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Categoria: Conversas ao sábado
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TODOS os anos milhões de ovelhas, porcos e bovinos são transportados, por via rodoviária, pelo mundo. Frequentemente, em viagens extremamente longas e em condições desumanas. Nestas viagens, além da tortura, que representam para os animais, propagam doenças.

Os animais são obrigados a ficar de pé horas seguidas em cercados tão pequenos, que não podem sequer sentar-se e respirar. Na falta de água, principalmente nos dias de Verão, podem ficar desidratados.

Para agravar o seu sofrimento, as estradas são esburacadas, não alcatroadas, brindando os animais com poeira e mais poeira. Sem argumentos, os animais aguentam e aguardam pelo fim da viagem.

A Comissão Europeia, já em 1993, reconheceu que as leis que garantem o mínimo de bem-estar para os animais nestes transportes estavam a ser ignoradas. Os dispositivos legais não tratam da lotação adequada dos veículos ou do treinamento dos condutores, por exemplo.

Em África, em Moçambique, na cidade de Maputo e nos bairros suburbanos pretendem licenciar o transporte de pessoas em carrinhas de caixa aberta. Se o transporte de animais é desumano, qual é o nome que vamos dar ao transporte de seres humanos.

O director municipal de transportes e trânsito na cidade de Maputo, Carlos Diante, disse que o licenciamento de carrinhas de caixa aberta (“my love”) só será permitido para as zonas onde os transportadores convencionais não chegam.

E mais, a fonte aponta que a actividade será formalizada, os informais serão sujeitos a taxas, por exercer a sua actividade em locais onde os transportes semi-colectivos formais chegam. E sobre a segurança, serão montados bancos e lonas. Está certo...

Temos apenas duas pequenas questões, será que a sua excelência e os digníssimos senhores que pensaram neste licenciamento já subiram um “my love”? Que culpa têm os passageiros pela falta de transporte nas suas zonas de origem?

É necessário rever, repensar, reformular antes de legalizar soluções cosméticas, informais. Por respeito, não usaremos mais termos para descrever esta tomada de decisão.

Os cidadãos destas zonas onde o transporte não chega pagam impostos, contribuem para o crescimento do país. Eles não são menos cidadãos, menos humanos. São pessoas de carne e osso e não merecem ser transportados como ovelhas, porcos e bovinos.

Estamos fartos de soluções cosméticas, que legalizam o errado, formalizam o ilegal. Não queremos.