Sexta-feira, 4 Abril, 2025
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RAPTOS: Muçulmanos pedem acções claras no combate aos raptos

Por Jornal Notícias
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A ASSOCIAÇÃO Muçulmana de Sofala, (AMS) reitera o pedido, às autoridades governamentais, de acções claras e eficazes no combate aos raptos, fenómeno que tem como maiores vítimas empresários desta comunidade e seus familiares.

O pedido foi manifestado pelo porta-voz da AMS, Idrisse Charfudine, na cidade da Beira, por ocasião das comemorações do “Eid ul-fitr”, evento que marca o término do período dedicado ao jejum.

Na ocasião, a fonte expressou profunda tristeza e preocupação, tendo em conta que, muitas vezes, os raptos acontecem em áreas de grande fluxo de pessoas, em plena hora de ponta, com particular destaque para a cidade de Maputo.

“Nós sempre temos palestras nas mesquitas, onde os nossos dirigentes ensinam o povo como viver em tranquilidade e manutenção da paz. A nossa religião abraça a todos. Por isso, queremos cidades livres de raptos e outros males. Manifestamo-nos para exigir ao nosso Estado que combata, eficazmente, o crime em todo o país”, disse.

Charfudine descreve o rapto como um crime grave, cometido com extrema violência física e psicológica contra a vítima, com destaque para o uso de armas de fogo, para além de exercer uma brutal coacção psicológica e moral contra a família e pessoas próximos da vítima.

Avançou que há vários anos, Moçambique vem sendo assolado por uma onda crescente de raptos de cidadãos indefesos, com especial preferência para os empresários ou seus familiares, e muitos dos casos sem esclarecimento.

“Sentimos que há algum desinteresse das autoridades policiais e de segurança, em resolver o problema dos sequestros. Os raptos aterrorizam os cidadãos moçambicanos. Os criminosos executam as suas operações à luz do dia, munidos de armas de fogo, com os rostos expostos, sem algum receio e isso mostra que estamos num nível muito alto de criminalidade e impunidade”, disse.

Exigiu ainda medidas imediatas e eficientes para garantir a segurança e a liberdade dos cidadãos, criticando a inércia das autoridades para resolver o problema.

“Sempre estivemos abertos para colaborar com as autoridades no combate a esse tipo de crime e assegurar o bem-estar social e a convivência pacífica. São empregos que estão a diminuir porque os empresários estão a fugir do país. Exigimos a tomada de medidas imediatas e eficientes para garantir a liberdade, segurança e o mínimo de cidadania, pois estão a ser colocadas em causa, direitos fundamentais, perante a inércia das autoridades competentes”, disse.

O pedido é feito dias depois da VI Secção do Tribunal Judicial da Província de Sofala (TJPS) condenar, na cidade da Beira, quatro arguidos a penas de prisão maior que variam de três a trinta anos, em conexão com sete crimes de rapto, associação criminosa, branqueamento de capitais, e armas proibidas, todos agrupados no processo comum.

Crimes esses ocorridos nas cidades da Beira, Maputo, Chimoio e Quelimane, praticados de 2020 a 2022, tendo como principais vítimas agentes económicos e seus familiares.

Foto: Arquivo

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