Director: Júlio Manjate   ||  Directora Adjunta: Delfina Mugabe

NÃO escreveria estas linhas se não fosse para denunciar uma actuação anómala, inadmissível e irresponsável de uma empresa que, na sua vocação, tem a obrigação de agir com decência e honestidade para com os seus clientes, quanto mais não seja pelos avultados valores monetários que cobra pelos serviços que presta.

Um amigo recomendou-me que procurasse a firma Britanor para encher a laje numa obra privada algures na Matola, sabendo das diferenças entre realizar aquele trabalho usando betonagem mecanizada e usar as tradicionais betoneiras manuais, com a vasta equipa de homens e dinheiro que se torna necessário mobilizar para fazer o trabalho avançar.

Durante duas semanas conduzi o processo de contratação dos serviços da Britanor que culminou com o pagamento da factura do trabalho, cinco dias antes do dia marcado para a betonagem. Na altura, ficou acordado e recebi garantias de que o trabalho seria executado no sábado às 10.00 horas.

Foi então que accionei a componente da preparação, nomeadamente o aluguer de equipamentos, contratação de pessoal de apoio e organização de toda a logística habitual naquelas circunstâncias.

Cerca das 16.00 horas de sexta-feira, desconfiado do silêncio, (a empresa solicitara-me o contacto telefónico e endereço electrónico) decidi telefonar ao ponto focal para saber se estava tudo “ok” para o dia seguinte.

Seguiu-se um triste e penoso espectáculo de estórias e embustes do tipo “aguarda um momento”; “ligo-te já de volta”; “ liga-me daqui a dez minutos” etc., até que, já próximo das 18.00 horas, o homem sugeriu:

- Estamos com problemas de cimento no estaleiro. Podemos passar trabalho para segunda-feira?

Logicamente que isso não podia ser e nem fazia sentido que fosse; primeiro porque já havia prazos acordados e confirmados para a realização do trabalho. E segundo porque já tinha praticamente tudo preparado para o dia seguinte. Um adiamento, àquela hora, implicava, além de custos financeiros adicionais, prejuízos morais para mim e para muitas outras pessoas. Expliquei tudo isso ao homem.

- Tens razão, mas o melhor é vires ao estaleiro amanhã (sábado) logo às seis horas. Aí vais encontrar o responsável por tudo isto, propôs.

Fiquei verde, de tão irritado!

Às 05.45 horas estava no portão da Britanor, onde só às 08.30 fui recebido pelo responsável com quem devia “negociar” a realização da obra que, curiosamente, já tinha sido paga! Uma verdadeira humilhação! Apesar das insistências, nunca me foi dada a oportunidade de falar com os gestores superiores da empresa com quem precisava de partilhar a triste história por que estava a passar.

Mais “filmes” mais “estórias”, o meu trabalho já não podia acontecer às 10.00horas, alegadamente porque havia outras obras ainda em curso, usando o mesmo equipamento. De repente, tinha que regressar à obra e aguardar que a equipa lá fosse, entre as 14 e as 15 horas. Não tinha hipótese. Humilhado e “torturado”, lá abandonei o estaleiro a caminho da obra, onde os homens aguardavam pelo trabalho.

Foi necessário pagar o almoço à equipa, pois não estava no plano deles (nem nos meus) manter-se ali aquele tempo todo, a fazer nada, e privados de refeições. Mas também era necessário garantir que eles permanecessem até os camiões da Britanor chegarem.

Isso não aconteceu às 14.00, muito menos às 15.00 horas. Fiz dezenas de chamadas para me ir informando sobre o que se estava a passar e, na maior parte das vezes, a resposta que obtinha era “daqui a dez minutos estaremos a partir para aí…”. Dezasseis, dezassete, dezoito, dezanove horas. Nem sombra da BRITANOR, mas sempre com o mesmo tipo de filmes a serem destilados ao meu telefone.

Quando finalmente a equipa chegou à obra, cerca das 21.30 horas, já quase ninguém acreditava, excepto eu que assumia a culpa por ter acreditado naquela empresa e naqueles homens desde a primeira hora, a ponto de lhes ter pago pouco mais de centena de milhares de meticais.

À luz de gambiares que tivemos o cuidado de ir preparando (outros custos que a Britanor adicionou à obra), lá começou o trabalho que foi sendo interrompido porque os camiões iam enterrando nas sombras da noite. A jornada só viria a terminar pouco depois das três horas da manhã! À saída, constatei que um dos camiões foi entornando vários metros cúbicos de betão ao longo de cerca de 500 metros da estrada que dá acesso à obra, em mais um feito difícil de “engolir”.

Quis calar a tudo isto e a muito mais que não cabe neste espaço, mas imaginei o quanto estaria traindo a mim mesmo e a causa de muitos, calando a boca a tanta humilhação e falta de seriedade, e deixando que gente honesta e batalhadora caia nas mesmas malhas se, até lá, angustiante falta de respeito e consideração para com os clientes não for desarticulada por quem de direito.

Pode ser que a administração da Britanor não esteja a par do que se faz com os clientes da empresa. Mas é também por isso que o melhor é não calar as palavras.

Uma coisa é certa: Receber um tratamento humilhante como este, de uma empresa a quem a gente pagou dinheiro pela prestação de um serviço, não dá para aceitar!

Júlio Manjate

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