Primeiro PlanoRecreio e Divulgação PEÇA TEATRAL “AS SUBSTITUTAS”: Uma comédia baseada em tragédias Por Jornal Notícias Há 2 dias Criado por Jornal Notícias Há 2 dias 314 Visualizações Compartilhar 0FacebookTwitterPinterestEmail 314 LUCAS MUAGA QUANDO o sino tocou, o relógio marcava 19.09 horas. Alguns mais exigentes poderiam até queixar-se do atraso de cerca de dez minutos. Mas ninguém se importou. Não havia razão para queixas e, no fundo, percebia-se. Afinal, quem ia ver “As Substitutas”, peça da companhia M’beu Macarte e encenada por Isabel Jorge, sabia que o teatro tem a sua própria cadência. E o público estava lá, pronto para o espectáculo. O Centro Cultural Franco-Moçambicano estava lotado na quinta-feira e quase cheio na sexta. Nos dois dias do espectáculo, os amantes desta arte cénica não hesitaram em comparecer. E, se os ponteiros do relógio teimavam em avançar, o público, sereno, aguardava o momento em que as luzes finalmente se apagariam. Na sexta-feira, por exemplo, a fila à entrada não era assim tão longa, mas o público, como que a imitar os próprios artistas, não tinha pressa de segui-la. Por momentos, o espectador pareceu ter incorporado a liberdade dos actores que, normalmente, não estão muito ligados a formalidades. E dava para perceber este pequeno atraso, afinal havia muita gente por atender e desmentia-se a ideia segundo a qual ninguém mais se interessa pelo teatro. Uma a uma, as pessoas ocuparam os seus lugares. As actrizes, embora parecesse que estavam escondidas atrás da cortina preta, aguardavam no camarim. “As Substitutas” não dependiam muito dos truques tradicionais de palco, pois a encenadora optara por uma abordagem mais criativa. As luzes apagadas criaram um espaço misterioso, permitindo às actrizes posicionarem-se no palco sem que o público se apercebesse, quase como um jogo de escondidas. Enquanto aguardavam, os espectadores olhavam atentamente para o cenário montado: três mesas. Uma pequena, ao centro, que “conversava” com as outras duas maiores nas extremidades. Uma cabeceira sugeria o que estava para vir. Era uma sala, um bar, um quarto? Ou talvez os três ao mesmo tempo? O teatro estava, mais uma vez, a desafiar as convenções e a fazer o mundo caber na “palma” do palco. Finalmente, o espectáculo começou. O início foi marcado por cânticos evangélicos, entre os quais o melancólico hino “Segura na mão de Deus”. O tom era claramente de funeral. A peça começou e terminou com a morte, mas depressa o riso tomou conta da cena. É que “As Substitutas” é uma comédia sobre várias tragédias. Frases como “Estes gajos são todos iguais” e “Todos os homens são um lixo” surgiram, ao longo da apresentação, como um convite a reflexões sobre as relações sociais, o choque entre homens e mulheres. Como tantas outras mulheres, as personagens estavam, de alguma forma, marcadas por traumas. A peça revelava-se, então, como uma crítica à violência, à ignorância e às falhas políticas. Um teatro que não só reflecte, mas também vive as experiências dos outros. As quatro actrizes eram “As Substitutas”. E o nome não era produto de mero acaso. As próprias, durante o evento, se explicaram: “Somos pagas para lamentar os outros”. Ou seja, nos funerais, elas substituem as pessoas próximas do malogrado e choram por elas. É como dizia o anúncio: Quatro mulheres, quatro histórias e uma profissão invulgar: são contratadas para chorar em funerais. Mas, entre lágrimas e rivalidades, “As Substitutas” transformam o luto num espectáculo inesperado. É adaptada da peça “Another One’s Bread”, de Mike Van Graan, com direcção de Isabel Jorge. A peça é interpretada por Sufaida Moiane, Xixel Langa, Yolanda Fumo e Carmelita Coana. Enquadra-se nas celebrações do Mês da Mulher- Março – e do Dia Mundial do Teatro, 27 de Março. Leia mais… Você pode gostar também Sabedorias ancestrais em exposição Miss Cumbana 2023 conhecida amanhã Artistas expõem na RAS Eliane Butelane conquista campeonato de poesia falada CULTURAPEÇA TEATRAL Compartilhar 0 FacebookTwitterPinterestEmail Artigo anterior China investiga descoberta de uma centena de corpos num poço Próxima artigo Sarra Nurdin assume a delegação da SN no Niassa Artigos que também podes gostar Exposição “Mulheres, Arte e Cura” celebra resiliência feminina Há 16 horas Gramática descreve articulação do xironga Há 17 horas Poeta Sangare Okapi “revisita” o corpo Há 17 horas Tchakaze leva “Só Elas” ao Franco Há 19 horas Governo quer erradicar fecalismo a céu aberto Há 24 horas SEGUNDO JUIZ-PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE POLÍCIA: Desconhecimento de direitos compromete acesso à... Há 4 dias