comunidades locais.

A bíblia cristã católica chegou pela mão dos missionários portugueses e ao longo dos anos de colonização, o cristianismo foi a religião oficial do Estado, consequentemente, das províncias ultra-marítimas, pacote no qual o país estava incluso.

Não obstante, jamais houve choques e conflitos resultantes destas diferentes crenças. Até porque casos há, não poucos, de na mesma família, inclusive a residirem na mesma casa, os membros seguirem diversas religiões.

Os relatos que nos chegam de Cabo Delgado, a não serem resolvidos com urgência, colocam essa harmonia em causa e podem nos dividir. Como vemos nas principais nações ocidentais, isto pode resvalar na desconfiança mútua, discriminação, xenofobia e intolerância religiosa.

Pese embora, de facto, ainda não se tenha avançado, oficialmente, que quem anda por detrás das escaramuças são radicais extremistas, cujos argumentos se sustentam na retórica de preceitos religiosos. Algumas testemunhas que conhecem o assunto in loco afirmam tratar-se de tal.

Por outro lado, há teorias que não descartam a possibilidade de se tratar de manobras associadas aos recursos minerais descobertos na bacia do Rovuma. Estamos, por enquanto, a navegar no mar das especulações, mas pela importância e delicadeza do assunto, temos que buscar respostas, sob o risco de estarmos a assistir, de braços cruzados, ao início de uma guerrilha, o que desestabilizaria o país.

Voltando à possibilidade de ser uma questão ligada aos extremistas religiosos, o que nos parece urgente a partir destes pequenos focos é a partilha, de forma aberta, das noções e filosofias que ditam as lógicas das diferentes seitas, de modo a esclarecer a sociedade. A ignorância gerada pela falta de informação é a mãe do boato que como se sabe não é um menino bonito, não. Pelo contrário.

É preciso que se explique, por exemplo, que ao longo da história da humanidade todas as instituições sociais, porque guiadas por ideologias, foram (e são) palco de visões antagónicas, havendo os que partilham uma visão progressista e os que vão à margem e, regra geral, são os que desestabilizam todo o tecido social.

As religiões, portanto, não estão alheias a esse facto, mas este facto não as pode descredibilizar, pois a larga maioria dos seus praticantes não tem nenhum tipo de relação com os marginais e, como qualquer cidadão, buscam a paz para a sua vida.

 Neste sentido, o ideal é que neste momento nos abracemos e, em conjunto, sem discriminações, combatamos com todas as nossas forças os criminosos que estão a fustigar a vida de pessoas inocentes.

Esses vândalos não podem nos dividir e aniquilar a unidade nacional que está a ser construída a muito custo e sacrifício por apetites individuais baseados numa inteligência curta, que não sabe que a bondade, a solidariedade, o humanismo são, entre outros, os valores mais altos de que um indivíduo se pode orgulhar.

FIM...

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