O número de raparigas que desistem das escolas aumentou nos últimos dois anos, no país, em consequência de casamentos prematuros e gravidezes precoces.

Judite Sambo, chefe do departamento do Género na Direcção de Assuntos Transversais no Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano, disse a AIM, em Nampula, que o problema é mais grave no norte do país.

Em todo o país, um total de 3.227 raparigas abandonaram a escola por causa de gravidezes precoces, em 2018, contra 2.786, no ano anterior.

Nos últimos cinco anos, o sector da educação registou 14.264 raparigas que deixaram de estudar por terem ficado grávidas.

Em relação aos casamentos prematuros, a fonte disse que em 2018 foram registados 1.848 casos, contra 1.233, em 2017. Todas elas deixaram de estudar.

“São números que nos preocupam. No encontro que tivemos em Nampula, com todas as coordenadoras provinciais, insistimos que é preciso apostar na sensibilização das comunidades, onde os conselhos de escola jogam papel fundamental, porque já existe uma estratégia no sector da Educação para encarar o problema”, disse.

A fonte acrescentou que estão em curso programas para que as meninas permaneçam na escola, sendo admissível que uma rapariga grávida continue a estudar normalmente até ao parto e regressar as aulas logo que estiver em condições.

A principal causa do problema, segundo Sambo, é a pobreza, pois muitas famílias com poucos recursos sentem-se pressionadas a deixar que filhas se casem prematuramente como forma de prover sustento.

As práticas sociais e tradicionais, a violência e discriminação baseadas no género, são outras causas associadas aos casamentos prematuros.

Organizações internacionais que estudam estes fenómenos indicam que Moçambique está no 11/o lugar, no mundo, no tocante a mulheres que se casam antes dos dezoito anos e em 10/o lugar em África.

Na região Austral e Oriental, Moçambique ocupa a segunda posição o que contrasta com os programas implementados pelo governo e parceiros com o intuito de reverter a situação.

A Organização das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), por exemplo, estima que em Moçambique quase metade das crianças vivem abaixo da linha de pobreza, e uma em cada duas raparigas casa-se ou está numa união de facto antes dos 18 anos.

Assim, os casamentos prematuros, além de violarem os direitos da criança, perpetuam a pobreza, problemas de saúde sexual e reprodutiva, perda de oportunidades de educação e formação, gravidezes precoces com impacto na saúde (caso de fístulas obstétricas), entre outros.

˝É nosso dever trabalhar para mudar a situação. Devemos, por exemplo, procurar que, nas comunidades, figuras femininas sirvam de referência e modelo para os pais e meninas˝, disse a fonte.

Quanto aos ritos de iniciação, prática secular na zona norte do país, disse que “conseguiu-se algumas vitórias caso da harmonização do calendário escolar com o dos ritos”.

Em Cabo Delgado e Nampula, por exemplo, os organizadores dos ritos encaixam-nos em alturas que não interferem no ano lectivo. “Em Niassa há algumas zonas que resistem, mas acredito que com persistência chegaremos a um acordo”, afirmou Sambo.

A nível internacional, Moçambique ratificou vários instrumentos que protegem a criança e a mulher, dos quais se destacam a Declaração Universal dos Direitos Humanos;A Carta Africana sobre os Direitos e Bem-estar da Criança;A Convenção sobre os Direitos da Criança;A Convenção sobre a Eliminação de todas as formas de Discriminação Contra a Mulher; e o Protocolo da SADC sobre Género e Desenvolvimento.

Comments

O Ensino Superior moçambicano acolhe 6% dos estudantes que terminam o “Secundário”, disse em entrevista à Lusa o ministro da Ciência, Tecnologia, Ensino Superior e Técnico-Profissional, Jorge Nhambiu, referindo que o Governo pretende aumentar este número.

“Não há dúvida de que temos necessidade de aumentar o número de estudantes no Ensino Superior”, que actualmente conta com 212 600 estudantes, distribuídos por 48 instituições, entre privadas e públicas, com cerca de 800 cursos a serem ministrados.

Para Jorge Nhambiu, esta percentagem de ingresso no Ensino Superior, uma das piores da África Austral, mostra que há espaço para mais instituições, principalmente privadas.

Na África do Sul, país vizinho de Moçambique, 22% dos estudantes que terminam o secundário ingressam no Ensino Superior, referiu o governante, que  considerou, no entanto, que é preciso olhar para a qualidade das instituições, exigindo que respeitem critérios universais.

"O objectivo principal do Governo é fazer com que Moçambique seja uma referência em termos de Ensino Superior", afirmou o governante.

Para o efeito, pela primeira vez o país conta com uma comissão de fiscalização de instituições do Ensino Superior.

Só no primeiro ano de actividades a comissão já interditou 12 unidades de estabelecimentos superiores por falta de alvará.

"Nós tivemos uma fase em que massificávamos sem olhar para muitos parâmetros, apesar de estarem escritos nos nossos documentos orientadores, mas agora achamos que é hora de exigir pela qualidade", concluiu Jorge Nhambiu.

Estêvão Chavisso, da agência Lusa

Comments

O GOVERNO está a mobilizar recursos financeiros para o início da construção, ainda este ano, da barragem Moamba-Major, como contributo para resolver o problema de fornecimento de água potável a zona metropolitana do Grande Maputo. Leia mais

Comments

DINAMIZAR o sector agrário rumo à auto-suficiência alimentar é o desafio lançado esta quarta-feira pelo Ministro da Agricultura e Segurança Alimentar, Higino Marrule, aos novos directores do pelouro. Leia mais

Comments

O PAÍS está a conhecer um aumento da incidência do cancro, sendo que só no ano passado foram diagnosticados 25 mil novos casos, contra 23 mil em 2012. Segundo a chefe do Programa Nacional de Cancro no Ministério da Saúde, Cesaltina Lorenzoni, o sarcoma de Kaposi (cancro da pele) figura na lista das doenças cancerígenas mais frequentes, com 24.7 por cento, seguido do de colo do útero, que no ano passado fez três mil mortes em 4921 casos. Leia mais

Comments

Subcategorias

Template Settings

Color

For each color, the params below will give default values
Tomato Green Blue Cyan Dark_Red Dark_Blue

Body

Background Color
Text Color

Header

Background Color

Footer

Select menu
Google Font
Body Font-size
Body Font-family
Direction