Quinta-feira, 3 Abril, 2025
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Melhora rastreio de suspeitos de autismo

Por Jornal Notícias
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O PAÍS  tem estado a evoluir, nos últimos 10 anos, no rastreio de crianças suspeitas de ter o espectro autista ao nível dos centros de saúde, facto que contribui para o seu encaminhamento a especialistas e consequentemente o diagnóstico e tratamento.

Este entendimento é da psicóloga Eugénia Pereira, que falava ao “Notícias” em torno das actividades a ser realizadas no quadro da celebração hoje do Dia Mundial da Consciencialização sobre o Autismo, sob o lema “A Nossa Voz Importa”.

Disse que embora prevaleçam desafios, esta capacidade de os profissionais de saúde ao nível dos cuidados primários referenciarem os casos suspeitos aos psicólogos é fundamental, para que tanto as crianças como as suas famílias tenham a devida assistência.

Aponta que o sector da Saúde deve apostar na alocação de uma equipa multidisciplinar, constituída por psicólogos, terapeutas da fala, entre outros,  nos centros de saúde, tanto na cidade de Maputo, como em outros pontos, sobretudo os recônditos, para assistir as pessoas com necessidades, uma vez que muitas famílias não conseguem aceder aos hospitais quaternários.

No que se refere à área da Educação, a profissional disse haver muito que  melhorar, com destaque para disponibilidade de psicólogos nas escolas públicas, sobretudo as descritas como inclusivas.

“Por falta de um psicólogo nas escolas públicas os pais acabam por recorrer a  particulares, com custos envolvidos. É que as crianças autistas não acompanham os conteúdos ao mesmo ritmo que os de outros alunos, havendo, por isso, necessidade de o professor e o psicólogo adaptarem o currículo, elaborando o plano individual para os meninos”, explicou Eugénia, que assiste famílias com membros autistas e escolas inclusivas.

Apesar deste desafio, indica que actualmente já são elaboradas provas e exames específicos para pessoas autistas.

Para marcar esta data, será promovida, na tarde de hoje, uma mesa-redonda, cujo painel será composto por pessoas autistas, que vão falar, na primeira pessoa, sobre os desafios ao longo da sua jornada e sua experiência em relação ao estigma social.

“Este ano estamos a dar voz a quem está dentro do espectro autista para que todos vejam que se cada um tiver a intervenção correcta pode desenvolver e seguir os seus sonhos”, afirmou Pereira.

Por sua vez, Neide Xerinde, membro da Associação Moçambicana de Autistas, aponta que há pelo menos 900 famílias com filhos portadores inscritas na agremiação ao nível da cidade de Maputo.

Fotos: AMA

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