Sábado, 26 Abril, 2025
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Prossegue julgamento de jovem acusada de matar menor de um ano

Por Jornal Notícias
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Prossegue o julgamento de uma jovem de aproximadamente 25 anos, acusada de homicídio agravado, por alegadamente tirar a vida de uma criança de um ano e um mês, em Setembro do ano passado, na cidade de Maputo.
Hoje foram ouvidas as declarações da ré e testemunhas arroladas no processo, com o objectivo de esclarecer as circunstâncias do homicídio e as alegações da acusada sobre a motivação do delito ser de origem espiritual.
A indiciada foi contratada para prestar serviços como babá-residente. Após o crime afirmou sofrer de problemas espirituais, que a fazem ter comportamentos agressivos, impulsivos e descontrolados, considerando-os sinais de um suposto “chamado” para o curandeirismo.
Cinco pessoas foram chamadas a depor, entre as quais um médico tradicional da Associação dos Médicos Tradicionais de Moçambique (AMETRAMO) e um especialista de Medicina Legal, com o intuito de esclarecer o estado espiritual e mental da arguida.
Maria Ivone, vizinha e testemunha dos acontecimentos, relatou que a acusada trancou as portas, acendeu carvão e começou a gritar. A mãe da vítima, junto de outros moradores, tentou intervir, mas, quando conseguiram forçar a entrada, a criança já estava morta.
“Vieram chamar-me a casa, saímos e chamámos por Ana várias vezes, mas ela não respondia. Arrombámos a porta, mas pela janela vimos que ela estava deitada em cima da criança, e apenas o pezinho era visível”, contou.
Ivone acrescentou que Ana foi encontrada estatelada, em convulsões e, ao recuperar a consciência, declarou não se recordar do acto.
A arguida confessou ainda que, frequentemente, tem sonhos em que fala com animais, corre debaixo de água, ouve barulhos intensos e zumbidos semelhantes aos de carros e, nesses momentos, perde o controlo sobre si.
O médico tradicional ouvido em tribunal afirmou que o comportamento da jovem não se deve a um chamado espiritual para o curandeirismo, mas poderá resultar de maldade ou de perturbações mentais, alegando que a arguida poderá estar a usar o argumento dos “espíritos maus” para justificar os seus actos.
O julgamento prossegue e, após a recolha e análise de todos os elementos, será proferida sentença.

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