Director: Júlio Manjate   ||  Director(a) Adjunto(a): 

SEM dúvidas, 1918 é inesquecível: famílias africanas e europeias recordam este ano com lágrimas e sorrisos. Uns viram o regresso dos familiares depois do término da Primeira Guerra Mundial, outros receberam a informação da morte de seus entes queridos, que deram a vida por uma causa.

Para África, o ano representa o início de uma revolução, pois os soldados negros dividiram as trincheiras com os europeus, dispararam e mataram o mesmo inimigo, voltaram à terra e despertaram a sua consciência nacionalista. Claro que não é o primeiro foco deste sentimento, mas em 1918 o espírito de identidade, pertença, pela terra ganhou maior consistência. Moçambique também sentiu o estrondo do fim da Primeira Guerra Mundial, principalmente na zona norte.

Além do espírito nacionalista, o fim do grande conflito foi o momento de exaltação das artes, principalmente nas zonas urbanas. A pequena elite da então cidade de Lourenço Marques, actual Maputo, questionava o valor e a pertinência das artes plásticas.

Depois de várias reuniões, ficou decidido que havia a necessidade de se realizar uma exposição no então Museu Provincial, actual Museu da História Natural. No dia 4 de Outubro daquele ano, o projecto sai do papel e a mostra transformou-se em realidade. Eram no total 500 obras emprestadas por 50 residentes daquela metrópole.

Lisboa perdeu o fôlego, pela dimensão da mostra e pela beleza das obras expostas. No fundo, Portugal sabia que aquela exposição era o início de uma reivindicação, que culminou com a Independência total e completa de Moçambique, em 1975: 57 anos depois.

Por isso, 4 de Outubro de 1918 é uma data marcante para as artes plásticas nacionais. O feito impulsionou a criação, na década de 1930, do Núcleo de Artes. Duas décadas depois, o país já contava com uma pequena classe de artistas plásticos, que, vindo de outros locais, olhavam para a província ultramarina como terra mãe.

Muitos nacionais chegaram à ribalta e viram os holofotes das artes plásticas a apontarem para eles, tais são os casos de Jacob Estevão Macambaco (1937-2009), Elias Estêvão (1937-1960), Agostinho Mutemba, estes de Gaza, e Vasco Campira, de Tete.

No entanto, nos anos seguintes dois nomes ganharam destaque, Bertina Lopes, encarada como a “mãe da moderna pintura moçambicana”, e Malangatana Valente Ngwenya. Outros nomes foram surgindo e as artes plásticas nacionais tiveram outra dimensão.

No entanto, existem desafios, tais como a valorização do artista a nível nacional, a internacionalização das nossas artes e o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação no impulso desta manifestação da alma.

Estamos em Outubro, já passam 100 anos depois da primeira exposição, que esta data seja um momento de reflexão. Este mês é o momento certo para exaltar as artes plásticas, debater os caminhos que são necessários para alcançarmos a meta. Definitivamente, Outubro será para sempre o mês das artes plásticas moçambicanas.

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