UM especialista da Organização Mundial da Saúde (OMS) disse ontem, em Lisboa, que as melhorias dos indicadores de saúde de Moçambique provam que o planeamento funciona.

Humphrey Karamagi, especialista em Desenvolvimento de Sistemas de Saúde na OMS, falava à Lusa em Lisboa, à margem de um seminário sobre planeamento em Saúde organizado pelo Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT), no qual falou sobre “Evoluções recentes nos países africanos”, num painel que incluía o ministro da Saúde de Angola, o vice-ministro da Saúde de Moçambique e a directora Nacional de Saúde de Cabo Verde.

Explicou que, em geral, os países africanos estão ainda numa “fase fundacional”, pelo que, ao contrário dos países desenvolvidos, que só precisam de fazer “mudanças nas margens”, os estados de África estão a construir os seus sistemas de saúde do nada.

“O processo de planeamento é muito importante ficar bem feito na fase fundacional. Se conseguirem acertar nesta fase, estão a lançar-se numa trajetória em direcção a uma saúde melhor no futuro. Pode não acontecer hoje, pode não acontecer amanhã, mas estão no caminho certo”, disse Karamagi.

“Se estamos na fase fundacional, é muito importante planear os recursos adequadamente e pô-los no lugar certo, no momento certo, na quantidade certa”, acrescentou, referindo-se tanto aos recursos humanos como às unidades de saúde.

Moçambique, lembrou Karamagi, está uns anos à frente em relação a alguns países dos PALOP em termos de estabilidade e de construção do seu sistema de saúde, pelo que os indicadores já estão a melhorar.

As autoridades moçambicanas “têm sido muito activas no processo de planeamento, por isso é fácil saber quais as prioridades em que se querem focar. Quando um parceiro chega e quer ajudar, é fácil direcionar os recursos porque as autoridades estão há alguns anos neste processo de planeamento e de definição de prioridades. Isto prova que o processo de planeamento funciona”, indicou.

Sobre os restantes países de língua portuguesa, Karamagi sublinhou que Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe “são pequenos Estados, e nos pequenos Estados é muito mais caro investir em saúde”.

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